Showing posts with label THIRD SECRET OF FÁTIMA. Show all posts
Showing posts with label THIRD SECRET OF FÁTIMA. Show all posts

Monday, 12 December 2011

TERCEIRO SEGREDO DE FÁTIMA: A CHAVE

O DRAMA DO SEGREDO DE FÁTIMA

A hecatombe do Papado:
mistério culminante da história moderna
  Videntes do 3o Segredo de Fátima
Admirável é o modo como se manifesta a Providência que confundindo a malícia dos poderosos, faz chegar o pão da verdade aos filhos de Deus; a verdade do Magnificat e do Terceiro Segredo de Nossa Senhora de Fátima, que manifesta a perene intervenção da Misericórdia divina no mundo humano, intervenção excepcional dos nossos tempos.
O que ensinou a Igreja sobre isto? A Fé cristã se funda na intervenção de Deus na história através de Jesus Cristo, seu único Filho, concebido pelo Espírito Santo e nascido da Virgem Maria.
E através da Sua Igreja essa intervenção divina na terra continua, na medida da ajuda que necessitam os homens de boa vontade. Ela se manifesta nos Sacramentos, no Magistério dos papas e, porque não, quando surgem grandes perigos, nos eventos proféticos invocados pela Igreja.
Desde o início do livro do Genesis, é dito que será a Mulher a vencer o Inimigo de Deus e dos homens. Inimigo que, na nossa época, suscitou um leviatã com muitas cabeças mortais, das quais a mais feroz impôs a mentalidade revolucionária que é a um tempo libertária e liberticida.
Esta domina no mundo, chegando a infiltrar-se nos vértices da Igreja.
A sociedade humana precisou pois de uma ajuda extraordinária para superar essa insídia mental e moral de dimensões inauditas.
Ora, a Igreja desde sempre invocou com orações ajudas sobrenaturais: sinais de alcance histórico, que desde os primórdios do Cristianismo manifestaram-se em horas crucias para suster a Fé, ameaçada pelo espirito do mundo, que cada vez mais seduz com seu poder as almas.
E a intervenção de Maria, Auxilium Christianorum, sempre foi invocada nas horas cruciais com gratidão pelos Papas católicos.
Aqui começa a história do Evento de Nossa Senhora de Fátima.
O papa Bento XV, em plena guerra mundial, invocou publicamente a ajuda de Maria no dia 5 de maio de 1917.
A resposta veio no dia 13 de maio seguinte. Para ajudar a humanidade Nossa Senhora, na vigília da revolução bolchevista, confiou a três pastorinhos de Fátima uma mensagem que avisava dos erros espalhados pela Rússia e dos perigos crescentes para o mundo, se os homens e os povos não deixassem de ofender a Deus: depois da devastadora I Guerra mundial viria uma “guerra pior”.
Se depois desta o mundo não mudasse, viria um terceiro flagelo, mais letal que as guerras; o momento mais crucial da história.
Pode-se deduzir que esse novo flagelo seria de natureza tão tenebrosa, tão incrível nos dias em que foi anunciado, que deveria permanecer como um segredo até a hora em que sua manifestação o tornasse visível à luz da Fé. Quando? Em 1960.
Esta data merecia pois toda a atenção.
Era o momento misterioso em que a ameaça final para a Fé surgiria e, ao mesmo tempo, a causa desse perigo letal seria ocultada por uma enxurrada de enganos.
Emblematicamente o Segredo ficou desde então encerrado no Vaticano.
Não se acreditava mais na ajuda divina para as questões da terra, ou se temia uma intervenção extraordinária do Céu?
Esta dúvida faz vislumbrar um mistério, que precisa ser investigado.
Fato é que por mais de quarenta anos o Segredo ficou arquivado.
Depois ele foi finalmente aberto, mas devido ao teor vago de sua interpretação oficiosa, os mistérios em volta dele, ao invés de cessarem, se multiplicaram; dando ensejo à muitas novas dúvidas e várias publicações, que se apoiam nas contradições vaticanas quanto ao testemunho da Vidente Lúcia.
O que haverá atrás de tudo isto? Como é possível que a visão simbólica de um massacre a tiros do Papa com os seus séquito fiel, não tenha suscitado dos católicos uma consideração meditada do seu significado, mas que ao invés, prevaleça um conformismo apático diante de explicações que nada explicam?
De fato, a conclusão do Segredo foi reduzida à lembrança, segundo o então card. Ratzinger, de imagens que as pastorinhas poderiam “ter visto em livros de piedade e cujo conteúdo deriva de antigas intuições de Fé”.
Não será mais correto dizer que são os livros de piedade que derivam de visões na fé?
Além disso, o que os pastorinhos viram, o inferno e após a hecatombe do Papa com o seu séquito, não foi a mesma para todos eles?
O incrível é que visão para ajudar a Igreja no momento mais crucial da sua história, a terceira parte do Segredo que seria ‘mais clara’ em 1960, agora é apresentada como um quadro fora do tempo!
Devido a este e a outros pontos obscuros na interpretação vaticana do Segredo, grande foi a decepção dos fiéis que esperavam a revelação da verdade assombrosa que viesse sacudir o torpor das consciências, guiando os homens na direcção da Fé.
Essa verdade ainda não foi devidamente aquilatada. Ou melhor, algo ainda impede que ela seja reconhecida por todos; algo ligado, de um lado à malícia de alguns, do outro à uma reacção abúlica diante de uma visão que é claramente extraordinária, pela sua origem e conteúdo, não só religioso mas também histórico. Isto também se apresenta como um mistério no mistério.
 A censura e abertura do Segredo não será parte do seu mistério?
Finalmente, depois de quarenta anos, João Paulo II chegou à convicção que poderia levantar o sigilo do Segredo imposto por João XXIII, embora seu sentido, como sabemos, lhe era obscuro.
A razão dessa iniciativa tardia parece ligada a uma operação de imagem pessoal.
João Paulo sente que, em vista da enorme popularidade que atingiu no mundo, o risco de publicar a misteriosa mensagem poderia ser compensado pelo benefício que este traria à sua imagem de vítima dos perseguidores da Igreja.
Foi assim que a recente conferência vaticana forneceu aos meios de comunicação social uma interpretação do Segredo com as forçadas alusões a João Paulo II expostas pelo cardeal Sodano e reforçadas pela nota teológica do então cardeal Ratzinger.
Sua interpretação teria um caráter oficioso e definitivo, pois se pretende que com ela a questão do Segredo ficaria definitivamente superada. Mas depois reconheceu que não ficou.
O fato é, porém, que os aspectos obscuros dessas “explicações” são tantos que mesmo autores fieis às orientações provindas do Vaticano concluem que muito ficou por esclarecer.
Exemplo disso é o livro recente do jornalista italiano António Socci, “Il Quarto Segreto di Fátima” (Rizzoli, Milão, 2006), onde esse autor confessa que, embora tenha inicialmente aceitado que todo o Segredo havia sido publicado e explicado, a grande quantidade de fatos obscuros leva a pensar que muito ainda deve ser esclarecido. É disso que o livro passa a tratar.
A interpretação vaticana do Segredo concentrou-se justamente na pessoa que quis a sua abertura, mas sem explicar como esta serviu à sua defesa, e sem fornecer argumentos demonstrativos que a profecia do Segredo ficou exaurida. Reforçou assim a impressão que o objecto dessa operação era evidenciar uma áurea de martírio e de proteção divina sobre João Paulo II e seu pontificado revolucionário, sem responder às questões suscitadas pela visão da hecatombe papal. Esta ficaria em parte reduzida, segundo o então cardeal Ratzinger, a impressões religiosas dos pastorinhos após a visão do inferno – projeções do mundo interior de crianças, crescidas num ambiente de profunda piedade, mas ao mesmo tempo assustadas pelas tempestades que ameaçavam o seu tempo” – que, privadas de sentido no mundo actual, não mereceriam maior atenção.
A perplexidade geral diante de interpretação do Segredo
A abertura do Segredo perturbou o íntimo de muitas consciências. Isto só pode ser devido a duas razões principais: o uso pessoal de um evento religioso de alcance universal; a percepção do contraste entre a piedade tradicional e a modernidade. Isto vem acentuar o desacordo espiritual entre o conteúdo do Segredo e o decenal aggiornamento da religião com os tempos. Só um espírito anti-profético poderia querer adaptar questões religiosas discordantes, que tanto perturbam as consciências fieis.
Aliás, a tentativa de conciliar questões opostas repugna até as consciências que são sinceramente pela modernidade.
Quanto aos católicos, confiantes que uma mensagem celeste não pode ser nada menos que uma grande ajuda para os homens em geral, como é a outra parte da Mensagem de Fátima, esta interpretação suscita tanto desapontamento como suspeita. De fato é evidente que o Segredo foi aberto não pelo seu conteúdo, que resta impermeável à inteligência do Vaticano atual e do mundo intelectual em geral, mas porque parecia adaptável à uma interpretação conforme à intenção do establishment conciliar. Qual? A desvalorização de análises do Segredo, que do alto de sua competência teológica o cardeal Ratzinger, taxou de especulações.
As principais análises sobre o Segredo tratam de duas questões:
- a grave crise atual da Fé, que é um fato evidente a todos, mas que a apresentação vaticana empenhou-se a ignorar;
- a descontinuidade do Vaticano II e da sua hierarquia com a Tradição católica e com o Segredo de Fátima, que o atual Vaticano quer neutralizar.
Com isto se quis ignorar a questão que agora volta à tona: que há uma intrínseca discordância entre a fé que o evento de Fátima recorda e o espírito que suscitou o novo curso religioso do Vaticano.
Evitando essa discordância, também a interpretação dada pelas atuais autoridades vaticanas é falsa.
De nada adianta a anuência da Irmã Lúcia, que é a vidente e não a interprete do Segredo, como ela mesma reconheceu.
O ano de 1960 assinalou o início da surda mas clamorosa revolução que demoliu a Igreja católica, para erigir a outra, conciliar.
Por esta razão, quem se propõe demolir a Tradição procurou também anular ou adaptar o Segredo de Fátima, cuja autenticidade na visão da hecatombe do Papado, denuncia seus ocupantes conciliares.
Diante destas constatações, a tentativa de re-arquivar assim o Segredo fornece indicações, para “quem tem olhos para ver”, sobre o misterioso significado de tais operações.
A razão da Mensagem de Fátima só pode ser aquela que ela exprime explicitamente: a contínua intervenção da Divina Providência na vida dos homens, que só não é eficaz devido à oposição humana à verdade.
A este ponto pode-se deduzir que até o pretexto que serviu para a abertura do Segredo, isto é apresentar como continuidade o que é na verdade ruptura, responde a um desígnio divino e oferece elementos para ajudar a Igreja de Deus a desmascarar as lacerações que lhe causaram as decenais rupturas modernistas na sua doutrina e liturgia tradicionais.
Eis um motivo da luta final entre o bem e o mal neste mundo; foi o que a Irmã comunicou ao Padre Fuentes em 1957, mas teve que retratar em 1959, sob a pressão do Bispo de Coimbra instruído pelo Vaticano.
A chave de leitura para o Segredo de Fátima está na antinomia entre continuidade e ruptura; uma é a vida, a outra é a morte do Papa católico. 

Sunday, 31 October 2010

KROHN: O QUARTO SEGREDO DE FÁTIMA?

O quarto segredo de Fátima


Atentado em Fátima em 12 de maio de 1982 . João Paulo II chegava ao santuário, para agradecer a Nossa Senhora por ter lhe salvado a vida e protegido seu coração. De repente contra ele é desferida uma faca do tamanho de uma baioneta pelo padre dissidente espanhol Juan Fernandez Krohn. Este foi impedido imediatamente pelos seguranças. Na foto: Krohn começa a disferir o ataque.

O atual cardel metropolitano de Cracóvia e ex-secretário particular de sua Santidade o Papa João Paulo II, revela: Um ano após o atentado na praça de São Pedro, o Papa João Paulo II viajou a Fátima, em Portugal, para agradecer a Nossa Senhora pela graça concedida. E agora ele foi ferido pela segunda vez. Por que o Papa escondeu tal fato como sendo um segredo? No início de seu pontificado, em 1978, ou ainda em 1979, João Paulo II recebeu em audiência o bispo português Alberto Cosme do Amaral. Pediu para que o bispo mostrasse no mapa onde estava Fátima. O papa polaco - admirável - não se interessava anteriormente pelo culto a Nossa Senhora de Fátima.

Por que o convite para visitar Fátima, o qual é feito pelo bispo Alberto, é tratado com tanta trivialidade?
Para ir a esta pequena, desconhecida Fátima, ele não escolheu. Em janeiro de 1982, o bispo Alberto reiterou o convite. Então, na senha "Fátima", o papa está pronto para voltar atrás em seus planos nos protocolos diplomático colocando em suas mãos.

O Papa ainda convalecendo, chama seu amigo o prof. Stefan Swieżawski para falar sobre a coincidência de datas, entre a aparição de Fátima, em 13 de maio de 1917, e o atentado no Vaticano, em 13 de maio de 1981. João Paulo II e o prof. Swieżawski, mais precisamente, tomam juntos o café da manhã em Castel Gandolfo. Swieżawski, lembra: "Isto foi naquele dia, naquela hora, naquele minuto!" Milagre? Não! Apenas o papa estava convencido, que Nossa Senhora tinha lhe salvado a vida na Praça São Pedro, onde o turco Mehmet Ali Agca disparou com sua pistola contra ele.

O Papa promete ao bispo Alberto que irá a Portugal no aniversário do atentado, dali a quatro meses. João Paulo II começa então a aprender rapidamente o idioma português. E o faz durante cada café da manhã, quando recebe para conversar um bispo português. Em março chega a Portugal uma delegação do Vaticano liderada pelo núncio apostólico Sante Portalupim. Em Coimbra se encontram com a irmã Lúcia, carmelita.
Para ela e seus dois primos, em 1917, sobre um carvalho na Cova da Iria, nos arredores da cidade de Fátima, apareceu Nossa Senhora. A delegação volta a Roma com uma mensagem de irmã Lúcia para o Papa, que irá revelar o terceiro segredo. A grande hierárquia da Igreja reage dizendo que não aceita a proposta de irmã Lúcia. Apenas João Paulo II nunca quis ouvir qualquer crítica a Lúcia. Apesar da posição de seus cardeais, João Paulo II quer ouvir o que Maria teria dito. Este é o famoso terceiro segredo de Fátima: a bala que iria atingir a cabeça do Papa foi desviada naquele 13 de maio de 1981, na praça de São Pedro. O papa já estava restabelecido, forte, quando na grande praça, diante da basílica de Nossa Senhora das Rosas em Fátima, ouve do bispo Alberto: "Ninguém no mundo, ama-o mais do que aqui".

Entre milhares de pelegrinos, está o espanhol, de 32 anos, Juan Fernandez Krohn, padre da irmandade Pio X, ordem religiosa dissidente dirigida pelo bispo Lefebvre. Krohn não poderia ter ido a Fátima para rezar junto com João Paulo II. Não acreditando nos conselhos da igreja, no ecumenismo, na renovação, não faria sentido estar ali. Ele não acredita no Papa. Segundo um velho conhecido, Krohn "é um desqualificado intelectualmente". Enquanto isso, a procissão se aproxima da Capela da Anunciação junto ao altar principal da basílica. João Paulo II livre sobe as escadas. Krohn vestido com roupa preta sob o hábito também preto empurra a multidão e lança contra o papa uma faca do tamanho de uma baioneta. E grita: "Fora com o Papa!" Tenta ferir o papa no coração. O segurança papal Camillo Cibin e os agentes de segurança portugueses detêm o agressor. O Papa se volta para Krohn e apesar de tudo o abençoa. "Eu acuso você pela queda da igreja. Morte ao Concílio Vaticano II." , joga-lhe na cara Krohn. A maioria da pessoas na cerimônia não se dão conta do que está acontecendo. O Papa celebra, abençoa os fiés. ninguém pode supor, o quanto isto lhe custa. Dias depois no jantar do cardeal Agostino Casaroli, chefe da diplomacia do vaticano, transmite uma mensagem do Papa, aos membros da Secretaria de Estado, onde pergunta sobre o atentado, e estes rezaram durante toda a noite. "Posso disso entender, que afinal a Secretaria de Estado começou a rezar?". Foi a piada do papa.

Por mais de 26 anos, este fato foi escondido. Só agora com a publicação do livro, ano passado, e do filme recém lançado na Polônia, "Świadectwo", o cardeal Stanisław Dziwisz decidiu revelar mais este segredo, o do atentado de Fátima.

Para o produtor do filme "Świadectwo", Przemysław Häuser a revelação do cardeal Dziwisz foi um choque. "Pensei, que caíria da cadeira, quando ouvi. Não lembro, qual dia de gravação isto aconteceu, pois trabalhávamos de manhã à noite. Perguntamos sobre o segredo de Fátima, quando espontaneamente o cardeal começou a falar sobre este segundo segredo de Fátima", não aqueles guardados pela irmã Lúcia, mas deste "do atentado do espanhol Juan Fernadez Krohn".

Juan Fernandez Krohn foi condenado a seis anos e meio pelo atentado e mais seis meses por insultar o juiz. No processo afirmou que Wojtyła foi agente comunista, o qual sentou-se no centro do Vaticano. Cumpriu apenas três anos de pena. Livre em Portugal, viajou a Bélgica. joga fora o hábito e casa-se com uma jornalista portuguesa, com a qual se correspondia sobre sua situação quando estava na cadeia. Em 2000, foi detido em Bruxelas, por comprovado atentado contra os reis da Bélgica, Alberto e espanhol Juan Carlos I. Passa mais cinco anos na prisão. Krohn conduz um blog, no qual escreve sobre política espahola, sobre a guerra civil de 1936, literatura e religião.


O ex-padre dissidente hoje vive em Bruxelas. Juan Fernandez Krohn escreve em seu blog: "Se feri Joäo Paulo II em Fátima.. isto está claro para mim, ao contrário de Ali Agca ele não me perdoou nem mesmo antes do relaxamento de minha prisão, nem depois. Mas isto é mentira de que eu o feri."

Quando, numa quarta-feira, antes da "avant-première do filme "Świadectwo", no Vaticano para o papa Bento XVI, a agência internacional de notícias propaga sobre o segredo do atentado de Fátima, Krohn reage: "Em primeiro lugar, é mentira. Em segundo: isto é uma cegueira e uma escandaloza hipocrisia... Em terceiro: muito me estranha, porque só agora este bispo polaco revela isto, se escondeu durante 25 anos. A pergunta surge, por que revelar isto, quando a opinião pública de seu país está em choque com a revelação de que mombros da hierárquia da igreja na Polônia, serviram aos serviços de segurança comunistas". Eles temiam que aquela faca estivesse envenenada.


A Polícia retira o ensandecido padre Krohn do santuário. Poucos momentos antes ele havia atacado o papa João Paulo II que o abençoou. Krohn foi condenado a seis anos e meio de prisão, mas foi solto depois de três anos.

Postado por Jarosinski Brasil às 10:02




Friday, 3 September 2010

O TERCEIRO SEGREDO DE FÁTIMA?



João Paulo II acreditava ter protagonizado o terceiro segredo de Fátima

08.05.2010 - 09:09 Por João Manuel Rocha

Só na última das suas três visitas a Portugal, em 2000, se compreendeu plenamente a devoção de João Paulo II por Fátima. O mais andarilho dos Papas que a Igreja já teve acreditava piamente que o chamado "terceiro segredo de Fátima" se referia ao atentado que sofreu em Roma, em 1981, e que fora a intervenção miraculosa de Nossa Senhora que o salvara das balas de Ali Agca. O atentado de 1981 vai marcar a relação de João Paulo II com Fátima.

A devoção mariana do Papa Wojtyla já era conhecida, como mostrava a escolha da expressão Totus Tuus (Eu sou todo teu, aludindo a Maria) para lema do seu pontificado. Mas foi reforçada com o atentado: a data, 13 de Maio, como a primeira das aparições de 1917, e o conhecimento que já tinha do texto do terceiro segredo levaram João Paulo II a estabelecer uma relação entre a mensagem dos pastorinhos e o seu trajecto pessoal.

Depois de alvejado, ainda no hospital, pediu que lhe levassem o documento do segredo. Na interpretação das crianças, que o Vaticano referiu em 2000 ter sido então reiterada por Lúcia, o "bispo vestido de branco" era o Papa, que "cai por terra morto sob os tiros de uma arma de fogo". A visão do Inferno e o anúncio da devoção ao Coração Imaculado de Maria eram os segredos antes conhecidos.

O atentado vai marcar a relação de João Paulo II com Fátima, ponto obrigatório das três viagens que fará a Portugal, e influenciará calendários e itinerários. Na primeira, em 1982, logo à chegada ao Aeroporto de Lisboa, onde é recebido pelo Presidente da República, Ramalho Eanes, e pelo primeiro-ministro, Pinto Balsemão, no rescaldo de uma greve geral promovida na véspera pela CGTP, afirma ao que vem, logo após o beijo no solo com que inaugurava todas as suas primeiras visitas a um país: "Esta minha peregrinação tem um sentido dominante: Fátima. Seguirei depois um itinerário mariano." O mesmo dirá nesse mesmo 12 de Maio, no Palácio de Belém: "Encontro-me em Portugal em visita pastoral e, sobretudo, em peregrinação a Fátima."

Nessa noite, já no santuário, é alvo de uma tentativa de atentado com a baioneta de uma espingarda Mauser de 1914 empunhada por Juan Fernandez Krohn, um padre integrista que não reconhece a autoridade do chefe católico. "Vim para matar o Papa", confessou, segundo A Capital. Poucos dos 700 mil peregrinos calculados pelo jornal se apercebem.

Ao contrário do que sucedera com Paulo VI em 1967, desta vez não há razões políticas que abreviem a visita, que assume carácter de Estado e da qual apenas a UDP se demarca. O programa de quatro dias não dispensa a passagem pelos santuários marianos de Vila Viçosa, Fátima e Sameiro. As mensagens são pensadas para públicos específicos. Em Fátima confirma que, após o atentado de 1981, o seu pensamento "voltou-se imediatamente" para o santuário. No Alentejo defende salário justo para os trabalhadores da terra. Em Lisboa, as suas palavras privilegiam os jovens. Em Coimbra coloca na agenda a cultura. Em Braga aborda os problemas da família, o casamento e o aborto. No Porto, o tema é o mundo do trabalho, a crise e o desemprego.

Rígido na doutrina e avançado no campo social, João Paulo II deixa sinais do que seria uma marca da sua liderança: a busca de empatia com os jovens. A tarde de 14, no Parque Eduardo VII, com "talvez mais [gente] que em Fátima", foi, segundo o Diário de Lisboa, "sem dúvida, o clímax da viagem: uma multidão, onde predominava a juventude de escuteiros e guias, estendia-se até perder de vista, para além de uma zona de segurança". Em Coimbra, a 15, soltará um "Olá malta", que faz títulos de jornal.

Nove anos depois da primeira visita, Wojtyla está de volta para uma visita que decorre entre 10 e 13 de Maio. Mário Soares ocupa o Palácio de Belém e Cavaco Silva está na chefia do Governo. Em Lisboa, no Estádio do Restelo, com prelados africanos, o Papa assinala os 500 anos de evangelização. Cai mal uma alusão à Indonésia como lugar de missionação portuguesa sem que seja acompanhada por qualquer referência à situação em Timor, já ignorada em ocasiões anteriores. A 11, o PÚBLICO escreve em manchete: "João Paulo II volta a esquecer Timor", o que obrigará a uma reacção. "Falei da evangelização que se fazia em Portugal, na época da colonização: são as ilhas das Flores e depois a de Timor", dirá o Papa à Rádio Renascença.

Numa visita catequética, com um roteiro que inclui Açores, Madeira e, necessariamente, Fátima, a agenda aborda temas como a missionação, a situação nos países de Leste, a emigração, a juventude e a espiritualidade mariana. Nas estradas que conduzem à Cova da Iria pedem-se aos peregrinos 20 escudos por um copo de água. No santuário, o Papa volta a lembrar o atentado de 1981.

Em 2000, a viagem tem um objectivo claro: a beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco e, percebe-se depois, a revelação do segredo. Os anfitriões de Estado são desta vez Jorge Sampaio, como Presidente, e António Guterres, primeiro-ministro. Wojtyla volta, tal como nas vezes anteriores, a encontrar-se com Lúcia. A saúde do Papa é já débil e pressente-se o final de pontificado. "Parece querer estar a "arrumar as gavetas", despedindo-se dos lugares que lhe são queridos, das devoções que mais lhe tocam, dos objectos que mais significado lhe traziam", escreve o PÚBLICO.