Thursday, 27 December 2012
Monday, 24 December 2012
COZINHA COM ALMA
Cozinha com Alma. Um negócio com os ingredientes certos
Por Isabel Tavares, publicado em 24 Dez 2012 - 03:10
A funcionar há menos de um ano, o projecto pretende atingir as 100 pessoas em Março de 2013 e iniciar uma rede de franchising
A Cozinha com Alma abriu a primeira loja, provisória, em Fevereiro deste ano e o dia treze não foi, definitivamente, número de azar. Nasceu para defender uma causa e, quase um ano depois, já pensa em franchisar o negócio. Mas, antes de mais, quer consolidar o que já existe.
O projecto é bem diferente da ideia inicial das suas mentoras, Cristina Botton e Joana Castella. As duas são unânimes: para serem bem sucedidas foi fundamental “escutar, escutar, escutar”. Há muitos anos Cristina desafiou Joana para desenvolverem em conjunto uma espécie de “sopa dos pobres”. Na altura, pouco se falava em organizações desta natureza e menos ainda em empreendedorismo social. Foi preciso um ano a ouvir falar em fome e probreza envergonhada para Joana Castella achar que era o momento certo para avançar.
Acertaram agulhas, definiram conceitos e foram apresentar a ideia à então vereadora com o pelouro social da Câmara Municipal de Cascais, Mariana Ribeiro Ferreira, actual presidente do Instituto da Segurança Social. O objectivo era perceber se o projecto fazia sentido, se valia a pena.
E fazia. Mas as recomendações foram mais que muitas, não estivesse Mariana Ribeiro Ferreira habituada a ouvir falarcom entusiamo de mil e uma ideias que raramente – e por motivos diversos –, nunca saem do papel. “Deu-nos imensas directrizes, como não prestar serviços grátis. Ouvimos muitas pessoas, especialistas em várias áreas, aconselhámo-nos. O projecto foi evoluindo e o resultado é muito diferente da ideia inicial”, conta Cristina Botton para explicar que este processo foi fundamental para concretizar tudo.
Esta IPSS – Instituição Particular de Solidariedade Social nasceu para defender uma causa e não tem fins lucrativos, mas é gerida como uma empresa que quer ganhar dinheiro para reinvestir no negócio e poder ir alargando a sua ajuda a mais famílias.
O estudo de viabilidade económica apontava para um investimento inicial de 80 mil euros. As duas sócias não conseguiram reunir essa verba logo no início e, por isso, “em vez de quatro frigoríficos, comprámos dois, em vez de dois abatedores de temperatura comprámos um, etc”, diz Cristina. Hoje, o negócio de refeições prontas gera uma receita mensal de cerca de 15 mil euros e a Cozinha com Alma é uma empresa auto-sustentável. Desse montante sai o dinheiro para pagar os quatro empregados – chef, ajudante, cozinheira e responsável de loja –, ingredientes, embalagens, água, luz, gás...
voluntariado. “A Cozinha com Alma faz hoje 300 refeições diárias até às 11 da manhã e ajuda 18 famílias, num total de 54 pessoas”, diz Joana Castella com orgulho. É que as refeições prontas tem de estar na loja para serem adquiridas a partir do meio-dia e além disso é ainda necessário confeccionar as refeições dos bebés e do pessoal da creche onde a cozinha funciona, a contrapartida pedida pela Junta de Freguesia de Pampilheira para ceder o espaço ao projecto. Em Janeiro deverão ser já 75 pessoas pessoas com bolsa alimentar e em Março a empresa espera atingir as 100.
Nada disto seria possível sem a equipa de 60 voluntários, entre os 18 e os 82 anos, que todos os dias se dispõe tirar umas horas do seu tempo, mesmo quando parece tão escasso, para ajudar. Como é muita gente, há uma voluntária que tem a seu cargo a gestão de toda a equipa e a organização dos dias, horários e tarefas atribuídos a cada um. Depois, Cristina coordena mais directamente os voluntários ocupados da loja e Joana os que estão adstritos à cozinha.
Além disso, existem ainda os parceiros da Cozinha com Alma, empresas e amigos que ajudam com o que podem na medida das suas possibilidades. “Chegámos a fazer uma lista de casamento – conta Joana, divertida –, em que vinha desde a colher de pau ao abatedor de temperatura”. Mas, afinal, quem são as pessoas que a Cozinha com Alma apoia? As famílias são escolhidas pela Comissão Social de Freguesia e trata-se de “pessoas em idade activa, sobretudo com filhos menores a cargo, que estão numa situação temporariamente difícil e precisam de um balão de oxigénio para ultrapassar este período”, explica Joana Castella. O apoio traduz-se no fornecimento de refeições caseiras a preços muito baixos, fixado de acordo com três escalões que nada têm a ver com os da Segurança Social. O objectivo é exactamente chegar à classe média, onde não chegam as ajudas do Estado.
O escalão 1 paga um preço médio de 50 cêntimos por refeição, sopa e prato principal, o escalão 2 paga uma média de um euro e o escalão 3 paga 1,5 euros. Esses valores são carregados num cartão que vai sendo utilizado ao longo do mês.
Por exemplo, um agregado familiar de quatro pessoas, com um plafond máximo mensal de 35 euros, pode carregar o cartão com todo o valor de uma vez e ir abatendo ao longo de trinta dias até atingir o limite ou, se preferir, ir carregando ao longo do mês de acordo com as suas possibilidades ou necessidades.
Quando inicia este processo, a família responde a um inquérito, que é repetido seis meses depois, quando termina o período de apoio. “Aí, a Cozinha com Alma quantifica o impacto na melhoria de vida dessas pessoas e na resolução dos seus problemas. Saber se estamos no caminho certo ou se está tudo na mesma é importante, não queremos que esteja tudo na mesma”, explica Joana Castella.
E se não estiver? “Então, não se trata de uma família Cozinha com Alma, ou seja, é uma família que precisa de um apoio mais continuado e, para isso, existem programas de assistência social definidos pelo Estado. Por exemplo, temos muitos idosos a pedir bolsas sociais e a nossa família tipo não são idosos”, remata Cristina Botton.
O mesmo cartão que é utilizado pelas famílias com bolsa social pode também ser utilizado por qualquer cliente que não esteja ao abrigo das bolsas mas queira ali comprar as suas refeições prontas. Os preços, claro, esses são diferentes, mas ainda assim em conta. E na loja vende-se de tudo, sopas, diversos pratos de peixe e carne e sobremesas, tudo confeccionado pelo chef Nuno Simões.
Quem opta por cartão tem direito a brinde: com 50 euros recebe uma garrafa de vinho, com 100 euros uma garrafa de vinho mais cara e com 150 uma garrafa de vinho ainda melhor. O objectivo é estimular a compra do cartão, que vai abatendo à medida que o cliente vai efectuando as suas compras.
“O mais engraçado é que não sabemos distinguir os clientes e para qualquer pessoa é impossível saber se se trata de um bolseiro ou de um cliente normal”, diz Cristina Botton.
Para a Cozinha com Alma é fundamental que as pessoas que recorrem a esta ajuda não se sintam apontadas.
Joana Castella diz que, “no início algumas famílias vêm muito envergonhadas, porque pedem ajuda pela primeira vez. Há famílias que nos contam como é difícil o processo, até porque antes eram elas que doavam. É um acto de coragem da família. Depois, quando percebem como funciona o cartão e que não são reconhecidas por ninguém, ficam aliviadas e muito mais à vontade”.
Cristina diz que há duas ou três famílias muito envergonhadas, que entram de cabeça baixa, mas há também aquelas que se sentem aliviadas com a ajuda e entram na pequena loja quase a gritar que são bolsa. “Não nos cabe julgar os outros e temos de respeitar cada um”, afirma Cristina.
A loja tem frescos e congelados, pelo que é possível levar para toda a semana ou ir buscar diariamente acabadinho de fazer. O sistema é self-service e cada cliente é livre de levar os artigos que prefere. E também aceita encomendas e faz serviço de catering para particulares ou empresas.
Nesta altura, a cozinha é o principal problema da empresa: “começa a ser apertada para tanta comida e tanta gente. Uma vez mais, em conjunto com diversas entidades, estamos à procura de uma solução”, avança Cristina Botton.
O lema das duas sócias é dar um passo de cada vez, mas as ideias não páram de surgir. “Muita gente pergunta-nos porque não fazemos um horta, ou isto e aquilo. Não queremos dispersar e queremos envolver a comunidade. Primeiro temos de fazer bem feito, temos de consolidar”.
Mas 2013 poderá trazer grandes novidades. O objectivo é alargar a ajuda a outras freguesias, com Alcabideche e Estoril. Depois, criar um franchinsing. Antes disso, e já em Janeiro, avançam uma série de workshops, o primeiro dos quais em “independência financeira”, com a colaboração da ASFAC – Associação de Instituições de Crédito Especializado, que se ofereceu para seguir individualmente algum caso mais difícil. No final de Março surgirão outras sessões de coaching. “As pessoas têm de aprender a reinventar-se e a viver com esta nova realidade que é ter menos”, remata Crisitna Botton.
Tuesday, 30 October 2012
FAMÍLIAS CARENCIADAS NO ALGARVE PEDEM AJUDA À IGREJA
Famílias carenciadas aumentam no Algarve
Casais desempregados pedem ajuda à Igreja
O número de famílias com casais desempregados a pedirem ajuda às instituições ligadas à Igreja Católica, sobretudo para comerem, está a aumentar, alertou esta terça-feira Luís Galante, responsável por dois centros paroquiais no Algarve.
"Temos muitas solicitações para beneficiarem das valências destes centros, que estão lotados", disse o diácono Luís Galante, que dirige instituições nas freguesias de Santa Bárbara de Nexe e Estoi, no concelho de Faro. Aquele responsável falava aos jornalistas à margem do I Encontro dos Centros Sociais Paroquiais do Algarve, promovido pela Pastoral Social Diocesana, e no qual marcaram presença 11 instituições da região.
Segundo Luís Galante, há muitos pedidos de ajuda de famílias para internar idosos no lar, mas não há lugares, havendo apenas ainda alguma margem para distribuir mais refeições, já que num dos centros a capacidade não está lotada.
"São pessoas desempregadas, muitas vezes famílias inteiras, com filhos na escola e quase sempre os dois membros do casal estão desempregados", ilustrou aquele responsável. O diácono assumiu a existência de famílias com dificuldades em pagar as mensalidades em atraso dos utentes dos lares ou infantários, situação que tem aumentado, mas assegurou que nunca ninguém deixou de ser atendido por falta de pagamento.
"Quando os pais estão desempregados, não sei se bem, se mal, mas eu chego a sugerir às pessoas que fiquem com os filhos em casa, é uma forma de se ocuparem, mas as pessoas também precisam do tempo para ir à procura de trabalho e nós continuamos a receber os filhos", afirmou.
Antevendo um ano de 2013 difícil, Luís Galante sublinhou não saber em que mais podem estes centros ajudar as famílias carenciadas, a não ser no aumento do número de refeições nas cantinas sociais. "É preciso ter quem ofereça, às vezes são restaurantes, outras vezes são escolas", disse, acrescentando que este tem de ser um trabalho em rede. A próxima reunião de responsáveis de centros paroquiais no Algarve deverá acontecer em abril de 2013.
Monday, 29 October 2012
BENTO XVI DEFENDE O DIREITO A NÃO EMIGRAR
Apelo do Papa aos governantes
Bento XVI defende "direito a não emigrar"
"Antes mesmo do direito de emigrar, é necessário reafirmar o direito a não emigrar, isto é, o de ficar na sua própria terra", sublinhou Bento XVI na mensagem para preparar a Jornada dos migrantes e refugiados, que será celebrada em Janeiro.
O papa recordou que "o direito da pessoa a emigrar está inscrito nos direitos humanos fundamentais" mas sublinhou a importância de ter "sob controlo os factores que empurram para a emigração".
Em vez de uma "peregrinação animada pela confiança, pela fé e pela esperança", "numerosas migrações são consequência da precariedade económica, da falta de bens essenciais, de catástrofes naturais, de guerras e de desordens sociais".
"Migrar torna-se então um calvário para sobreviver, onde homens e mulheres aparecem mais como vítimas do que como atores e responsáveis da sua aventura migratória", observa o papa. O papa denuncia ainda as consequências de tais situações para alguns, afirmando que "muitos vivem condições de marginalização e, talvez, de exploração e de privação dos seus direitos humanos fundamentais, ou ainda adoptam comportamentos prejudiciais para a sociedade no seio da qual vivem".
Das suas deslocações, do Líbano ao México e a África, o papa recorda a questão da emigração, considerando que destrói as famílias e enfraquece o tecido social. Foi assim que Bento XVI lançou em meados de Setembro no Líbano um apelo aos cristãos do Médio Oriente para permanecerem, apesar dos conflitos e das dificuldades económicas.
Thursday, 27 September 2012
COIMBRA UNIDA CONTRA A POBREZA
Por Agência Lusa, publicado em 27 Set 2012
A Plataforma ODM – Coimbra Unida contra a Pobreza vai realizar em Outubro um programa de atividades em que pretende recolher verbas para o seu fundo de apoio a doentes crónicos carenciados, foi hoje revelado.
Reunida hoje em assembleia geral, a plataforma, que congrega 37 organizações da cidade, decidiu realizar grande parte do seu plano de atividades entre 13 e 17 de outubro, e nelas "tentar angariar o máximo de dinheiro para apoiar os doentes crónicos carenciados”, no âmbito do fundo contra a pobreza que lhes é destinado, disse à agência Lusa Ana Rito Brito, do secretariado executivo.
O plano de atividades será divulgado apenas em sessão marcada para as 15:00 de segunda-feira na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, tendo Ana Rito Brito referido que já se encontram em curso duas iniciativas: o referido fundo e um concurso de fotografia e vídeo sobre a temática da pobreza, cujo prazo foi alargado para o início de Outubro.
No âmbito do fundo, que apoia doentes selecionados por um agrupamento de centros de saúde, foram já auxiliados, no ano passado, oito pacientes, nomeadamente através do pagamento de dívidas nas farmácias, adiantou.
Desde o início de setembro, 24 mealheiros colocados em farmácias de Coimbra recolhem, até ao final de outubro, donativos que se destinam igualmente ao fundo, adiantou a representante da Associação Saúde em Português no secretariado executivo da Plataforma ODM na Cidade.
Sensibilizar a comunidade para os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, nomeadamente para o primeiro, de redução da pobreza e da fome em 50% até 2015, são metas do projeto, agora a realizar a sua terceira edição em Coimbra.
Em Março passado, a plataforma anunciou a intenção de realizar este ano uma marcha contra a pobreza e uma feira solidária, entre outras ações.
Tuesday, 28 August 2012
RÁDIO RENSCENÇA: QUO VADIS?
A RR, de novo - por Nuno Serras Pereira
Duas mães em sobressalto, uma psicóloga outra professora de ética, desabaram sobre mim as suas grandes preocupações sobre um programa de um canal televisivo, intitulado dancin’ days, patrocinado, segundo elas, pela Rádio Renascença (RR), e que parece estar a ter muito sucesso entre adolescentes e jovens.
Entre outras coisas relataram-me que havia um pai e um filho que partilhavam a mesma amásia, e também que os ditos episódios televisivos advogavam perversamente a homossexualidade.
Não saberei dizer se os meus amigos se recordam dos tempos em que a (RR), propriedade do Episcopado português, era Católica. Eu que sou (pelo menos mentalmente) contemporâneo de Matusalém, ainda me lembro.
A mim parece-me que, embora já houvesse claros sinais de degradação, a machadada fatal na sua identidade ocorreu quando a RR contribuiu activamente para a vitória do “sim” à liberalização do aborto aquando do último referendo. Desde então a sua putrefacção nauseabunda, disfarçada com o perfume de alguns programas bem cheirosos, tem vindo a alastrar. Trata-se de um quase cadáver coberto de gangrenas.
28. 08. 2012
Monday, 27 August 2012
Thursday, 16 August 2012
Wednesday, 15 August 2012
Thursday, 2 August 2012
EL ABORTO POR MALFORMACIÓN
El aborto por malformaciones es una práctica nazi.
30.07.12 | 12:20. Archivado en Magdalena del Amo

El aborto por malformaciones es una práctica eugenésica nazi que no va a ser posible a partir del otoño, fecha en la que el Gobierno contempla reformar la infanticida ley de plazos de Zapatero-Aído. Lo primero que nos viene a la mente es que Gallardón es valiente por atreverse a derogar una ley, muy bien vista por todos los movimientos progres del mundo, respaldados por asociaciones y fundaciones que hacen gala de una filantropía, que no es tal. Pero tras este primer pensamiento positivo hacia las buenas intenciones del Ministro, aparece la duda, y después la nada. Y para avivar mi decepción razonada y fundada, empiezan a llegarme correos de aquí y de allá, de unos y de otros y la esperanza queda “nanotizada” en el baúl de las ilusiones incumplidas. Nadie de los míos le ha creído.
Cuando escribí el artículo anterior sobre el aborto, el Ministro aún no había pronunciado las polémicas palabras sobre la nueva ley, que no contemplará el supuesto de la eugenesia, es decir, el aborto por malformaciones. Por eso no hice ninguna alusión al respecto, limitándome a reclamarle al Partido Popular que pusiese coto a los 9.000 abortos que se realizan en España cada mes, y para colmo, con cargo a nuestros impuestos.
Si el ministro Gallardón pretendía el efecto cortina de humo, como señalan algunos malpensados, es difícil saber si consiguió el objetivo, tal como están las cosas de la economía. Si el fin era pulsar la opinión de la calle, tampoco sé si le habrá servido de mucho. Los de siempre, a favor, y los otros, en contra. Si pretendía un acercamiento a la parte más conservadora del PP, ahora que a Rajoy le huele la cabeza a pólvora, su gozo en un pozo, porque nadie de la derecha clásica le cree. Hacen falta más que palabras para quitarse ese barniz de chico de derechas, progre, medio socialista, de Polanco q.e.p.d., de Prisa, en definitiva. Y si eran titulares lo que buscaba, para estar en el candelero, lo consiguió con creces. Le faltó tiempo a la izquierda para tirarse a la yugular y activar su agitprop clásico azuzando a las mujeres a oponerse contra lo que consideran una vuelta treinta años atrás. Ignoran que las prácticas en esta materia en nuestra sociedad moderna y tecnológica es una vuelta a la barbarie, a la etapa en la que a los niños enclenques se les mataba. En Esparta, por poner un ejemplo, a los recién nacidos, de complexión débil, se los arrojaba desde el monte Taigeto. Eliminar a los más débiles o malformados, no es ni avanzado ni progresista. Es una salvajada.
Hace unos días llamó una mujer a un programa de radio para quejarse de la reforma que pretende hacer Gallardón. Contó que había tenido dos gemelos con una afección de corazón y que habían sufrido mucho hasta que fallecieron, uno de chiquito y otro con dieciocho años. Argüía que, “claro, en esos tiempos no había estas facilidades”. Solo le faltó decir que sentía no haberlos matado antes de nacer. Me dio pena, una pobre víctima de los ideólogos de la Cultura de la Muerte. Sin embargo, muchas personas que han tenido niños normales y después les ha llegado uno con síndrome de Down, los ha hecho tan felices que lo han considerado como un regalo de Dios y no han dejado de darle gracias porque les había hecho crecer como personas. Sobre esto existe una abundante casuística. Ahora bien, la gran preocupación de estos padres es la incertidumbre cuando ellos falten. Por eso, hay que instar a los estados a que desarrollen políticas sociales para la ayuda de estas familias y la atención de estos niños, con la misma dignidad y los mismos derechos que sus congéneres sanos.
El supuesto que permite abortar en caso de malformaciones tampoco es algo nuevo. Las leyes nazis obligaban a eliminar a los imperfectos, nacidos y no nacidos. Miles de niños fueron exterminados en virtud de unas leyes en cuya redacción habían participado sesudos juristas, asesorados por científicos alemanes estadounidenses. Tras el proceso de Nuremberg, la palabra “eugenesia” quedó tan contaminada ante la opinión pública, que durante más de dos décadas se mantuvo solapada y nadie se atrevió a hablar del tema, salvo en algunos foros restringidos. Pero se seguía investigando y trabajando en silencio esperando que la sociedad fuera olvidando lo ocurrido en Alemania, para volver a implantar la eliminación forzosa de las “vidas sin valor”.
Los estados materialistas que ven al ser humano como un instrumento de producción y consumo, arreglan estas situaciones cortando por lo sano. Si sólo se permite que vean la luz las personas sanas y se evitan los aquejados de síndrome de Down, de Edwards o de Patau, anencefalia, parálisis cerebral y las diversas afecciones que engrosan los manuales de diagnóstico, el Estado se ahorra un buen puñado de euros al año. Algunas naciones, incluso, impiden que nazcan bebés sanos a causa de las políticas de control de población, léase China. Y si hablamos del estado del bienestar, todo debe ser alegría, consumo y confort y no hay sitio para los sufrientes.
El tercer supuesto de la ley de 1985 permite el aborto hasta la semana 22. Con este tiempo, el bebé en gestación ya es viable. La prueba de amniocentesis se realiza a muchas mujeres a partir de los treinta y cinco años, pero, por razones estrictamente utilitaristas, esta práctica se está extendiendo a las mujeres de todas las edades. En España, en la sanidad pública se aborda el tema con toda su crudeza prescindiendo de eufemismos esta vez, y se habla abiertamente de cribado prenatal de cromosomopatías fetales. Ante la duda, aborto. Ese es el protocolo. Salvo personas íntegras con una idea clara de su papel en esta vida y la del posible hijo malformado, que ni siquiera se someten a la prueba, lo normal en estos tiempos es que si el niño que se espera no es perfecto, se elimine.
El aborto por malformaciones es aún más traumático y tiene mayores consecuencias psicológicas para la mujer, porque el sentimiento de culpa suele ser mayor. Por otro lado, al haber un plazo mayor de gestación, los vínculos entre madre e hijo son mayores y esto hace que las secuelas post aborto se agudicen.
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Por Magdalena del Amo
Periodista y escritora, pertenece al Foro de Comunicadores Católicos.
Directora y presentadora de La Bitácora, de Popular TV
Directora de Ourense siglo XXI
Friday, 27 July 2012
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