Wednesday, 9 February 2011

DAN BROWN AINDA NÃO SABE DISTO: SATANISMO NO VATICANO

Malachi Martin e o satanismo no Vaticano.

com 11 comentários



Caros amigos, ontem o jornal Libero relançou uma informação publicada em um livro de dois autores ingleses, Stephen Klimczuk e Gerald Warner di Craigenmaddie, intitulado Guia dos lugares mais secretos do mundo, que, por sua vez, repropõe uma antiga tese presente no romance do ex-jesuíta Malachi Martin, Windswept House (“A casa varrida pelos ventos”), publicado em 1996 e nunca traduzido para o italiano. A tese de Martin, segundo a qual um rito satânico teria sido celebrado na Capela Paulina do Vaticano, já havia sido retomada e aprofundada no último mês de maio pelo blog Fides et Forma, de Francesco Colafemmina:

“De acordo com o romance, em 29 de junho de 1963, no Vaticano, mais precisamente na Capela Paulina, foi oficiado um ritual satânico com a participação de altos prelados, bispos, simples clero e leigos. Segundo Martin, tratava-se de cumprir uma profecia do satanismo moderno, que anunciava o início da era de Satanás no momento em que um Papa tomasse o nome de Paulo. O último Papa Paulo foi Camillo Borghese, que morreu em 1621. Em 21 de junho de 1963, por sua vez, o Cardeal Montini foi eleito Papa, tomando o nome de Paulo VI. Martin relata então que esse ritual satânico foi organizado no Vaticano na noite entre 28 e 29 de junho de 1963, uma semana após a eleição de Paulo VI, a fim de entronizar Satanás no coração da Cristandade”.

“Os satanistas – escreve ainda Colafemmina – não puderam, no entanto, organizar um ritual completo: como poderiam trazer a vítima e o animal sacrifical ao Palácio Apostólico? Decidiram, então, combinar dois ritos a serem realizados ao mesmo tempo. Um, incruento, no Vaticano, na capela Paulina; e outro, cruento, a ser realizado nos EUA. Os rituais ocorreriam simultaneamente e iriam ser sincronizados através de um telefone. Quem o celebrou no Vaticano? Martin não diz. Fala apenas de prelados, sacerdotes e leigos. Quanto ao ritual paralelo ele é mais claro e conta que aconteceu em uma igreja paroquial, na Carolina do Sul, e o celebrou um tal “Dom Leo”. Um nome assim não deve ser casual. E, de fato, na diocese da Carolina do Sul encontramos, em 1964, o bispo Ernst Leo Unterkoefler”.

De acordo com o que se lê no romance de Martin, o ritual foi realizado na Carolina do Sul através de violência sexual contra uma criança, primeiramente drogada e depois abusada. Em vez disso, na Capela Paulina foi oficiado o ritual principal incruento, finalizado com a leitura de uma espécie de “consagração” do Vaticano a Satanás. Martin, que era secretário do Cardeal Bea, teria conhecido o conteúdo do Terceiro Segredo de Fátima e no romance, publicado pouco antes de sua morte e de toda forma antes de explodir o escândalo de pedofilia, fala dos abusos sexuais cometidos por expoentes do clero contra menores.

Na origem do ressurgimento desse obscuro e sinceramente inacreditável acontecimento, que tem todas as características do pior Dan Brown, está um episódio recente: um rito celebrado por Bento XVI em junho de 2010, ao fim da restauração da mesma Capela Paulina, que, como Colafemmina escreveu em Maio passado, teria sido reconsagrada pelo próprio Papa por causa do ritual satânico que nela teria sido celebrado. Em 1972 Paulo VI (e, portanto, nove anos depois da suposta celebração perversa) falou da “fumaça de Satanás” dentro do templo de Deus, e é verdade que uma sugestão similar foi feita também pelo exorcista Padre Gabriele Amorth (mesmo que para mim ele tenha dito que a sua palavra a respeito tenha sido demasiadamente enfatizada).

O que de fato aconteceu? Podemos realmente imaginar que na Capela Paulina, no início do reinado de Paulo VI, importantes prelados tenham cometido o repugnante sacrilégio descrito por Malachi Martin? A prova do evento obscuro e sacrílego seria a reconsagração realizada pelo Papa Ratzinger. Após a publicação do artigo de Colafemmina em maio do ano passado, procurei a confirmação do círculo papal e recebi, pelo contrário, somente desmentidos pontuais.

Neste momento me encontro no Vaticano e ontem tive uma conversa com uma pessoa próxima ao Papa, que desmentiu novamente que Bento XVI tenha reconsagrado a Capela Paulina. Houve sim, disse-me ele, um serviço para a retomada da celebração do culto após os restauros e a instalação de um novo altar, mas não uma nova consagração. Fiz, pessoalmente, perguntas explícitas a respeito e esta foi a resposta, que lhes relato. Claro, eu poderia esperar um desmentido frio da parte da própria Sala de Imprensa a esse respeito, justamente por conta da enormidade noticiada pelo Libero e da circulação que a notícia teve.

Há, de toda forma, uma outra razão que me faz duvidar sobre os fundamentos do episódio descrito por Martin em sua reconstrução romanceada. Por que Paulo VI — que acreditava, e muito, na existência de Satanás — não reconsagrou imediatamente a Capela Paulina logo que viesse a conhecer o suposto rito satânico? Por que teria ele esperado, deixando escrito ao seu sucessor o que havia acontecido? E por que o seu segundo sucessor, João Paulo II, não teria feito, ao longo dos 27 anos de pontificado, ele que havia realizado exorcismos no Vaticano e que também falava muito freqüentemente da presença do diabo? Em suma, a história do rito satânico me parece ter todas as características de fábula…




11 Respostas





Marcus Moreira Lassance Pimenta

fevereiro 8, 2011 em 8:22 pm
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Marcus Moreira Lassance Pimenta

fevereiro 8, 2011 em 8:28 pm

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Eu acredito que o satanismo foi sim introduzido dentro do vaticano , lí uma vez que um dos rituais deles era justamente abusar sexualmente de “meninos” para dessa forma ofender com mais força a Jesus que foi menino.

Ora, os maçõns também adoram a lúcifer enquanto outra vertente é satanista e será que ainda existe quem duvida que os ideais maçõns não triunfaram no Concilio Vaticano II . Se muitos Bispos foram maçõns logo tinham aliança com o maligno, se ta na chuva é pra se molhar.

Abaixo vai uma lista de muitos Cardeais que foram iniciados em lojas maçonicas


Christiano

fevereiro 8, 2011 em 9:01 pm

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Gostaria muito de acreditar nesses desmentidos do Vaticano, porém..Se foram capazes de esconder o Terceiro Segredo de Fátima dos católicos, imagine outras coisas gravemente equivalentes.

——x——

Ferreti,

Tenho uma curiosidade: A foto acima mostra a real Capela Sisitna antes da reforma ou só é uma ilustração fakeana?

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fevereiro 8, 2011 em 10:11 pm

Vejo muitas fábulas sobre a Igreja sendo espalhada por aí, mas essa aí realmente me deixa com um pé atrás… A julgar a atitude que vemos por parte de algumas pessoas dentro da Igreja, não se pode duvidar de todo.

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Aline Michele

fevereiro 8, 2011 em 10:54 pm

Nossa Senhora já avisou que a apostasia viria do cume…

Israel TL

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fevereiro 9, 2011 em 1:24 am

Se prelados brasileiros de ontem e de hoje forem acrescentados a esta lista, caro Christiano, teremos umas belas surpresas e algumas páginas a mais. Meu diagnóstico: a abolição do ANATEMA SIT no Código de Direito Canônico, assinado por JP II, serviu de incentivo e sensação de impunidade a quem já tendia à pouca vergonha. É curioso o fato que depois do dia 28 de Outubro de 1958 alguns temas tão graves (satanismo, maçonaria, comunismo, etc) simplesmente sumiram de toda e qualquer pauta da alta hierarquia. Eu não acho que o Satanás está de férias e talvez algo mais dele tenha entrado na Igreja além de sua sulfúrica fumaça.

Pe. João Clemente Santiago

fevereiro 9, 2011 em 7:52 am

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Caríssimo Ricardo, creio que seja uma montagem qualquer usada pelo Tornielli. Creio que sequer se trata da capela Paulina. Um abraço.


fevereiro 9, 2011 em 8:12 am

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Para os descrentes de que o inacreditável pode acontecer de fato.

Aristóteles dizia, em outras palavras que é verossímil que a realidade se dê de maneira inverossímil.

O que está a margem da probabilidade produz-se, de tal maneira que também é provável, mas não em absoluto. A razão disso reside no fato de que o inverossímil também ocorre e, por isso, o próprio inverossímil também é verossímil, dentro de certos limites.

Conforme os tempos correm, vemos que certos fatos, antes apenas classificados como possíveis e/ou inacreditáveis, tornam-se prováveis e/ou possíveis.

Este é um tema que bole com a fé: o golpe de mestre de Satanás seria colocar um ovo de serpente no coração mesmo da Igreja.

O atordoamento brumoso que a “piedade” atual faz na inteligência do fiel, instilada pela neo-catolicidade, faz com que os olhos do coração se fechem.

Aqui & Agora o que antes era classificado como anátema e heresia, agora é abraçado com “sincero desejo de compreensão”, “mútuo entendimento e respeito”, “tolerância”, “caridade”, isto é, aquilo que era denunciado, corrigido ou expurgado é agora assimilado como – quando muito! – engano e desvio; merecendo todas as justificativas, razões, motivos e desculpas, o fiel flerta com o perigo de perder o juízo, dado os [tristes] exemplos que o sufocam.

Resumindo: o Demônio é ardiloso e fará tudo para, por inveja, fazer perder as almas nos abismos. Entre as artimanhas, nada mais natural do que cooptar adeptos dentro da própria Alta Hirarquia, e lá fazer, na alma de cada um, penetrar a sua sulfurosa fumaça pestífera, contaminando, de chofre, o cerne da Igreja.
Marcus Moreira Lassance Pimenta

fevereiro 9, 2011 em 1:09 pm

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Depois que o anatema sit saiu de férias o satan começou a trabalhar mais e mais.

Crisóstomo

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fevereiro 9, 2011 em 2:41 pm

Concordo com o Pe. João Clemente Santiago e o Marcus.

Vejam o que diz a MARIE-JULIE JAHENNY, ESTIGMATIZADA DE LA FRAUDAIS (+1941) nesse trabalho do prof. Fernando M. Gomide.

(…)
Mas ela aponta as causas de tal castigo: a apostasia na Igreja. Ela profetiza aquilo dito por Paulo VI em 1968 e 1969, respectivamente a “auto-demolição da Igreja” e a entrada “da fumaça de Satanás dentro da Igreja”. Eis seus oráculos:

“A Igreja será um sepulcro, um túmulo de silêncio e abandono… Preparai-vos a assistir aos funerais da Igreja, aos funerais do Calvário… Preparai-vos a assistir aos funerais da Sé do Centro, que treme sobre o abismo. Preparai-vos a assistir aos funerais daquele que é o sustentáculo da Igreja, daquele que tem em Seu poder todas as luzes pela sua autoridade de Santo Padre”.

“Ai dos pastores que abandonam o rebanho… Os discípulos que não são do Evangelho estarão em grandes trabalhos para refazer a seu talante e sob o empreendimento do inimigo, uma missa que encerrará palavras odiosas a Meu olhar”.

“Antes que chegue Meu reino de paz e ressurreição, é mister que Satã reine em plenitude, como um soberano”.

Acrescenta isto sobre a Igreja:

“Ela será entregue a todos os escândalos, a todas as profanações… o projeto dos inimigos da Igreja nesses dias, será elevar um grande barulho de suas vozes que saem de instrumentos que falam, esses instrumentos manejados pelos homens sujeitos ao poder do inferno. Serão espécies de músicas acompanhadas do canto mais ignóbil”.
(…)



Saturday, 5 February 2011

KROHN 1982: LOS EXAMES PSIQUIATRICOS


Los psiquiatras portugueses determinarán si el sacerdote Fernández Krohn sufre un desdoblamiento de personalidad

La suspensión del juicio ha provocado en Portugal sorpresa y alivio

Las lesiones mentales que podría sufrir Juan Fernández Krohn, el sacerdote español que protagonizó un atentado frustrado contra el Papa, se sitúan, según los especialistas, en el grupo de las enfermedades que los psiquiatras denominan esquizofrenias, caracterizadas por un desdoblamiento patológico de la personalidad de quien las sufre. La suspensión del juicio contra él, hasta que sea sometido a un examen psiquiátrico, causó ayer en Portugal alivio y sorpresa. Alivio, porque crecía el sentimiento de que la frialdad y la pasión mostradas al mismo tiempo por el supuesto agresor del papa Juan Pablo II podían tener un origen patológico en el acusado y determinar su procesamiento en condiciones de inferioridad manifiesta.

La suspensión causó al mismo tiempo sorpresa, porque la vista del juicio no despejó ni uno solo de los interrogantes que se ciernen sobre este extraño episodio, que ha conmovido la tranquilidad de un país como Portugal. Lo más pasmoso de este proceso es que nadie, ni los policías portugueses ni la escolta papal, ha podido demostrar que Juan Fernández Krohn empuñara la bayoneta con la que él repite obsesivamente que intentó atravesar el corazón del Papa "para vengar el honor de la Virgen de Fátima".

De lo sucedido en el santuario mariano en la noche del 12 de mayo de 1982 existen numerosos fotogramas, cintas de vídeo, película, que han recorrido todas las redacciones y televisiones del mundo, pero hasta el momento, en ninguna fotografía ha quedado impresionada la imagen del supuesto agresor con el arma homicida en la mano. Si existe prueba de ello, el tribunal comarcal de Vilanova de Ourem no la ha recibido, desde luego.

Por otra parte, no resulta explicable que sin existir la prueba decisiva, el acusado detalle incluso con gestos los movimientos con los que asegura que blandió la bayoneta, las estratagemas utilizadas por él para esquivar a la escolta del Papa y, todavía más, aporte al tribunal minuciosos datos sobre cómo, dónde y a quién compró la bayoneta, o asegure que ya en el mes de enero de 1982 se juró a sí mismo en la localidad italiana de Asís eliminar al Papa polaco con una espada.

Con una memoria prodigiosa, no desprovista de algunos extraños fallos, Juan Fernández Krohn reconstruyó ante el juez la mayor parte de las piezas del rompecabezas de los hechos, cargó sobre sí la responsabilidad del intento de asesinato, pero, pese a sus esfuerzos desesperados por inculparse, no consiguió suministrar la prueba decisiva. Sus autoconfesiones, según la legislación portuguesa, no pueden provocar el que sea condenado.

Sobre esta base, todos los observadores destacan que hay motivos más que suficientes para estimar como justa la suspensión del juicio decretada por los jueces de Vilanova de Ourem. En un gesto donde, al entender de todos, primó por encima de cualquier otra consideración la humanidad y la sensatez del tribunal, el acusado no regresará al banquillo en tanto los psiquiatras observen su conducta y dictaminen si la salud mental de Juan Fernández Krohn le permite comparecer nuevamente ante los jueces o, más bien, le convierte en objeto de cuidados médicos, para paliar una presumible dolencia de desdoblamiento de personalidad.

Episodios escalofriantes

En ocasiones, este desdoblamiento es tan agudo, que una y otra personalidad, adoptadas alternativamente por el mismo sujeto, se inhiben mutuamente tanto que todo aquello que se realiza bajo la presencia de la primera personalidad es completamente ignorado y olvidado por el mismo sujeto cuando permanece bajo el influjo de la segunda.Entre algunos enfermos por esta dolencia psíquica se han registrado algunos de los episodios más escalofriantes de la historia de la criminología. Sin embargo, según los expertos, no parece que Juan Fernández Krohn pueda ser adscrito a este tipo de afecciones mentales de un modo rotundo. Casi todos los especialistas creen que puede darse un conjunto de factores patológicos, entre los que destacan, junto a la esquizofrenia, la psicosis, la paranoia y algunas formas depresivas que se suelen ver revestidas por manifestaciones místico-religiosas.

El enfermo que padece alguna de estas dolencias o buena parte de ellas no puede ser reo de condena alguna, y su vida interior y exterior se caracteriza por un sufrimiento profundo, que hoy, con el desarrollo de la psiquiatría puede ser paliado ampliamente.

Lo conmovedor de la vista del juicio es la trabazón de los argumentos expuestos por Juan Fernández Krohn para inculparse del todo en unos hechos no probados. Con un rechazo categórico a toda posibilidad de exculparse, que tanto el fiscal como su abogado y como los testimonios de los testigos le brindaron repetidamente, insistió una y otra vez en su determinación nítida de eliminar al Papa.

No omitió referencias bíblicas, como cuando recordó que no utilizaba armas de fuego en Fátima porque para él las pistolas eran como Agar fue para, Rebeca, ni escatológicas citas latinas sobre versículos del Apocalipsis de San Juan, lo cual revistió sus manifestaciones de un carácter misterioso, indescifrable.

Nadie en Portugal cree que el juicio contra Juan Fernández Krohn se reanude en alguna ocasión. Volverlo a abrir puede implicar meses, incluso años. Pero, sobre todo, la magnitud de lo que pudo haber sucedido, y el escándalo que implicaría el que realmente no se persiguiera el móvil que el acusado asegura haber perseguido, convierte este episodio en algo especialmente molesto y digno de ser olvidado.

http://www.elpais.com/articulo/internacional/JUAN_PABLO_II/FERNANDEZ_KROHN/_JUAN/PORTUGAL/psiquiatras/portugueses/determinaran/sacerdote/Fernandez/Krohn/sufre/desdoblamiento/personalidad/elpepiint/19821022elpepiint_5/Tes

FATHER CEKADA'S GUIDELINES ON MASS ATTENDANCE


Why Do Good Priests Leave Bad Impressions?


What kind of impression do we traditional priests allow people to get when they come to one of our Mass centers for the first time? Do these newcomers feel they've been encouraged to return? To help answer the question, let's construct a little scenario.

Imagine that you're a young Catholic layman with a wife and two small children. You're upset with the goings-on over at the local parish, St. Teilhard's. Almost everything there contradicts what you know is Catholic teaching. Liturgical practices run from the fuzzy and the bland to the wild and zoo-like. You've had enough.

You see an ad for the traditional Latin Mass. The bishop of the diocese has denounced the traditional Mass folks as renegades and non-Catholics. But (you figure) the bishop wouldn't know a real Catholic if one bit him on the nose.

You get up early on Sunday - the Mass center is half an hour away - pack your somewhat skeptical wife, your antsy six-year old and your rambunctious toddler into the car and head off.

You wander into the chapel and take a seat at the back. A dour-looking gentlemen appears with a little lace doily, thrusts it at your wife, and says "Here!"

Mass was scheduled for 9:00 AM. It starts fifteen minutes late. Father, it seems, was finishing up confessions.

Mass begins. You're impressed with the quiet reverence of the rite, but can't figure out what's going on.
Father goes to the pulpit. A whole series of announcements follow. Father reads a lengthy and hard-to-follow statement about who is forbidden to receive Communion - something about doubtful baptism, invalid marriages and the Novus Ordo (whatever that is).

He then gives a sermon castigating "liberal parents" for not sending their children to his school, and reads out everyone generally for not giving enough financial support to his school. What a sermon!

At least you thought it was the sermon. The Epistle and Gospel then follow in English. After this Father launches into a 25-minute denunciation of the Novus Ordo (There's that weird phrase again!) and the pope (I thought he was a good guy!), replete with pulpit-pounding and dire threats that anyone associated with either will probably go straight to hell.

Father stops dead halfway through all this and casts a withering stare in your direction. Your restless toddler, it seems, has been making noise. Your wife shamefacedly hushes the child.

At long last, Father winds up his 45 minutes of pulpit time and returns to the altar. You're impressed with the way the Mass proceeds - until Communion time, that is.

You receive Communion, but Father stops at your wife. "You're improperly dressed," he snaps, "and I'm not giving you Communion."

This mystifies you. She's wearing baggy slacks and a high-necked, sleeveless blouse - compared to the way the women dress over at St. Teilhard's, your wife is dressed like Queen Victoria.

She slinks away from the communion rail.

When Father finally leaves the altar it's 10:40 AM - one hour and forty minutes after Mass was scheduled to begin. (Later you learn that this was only Low Mass - and wonder how long the ominously-named High Mass would take.)

You head out in hopes of catching the priest to ask him a few questions. Too bad, the usher says, Father is already off to say Mass somewhere else.

You look for something to explain what went on. In the pamphlet rack, all you find are a couple of old novena books.

Most of the people ignore you - but not everyone. One lady latches on to you. After some brief preliminaries she warns you that the priest is really a monster. She is joined by another woman who tries to be very helpful about explaining the situation in the Church after Vatican II. Something about flying saucers, and how the pope is really a robot controlled by a computer in Brussels named "666." She learned this, she confides, when she was held captive by David Rockefeller in the dungeon of the Chase Manhattan Bank.
"Speaking of which," you say with a wan smile as you and your wife edge sideways towards the door, "Time for us to 'chase' off to breakfast."
. . . . .
It would be nice to tell you that I've invented the foregoing horrors merely to make a point. Alas, I've either perpetrated them myself at various points in my priestly life, or allowed them to go on at Mass centers I've served - though mercifully (I hope!) not all on the same day.

We priests who say the traditional Mass often conduct our ministry without giving too much thought to the "unconverted" - lay Catholics who are profoundly dissatisfied with the new religion, but who are still trying to figure out what to do in the practical order. These souls may hear about a traditional Mass in their area and decide to check it out. They probably know that the Conciliar establishment considers us renegades. It's a big step for them to walk in the door of a traditional chapel on a Sunday morning. When they do, it may be our only chance to convince them. If these newcomers receive a bad impression the first time around (that we are insular, weird, a clique, etc.), the chances are, short of an extraordinary miracle of divine grace, that we will never see them again. How might we improve this first impression?

As a first step, traditional priests ought to look at what goes on in their chapels from the perspective of someone who is coming to the traditional Mass for the first time.

In our scenario, is it likely that the hapless father of two would return? Hardly. While he started out well-disposed toward the traditional Catholic faith and has made what he considered a considerable sacrifice to investigate matters, just about everything he encountered militates against him proceeding further. The lay people he encounters are rude or weird. He's received no information about what's going on. Odd rules with unfamiliar terms are announced. The operation seems poorly organized. The announcements and sermon are windy tirades. The priest humiliates the man's wife and children. And the whole thing goes on forever. Everything, in short, is like a giant arrow pointing the poor layman and his family back to St. Teilhard's.
These specific difficulties represent failures in communication, good manners, common sense and charity. The priest in charge of a Mass center neglects to provide a potential "convert" with proper information, or allows him to be treated like a leper when he shows up.

Here are some practical suggestions to avoid this problem.

1. Instruct your ushers on how to be polite and considerate to new people.

The first traditional Catholic the newcomer will encounter may be an usher. Make sure the usher knows he's supposed to be helpful, polite and diplomatic to newcomers. He's not supposed to stand around doing nothing, like a cigar-store Indian. Nor on the other hand should he act like the East German Grenzschutz patrolling the Death Strip.

When newcomers arrive, the usher should give them booklets with the Ordinary of the Mass, and give ladies chapel veils. He should conduct newcomers to places where they won't feel too conspicuous. (Imagine coming to the traditional Mass for the first time and winding up in the first pew at High Mass. Even some people who've been with us for years can't figure out when to stand, sit and kneel.)

If a lady arrives dressed improperly, the usher should know how to deal with the situation diplomatically. For borderline cases, you may want to have the usher discreetly lead newcomers to the choir loft or cry room.
After Mass, the usher should keep an eye out for new people and direct them to the social area.

2. Start Sunday Mass on time.

One feature of normal parish life is that the priest emerges from the sacristy on time. A Mass scheduled for 8:45 AM should begin at 8:45 AM. Some parishes before Vatican II even had mechanical sacristy chimes which sounded automatically when services were to begin.

While circumstances beyond your control may occasionally force you to begin Mass a bit late (a delayed flight, missing altar boys, etc.), don't make it a habit. Starting Sunday Mass at the appointed hour is an act of consideration toward those layman who arrived on time, and is a good example to those inclined to be late. An egregiously late start will leave the newcomer with the impression that you are disorganized.

3. Avoid protracted pulpit announcements.

These needlessly stretch out the length of Sunday Mass. Announcements are not supposed to be mini-sermons, so limit yourself to a few brief comments on one or two events of particular importance, and then refer people to your bulletin. If nothing truly significant is going on during the coming week, don't bother to make announcements, other than the one directed toward newcomers. (See below.)

4. Provide first-time visitors with a pamphlet containing Communion and dress code rules.

Rather than reading a complex set of Communion and dress code rules at announcement time, prepare a simple and politely-worded pamphlet containing all the requisite information. Have copies in the pews, and ask newcomers to read it.

5. If you occasionally do parish mailings, have visitor cards in the pews.

Some first-timers may not be willing to register as members right away, but would like more information. Consider providing a visitor card where they can give you their name and address without actually joining the church. Put one box on the card for them to check if they'd like more information, and another if they'd like an appointment to visit with the priest. Put them on your church mailing list so they can be kept apprised of various church activities. If they don't come back right away, a parish mailing at a later date may get them thinking.

6. Give a free information packet to newcomers.

This should include a short and simple pamphlet on the differences between the traditional Mass and the New Mass, and (if possible) another pamphlet on the effects of Vatican II. Other items could be added: a guide for using the Missal, a booklet with the Ordinary of the Mass, a pamphlet on how to say the Rosary, an inexpensive rosary, an examination of conscience form, holy cards, and various devotional pamphlets.

7. Stock a selection of good Catholic reading material.

Ideally, every traditional chapel, even a small one, should have a book and religious goods table of some sort. A selection of standard books on the spiritual life, Church history and Catholic doctrine should be kept in stock, as well as vernacular missals, devotional manuals and religious items. Longer works on the post-Vatican II crisis and the New Mass, and various traditional Catholic periodicals should be prominently displayed so that a newcomer can educate himself on the issues.

Don't forget to check the table periodically to insure that someone hasn't put out objectionable literature potential converts would find bizarre. (The flying saucer lady may have written a pamphlet on her visit to the Chase Manhattan.)

8. Every Sunday make at standard announcement welcoming new people.

This idea may sound a bit corny. But remember that the traditional Mass is a completely different world from what the newcomer normally experiences on a Sunday. You should try to make him feel a bit at home.
My standard announcement runs something like this:

"If you're new at St. __________'s, we welcome you to the traditional Latin Mass.
"In the pews you'll find a pamphlet explaining our communion rules. Please take the time to read them over before you receive Holy Communion.
"Also in the pews is a Visitor's Card. You may want to use this to give us your name and address so we can put you on our mailing list. We send out a letter periodically to apprise people of our church activities. There are also boxes you can check if you'd like to receive further information, or if you'd like an appointment to speak with a priest.
"If, however, you'd like to register as a member of St. __________'s, there are special cards available for that purpose in the vestibule.
"Also available free of charge to newcomers is a little information packet which explains the differences between the traditional Latin Mass celebrated here at St. __________'s and the New Mass celebrated in your parishes. Please pick one up in the vestibule or at the book table.
"We have a fine selection of Catholic literature available at our book table.
"Coffee, doughnuts and snacks are also available in the church social hall downstairs after all Masses. We invite you to stop by.
"If you have any questions, please don't hesitate to speak with me after Mass."
It may seem like a lot, but once you've got it down, you can make the announcement rather quickly.

9. When preparing a sermon, remember that there may be newcomers in the congregation.

The easiest types of sermons to give are doom-and-gloom harangues, foaming-at-the-mouth anti-Novus Ordo diatribes, or tirades against other traditional groups. Preaching this way requires little or no preparation, since about all you need do is lock on the target du jour and rave till you run out of steam.

Some traditional priests have been feeding their congregations a steady diet of this thin and bitter gruel every week for years. This disedifies newcomers and cheats the old-timers. Far better to present a good mix of topics: the lives of the saints, exposition of Catholic doctrines, ascetical practices, the sacraments, liturgical texts, etc. These are subjects people in the Novus Ordo hear precious little about.

When you decide to preach a sermon pointing out (as you should) some evil of the new religion, be particularly careful in your preparation. Get your facts straight (obviously), and try to make an argument which will strike people as objective. This will be far more convincing to the "unconverted" or skeptical among your hearers than a string of buzzwords and bromides indignantly shouted with quaking voice.

10. Keep your sermons short.

Good, effective writing, all the style manuals say, is ninety percent editing. Over the course of two millennia, several thousand books have been written on any standard sermon topic you choose. Don't weary the people by trying to give it all to them in an interminable sermon. Unless you're another Lacordaire or a Fulton Sheen, twelve to fifteen minutes should be long enough on an average Sunday.

Choose two or three clearly-formulated points, tell a story, give the people something specific about each point, sum up, and quit. "Be bright, be brief, and be gone," my old rhetoric professor used to say. "And if God hasn't given you the gift of being bright, at least be brief and be gone." If you're a windbag, you will irritate newcomers and put your regulars to sleep.

11. Don't single out someone for public correction unless his conduct is not only improper, but also obstinate.

The wailing baby during the sermon is the classic case. Usually parents are considerate and will remove the child. Sometimes, though, this won't dawn on them right away - after all, Mom and Dad are used to the crying. A new couple, moreover, may be the ones whose child has the lung capacity of the Hindenburg. If you get angry, you may lose them.

Parents may get the hint if Father pauses in his sermon and, with a confused look on his face, eyes his sermon notes as if he's lost his place. If you proceed and the problem still continues, try to find a diplomatic way to phrase the second hint.

If the ushers have done their job and if new people have a pamphlet containing the rules for receiving Holy Communion, you'll have few problems at the communion rail. The occasional woman who shows up for the first time in slacks, but is dressed modestly otherwise, should probably not be turned away. She hardly seems to qualify as one of the indigni to whom the sacraments must always be refused; chances are, she is not of bad will, and just wasn't paying attention.

Some traditional priests like to conduct lengthy interrogations at the communion rail. I've never seen this recommended in any moral theology book, and I never remember a priest doing it at even one of the countless Masses I served before Vatican II. If this sort of thing is your cup of tea, it may be better to have the ushers interrogate people as they're coming in before Mass.

12. Have coffee and snacks available after Sunday Masses.

Few of our parishioners live near our Mass centers. They appreciate something to eat and drink before they begin their trip home, especially if they have a platoon of hungry children in tow. In most places, moreover, the only occasion our people have to socialize with fellow traditional Catholics is after Sunday Mass. If you have coffee and snacks available, you'll be able to build up some parish spirit and offer newcomers an opportunity to meet other Catholics.

13. Assign some well-spoken parishioners to seek out newcomers.

In every traditional chapel, you can always find people who are not only knowledgeable and highly articulate about the traditional movement, but also very outgoing and sociable. Ask them to look for new people after Mass, make them feel at home, and discuss thing with them. This prevents the parish troublemaker or the local seer and mystic from pouncing on the hapless newcomer.
Assigning someone to the task of explaining things to new people will also allow you some time after Mass to make a short thanksgiving and then go immediately to the social area so you can.

14. Make a point of speaking personally after Mass to any newcomers.

This initial contact with the priest may make all the difference between a newcomer returning to the traditional Mass or staying away. If you, the priest, engage newcomers in conversation, they can ask questions. In a few minutes after Sunday Mass, you can put some of their fears to rest, and explain in a simple way what traditional Catholics are doing and why it's right. Make a point of inviting newcomers to phone you or come it for a chat if they should have further questions.
. . . . .
The foregoing list is not exhaustive by any means. Some suggestions may belabor the obvious, and not all of them may be feasible or even useful in every traditional chapel. They are, in any event, the product of much trial and error over the years.

We traditional priests sometimes feel we can win converts solely by appealing to intellects. But when people first come to the traditional Mass, they may not be ready for cold logic right away - Non in dialectica complacuit Deo salvum facere populum suum, St. Ambrose reminds us. If, when newcomers arrive for the first time, we treat them with consideration, good manners, common sense and charity, we stand an excellent chance of seeing them again.

(Sacerdotium 11, Spring 1994).


PRINCESA MARIA ADELAIDE DE BRAGANÇA


NO PASSADO DIA 31 DE JANEIRO COMPLETOU 99 ANOS UMA GRANDE DE PORTUGAL

As mais extraordinárias obras são por vezes desconhecidas da imensa maioria, para quem apenas é notícia aquilo que a imprensa entende divulgar. As obras de assistência social são hoje geralmente aceites como da atribuição desse ente que flutua acima das nossas mortais consciências e que se convenciona denominar como Estado. Esta mirífica entidade do éter, é afinal a soma de todos os portugueses e esta é uma clara verdade que não queremos reconhecer, devido ao muito luso e atávico costume do desinteresse pela coisa pública. Esquecemos facilmente associações beneméritas – algumas velhas de séculos – e que preencheram o imenso vazio que as mentalidades de outrora votavam a de dezenas de gerações que permaneceram na desafortunada base da pirâmide social.

Outra injustiça a apontar, consistirá sem dúvida, no progressivo e intencional desprestigiar de termos que encontram a sua razão mais profunda naquilo que de essencial deverá ter o cristianismo que conformou a Europa que conseguimos ser: a Caridade, hoje olhada como princípio anacrónico nos países do Sul, mas que noutras paragens onde o desenvolvimento humano é a essencial condição para a paz social, consiste num elo fundamental da educação geral, cobrindo intransponíveis lacunas e erguendo bem alto, a verdadeira solidariedade que se traduz num trabalho permanente e sempre no sentido da formação das gentes. Deverá ser essa então, a grande função de uma Igreja que se ainda impressiona pelo aparato de Te Deums e de cerimoniais herdados de milenares e já desaparecidas civilizações, encontra a sua quase exclusiva razão de ser na protecção, resgate e emancipação dos mais desprotegidos.

Ao longo da nossa História, muitas foram as personalidades que se interessaram verdadeiramente pelo outro, sem que isso obedecesse às normais e aceites regras impostas pelo preceituado social vigente. Quantas vezes anonimamente dedicaram as suas vidas a quem menos podia, enfrentando a mofa e o preconceito, removendo colossais escolhos para a prossecução de uma obra e crendo num futuro melhor e mais justo?

Dª Maria Adelaide de Bragança é um destes exemplos desconhecidos para a imensa maioria dos portugueses. Residente na Outra Banda, em Murfacém (Trafaria), tem um percurso de vida que no século XX português só pode encontrar paralelo na grandiosa obra benemérita – e também na maior parte das vezes no mais rigoroso anonimato – da rainha D. Amélia.

Nasceu a 31 de janeiro de 1912, em S. Jean de Luz (França), quando a Lei do Banimento impedia a presença de membros da Casa de Bragança em solo português. Viveu a juventude na Áustria, trabalhando como assistente social e enfermeira. Durante a II Guerra Mundial percorria a cidade durante os bombardeamentos nocturnos, prestando o auxílio às vítimas. Membro do subterrâneo movimento de resistência anti-nazi, foi detida e condenada à morte, pelo tribunal fortemente controlado pela Gestapo e apenas a intervenção de Salazar junto de Berlim, permitiu a sua libertação, sob a protecção do Estado português, alegando a sua condição de Património Nacional. Imediatamente deportada para Suíça, ali permaneceu junto do seu exilado irmão D. Duarte Nuno, Duque de Bragança.

Casada com o médico holandês Nicolaas van Uden, estabeleceu-se em Portugal em 1949 e iniciou a sua actividade de âmbito social na zona da Trafaria e Monte de Caparica. Dedicou-se à protecção às crianças das áreas degradas, recolhendo-as sob os auspícios da Fundação D. Nuno Álvares Pereira (em Porto Brandão), à qual presidia. Durante anos criticou desassombradamente a 2ª República pelo seu pendor repressivo e pelo caótico estado de pobreza a que votava uma grande parte da população portuguesa. Era uma visita bem conhecida dos mercados, onde sempre podia contar com o precioso auxílio das vendedoras de géneros que jamais regateavam aqueles bens essenciais à subsistência dos numerosos protegidos da Infanta.

Ainda vive e aos 99 anos permanece num rigoroso anonimato, mas sempre interessada no dever para com o próximo e no abnegado cumprimento da missão entre nós pioneiramente iniciada pela sua madrinha de baptismo, a Rainha Dª Amélia.

Nas memórias de Álvaro Lins, o embaixador do Brasil em Lisboa, para sempre ficou conhecida como a Infanta Vermelha. Dª Adelaide bem merece ser considerada como uma Grande de Portugal.

Nuno Castelo-Branco



Ontem, por ocasião duma pequena entrevista para o próximo número do Correio Real, desloquei-me com o nosso ilustre presidente João Mattos e Silva à outra banda onde tivemos o privilégio de privar por umas horas com uma verdadeira Princesa, tão ou mais encantada que as dos romances e do cinema: falo de D. Maria Adelaide de Bragança, infanta de Portugal, que por insólita conjugação de duas paternidades muito tardias e da sua provecta idade, é hoje uma neta viva do rei D. Miguel, esse mesmo do absolutismo e do tradicionalismo, da guerra civil de 1828 – 1834.

D. Maria Adelaide nasceu em 1912 no exílio, em St. Jean de Luz, cresceu e viveu na Áustria aventuras e desventuras de pasmar: habitando no olho do furacão, após a I Grande Guerra coabitou com os ocupantes comunistas da quinta em que vivia, dos quais recorda dos seus esbeltos cavalos e boinas vermelhas. Mais tarde, durante a ocupação nazi, foi presa pela Gestapo por várias semanas em Viena onde como enfermeira se juntara à resistência e acudia os feridos entre bombardeamentos. Foi nestas correrias e aflições que veio conhecer um estudante de medicina de seu nome Nicolaas van Uden com quem casou.

Regressada a Portugal em 1948 após a revogação da lei do banimento, a Infanta veio residir perto da Trafaria, onde criou a Fundação D. Nuno Álvares Pereira, instituição de apoio a mães pobres em fim de gravidez e crianças abandonadas, dedicando fervorosamente a sua vida aos mais desfavorecidos.

Longe das fugazes ribaltas e feiras de vaidades, a Senhora D. Maria Adelaide, afilhada de baptismo de D. Amélia e D. Manuel II, além de constituir um precioso testemunho vivo, directo e indirecto, da História dos últimos duzentos anos, é um verdadeiro exemplo de profunda Nobreza aliada a uma invulgar bravura e irreverência.

João Távora

(Fonte: Blogue da Real Associação de Lisboa)

Dona Maria Adelaide Manuela Amélia Micaela Rafaela de Bragança

(Leiam a mais recente entrevista a Dona Adelaide nas páginas 8 e 9 do Correio Real nº 2)

Publicada por Real Associação Beira Litoral em 00:10

Sábado, 5 de Fevereiro de 2011


Tuesday, 1 February 2011

DON DAVID PAGLIARIANI NO SA SE LE CAMERE A GAS SIANO EXISTITE

ALFRED DELP SJ RESISTENTE NAZI

Grandes heróis para todos os tempos: Alfred Delp, SJ (1907-1945)



Alfred Delp era um membro alemão da Companhia de Jesus, que foi executado por sua resistência ao regime nazista.

Alfred Delp nasceu em Mannheim, Alemanha, de uma mãe católica e pai protestante. Apesar de católico batizado, ele depois se tornou um luterano. Aos 14 anos ele deixou a igreja luterana e recebeu os sacramentos da Primeira Eucaristia e da Confirmação como católico. Em sua vida adulta Delp foi um fervoroso promotor de melhores relações entre as igrejas.

Delp juntou-se aos jesuítas em 1926. Nos próximos 10 anos, ele continuou seus estudos e trabalhou com os jovens alemães, apesar disto ter-se tornado difícil a partir de 1933 com a interferência do regime nazista. Delp foi ordenado sacerdote em 1937.

Impedido de continuar seus estudos por razões políticas Delp trabalhou na equipe editorial da publicação jesuíta Stimmen der Zeit (A Voz dos Tempos), até que foi suprimido em 1941. Ele então foi designado como pároco da Igreja de St. Georg, em Munique. Delp secretamente usou sua posição para ajudar os judeus a fugir para a Suíça.

Preocupados com o futuro da Alemanha, Delp se juntou ao círculo Kreisau, um grupo que trabalhou para criar uma nova ordem social. Ele foi preso com outros membros do círculo após a tentativa de assassinato de Hitler em 1944. Depois de sofrer tratamento e torturas brutais, Delp foi levado a julgamento. Apesar de não saber nada sobre a tentativa de assassinato, a Gestapo decidiu enforcá-lo por alta traição.

A Delp foi oferecida a liberdade se ele renunciasse os jesuítas. Ele se recusou e foi enforcado em 02 de fevereiro de 1945. Seu corpo foi cremado e suas cinzas, espalhadas em um campo desconhecido.
Alfred Delp deixou cartas enviadas da prisão. Elas revelam um homem de coragem que disse ao capelão da prisão que o acompanhou até sua morte: "Em meia hora, eu saberei mais do que você."



Câmara da prisão de Plötzensee, onde a sentença de morte a
Delp pelo Tribunal do Povo foi executada, em 1945

Monday, 31 January 2011

NOVOS CAMINHOS PARA FÁTIMA A PÉ ESTÃO SER ESTUDADOS


Novos caminhos para os peregrinos se deslocarem a pé a Fátima estão a ser estudados, com o objetivo de criar itinerários mais silenciosos e seguros, anunciou hoje o Movimento da Mensagem de Fátima (MMF).

O presidente do secretariado nacional do MMF, Fragoso do Mar, disse que há muitos percursos efectuados pelos peregrinos a pé que cruzam vias de comunicação movimentadas que não contemplam espaços para peões, além de que outros se deslocam a pé para o santuário durante a noite.

"O que se pretende é ajudar os peregrinos na sua caminhada de forma a terem menos riscos e que o façam em silêncio, no espírito da peregrinação", disse à Lusa o padre Manuel Antunes do MMF, no final do encontro de guias de peregrinos a pé, que decorreu em Fátima.

Explicando que o estudo, que inclui caminhos a partir do norte e do sul do país, ainda está numa fase embrionária, Fragoso do Mar afirmou que o projecto deverá contar com o "envolvimento e empenhamento" das autarquias.

por LusaOntem


Sunday, 30 January 2011

MORE GERMAN CLOISTERS CLOSING

 
The Fate of the Abbey Remains Uncertain: More German Cloisters Closing
 
The cloister was founded in order to inform the soul of the way to life. Will their walls receive the dark consecration to serve the cult of the body?

(kreuz.net) It is unclear if the Abbey Michealsberg can continue as the spiritual center of the city of Siegburg. The Bonn paper, the 'General-Anzeiger' said on January 26th.

Only one thing is sure: the monks must leave the cloister after 946years. The one or the other of them apparently had the interest to align themselves with the Steyler Missionaries.

According to the paper investors for hotels or wellness-spas have been contacted.

A speaker for the Archdiocese of Cologne explained, however, that an ecclesiastical use of the people "will have the highest priority".

An important date is 5. April.

Then a summit meeting will take place about the future of the Abbey.

The participants: members of the Archdiocese, the Abbey and of the Benedictine Order as well as the city Dean Peter Weiffen, the business office of the Abbey and the Siegburger Mayor.

Included, the Abbey swept the fate of the Redemptorist-Cloister in Hennef-Geistingen.

There the condominums are in place. The landmark cloister church will become a convocation hall for corporate events and similar affairs.

A similar fate awaits the once famous Dominican Friary of Walberg in Bornheim.

It was purchased two years ago by the company 'Summit Partners' from Cologne for five million Euros.

Now there is a restaurant, a Catholic kindergarten and homes for the employees of the amusement park.

The 'General-Anzeiger' cited the Cologne Realestate-Firm 'Pro Secur', that specializes in the purchasing of ecclesiastical properties.

The firm has been buying cloisters for about twenty years.

"Presently the company has had a series of closing cloisters in offer" -- says the 'General-Anzeiger'":

The friary of the Dominicans of Neusatzeck with 89 rooms in northern Black Forest was sold for 2,5 Million Euro.

Currently for sale is also the idyllic Cloister of Maria Engelportder Hünfelder Oblates nearby the associated municipalities of Treis-Karden-Rheinland-Pfalz for 2.25 Million Euros or the Cloister "St. Joseph House" in Sunder in Sauerland for 800.000 Euro.

These properties are highly prized by hotels and culinary establishments.

Sunday, January 30, 2011


Monday, 24 January 2011

SEM ABRIGO NO PAVILHÃO DA AJUDA


No primeiro dia passaram pelo pavilhão 26 pessoas. Algumas recorreram aos técnicos para encontrar um abrigo, mas a maioria queria apenas um aquecedor e uma sopa. Apenas quatro pessoas aceitaram ser reencaminhadas para abrigos (Foto: Rui Gaudêncio)

Carlos, de 61 anos, dorme na rua, em Santa Apolónia, e Albertina, de 68, vive numa casa, na Graça, com as limitações que a doença de que padece lhe impõe. Ontem cruzaram-se no Pavilhão Desportivo da Ajuda, em Lisboa, onde desfrutaram de uma refeição quente e pelo menos por umas horas deixaram para trás o frio que os tem perseguido nos últimos dias.

"Durmo em Santa Apolónia há um ano e tal mas estou a ver se mudo de situação", conta Carlos, de ombros encolhidos num impermeável azul escuro. "Estava na pesca e tudo falhou. É assim, é a lei da vida", acrescenta com alguma resignação, sempre de olhos postos na porta do pavilhão que a Câmara de Lisboa disponibilizou para receber a população de rua nesta vaga de frio.

E aquilo que Carlos procura é, tão simplesmente, uma oportunidade para sair da rua. Ontem, e daí a expectativa deste homem de 61 anos, essa oportunidade parecia ter chegado, com a promessa de que já nessa noite ia dormir numa cama, debaixo de um tecto, num abrigo do Exército de Salvação.

A solução foi proporcionada pelos técnicos da Câmara de Lisboa e da Santa Casa da Misericórdia, que desde anteontem estão no Pavilhão Desportivo da Ajuda para atender a população sem-abrigo e ajudar a encontrar respostas para os seus problemas. Neste espaço, como sublinha o vereador da Acção Social, Manuel Brito, foram criados pequenos gabinetes para atender com privacidade quem ali se dirige.

Roupas e um banho

No pavilhão, que o vereador explica que continuará de portas abertas 24 horas por dia enquanto se mantiverem as temperaturas baixas, servem-se refeições, distribuem-se roupas e agasalhos, e também se pode tomar banho. Mas o objectivo principal, sintetiza a directora do departamento de Acção Social da autarquia, Sónia Ramos, é mesmo disponibilizar um espaço quente a quem passa as noites na rua.

Anteontem passaram pela Ajuda, pelo seu pé ou trazidas por carrinhas de instituições que trabalham com a população sem-abrigo, 26 pessoas, mas só quatro foram reencaminhadas para abrigos. As restantes não quiseram usufruir dessa possibilidade, mas não dispensaram uma refeição cozinhada na tenda da Cruz Vermelha Portuguesa e algumas horas abrigadas do frio.

Sentada numa cadeira de plástico branco, com gorro, cachecol e casaco vestido, Albertina passou a tarde de ontem no pavilhão, encostada a um dos vários aquecedores espalhados pelo espaço. "Estava em casa e vim para aqui ver se comia uma sopinha porque sou epiléptica e não posso usar o fogão", conta, enquanto lê O Amigo dos Leprosos, uma revista que trouxe da igreja onde foi assistir à missa.

Ontem à tarde havia muitos técnicos mas apenas quatro utentes na Ajuda. Um lia, outro via televisão com uma manta nas pernas e dois estavam simplesmente ali, longe dos sete graus que se faziam sentir nas ruas de Lisboa.



Friday, 21 January 2011

EXTRADIÇÃO DE RENATO


                                     "Mãe, preciso muito de ti, preciso muito de ti".

                                               (Ver notícia completa no Jornal SOL)

                                                     PRECISA DE NÓS TAMBÉM!

                                                                   Petição Pública

Fez asneira. Acabou com a vida de uma pessoa. Ninguém tem o direito de matar. No entanto, quem o conhece sabe que, numa situação de estado mental normal, o Renato não faria o que fez. Sob extrema pressão, algo fez despoletar uma crise que o levou a cometer aquele acto horrível que todos conhecemos e que a comunicação social não se cansa de expor...

Se tomarmos atenção a certos pormenores, mesmo no terrível dia do crime, e todo este processo demorado, toda esta "guarda" médica que o mantém detido no Hospital são sinais claros de que o Renato precisa de ajuda. Por Justiça, deve ser-lhe dada uma pena pelo que fez. Por caridade para com uma pessoa jovem, sem quaisquer antecedentes de rebeldia e violência e, neste momento, altamente vulnerável, deve ser proporcionada ajuda adequada, nomeadamente no que respeita à sua saúde mental.

É evidente que o seu estado mental não é dos melhores. Não está são. Se estivesse, não estaria há tantos dias sem alta do corpo médico do Hospital onde se encontra.

Está doente. Doente mental. Não, a doença mental não é - já foi! - aquele bicho que faz as pessoas serem "malucas", que devem ser quase que enjauladas, que fazia as pessoas verem os doentes mentais como "possuídos por demónios", perigosas, que devem ser afastadas e isoladas da sociedade.

É certo que determinados doentes mentais são perigosos. Mas para isso são tratados. Em sítios onde possam estar controlados e viver com alguma "normalidade"...

Mas... qual é o dever DE QUALQUER PESSOA para com os doentes? Seja para com os doentes mentais, com doentes oncológicos, terminais, seja para com doentes cardíacos ou apenas para com partiu uma perna? Não precisam TODOS ELES da nossa ajuda?

Agora....será que um jovem consegue superar e até tratar esta perturbação numa prisão norte-americana, longe da sua terra, dos seus costumes, da sua família?

É assim que queremos ajudar uma pessoa doente? Que sofre neste momento, não só por ter percebido a monstruosidade que fez, num momento de insanidade, mas por se ver nas condições em que se encontra e pensando no futuro que vai ter (ou não...)?

É assim que tratamos um filho da nossa terra?

Mesmo que seja condenado a prisão perpétua pela morte do cronista Carlos Castro, o Renato poderá vir a cumprir pena em Portugal. O país já recebeu portugueses a quem os Estados Unidos ditaram tal sentença, reduzindo-a para 20 e poucos anos.

Seria também uma forma de atenuar o sofrimento da familia. Nenhuma mãe deve estar separada do seu filho. Um cidadão português não deve estar preso longe do seu país e dos seus costumes.

Esperamos que no próximo dia 1 de Fevereiro, pelo menos 12 elementos do júri decidam que não existem provas suficiente para julgamento. Caso não aconteça, solicitemos às autoridades competentes a extradição do Renato para o seu país de origem e aqui cumprir justa pena.

(Trecho final do post adaptado do texto que faz parte da Petição Pública)

Se concorda, por caridade, assine a petição, clique aqui.

E mais uma vez peço orações por ele.

Virgem Santíssima, Refúgio dos Pecadores, rogai por nós!



Wednesday, 19 January 2011

A MINHA MÃE NÃO!



http://combate.blogspot.com/2007/06/solidariedade-com-o-prof-antnio-balbino.html

Quarta-feira, Novembro 17, 2004  

A minha mãe, não!
Este post é escrito pela minha irmã. Deveria ser eu a falar sobre o assunto, mas não quero exceder o tom mantido neste blogue. Aguento esse tom sob os olhos e o coração dela - que é o de todas as mães.
 
Chama-se Maria Arsénio Balbino. Nasceu nos Capuchos, junto a Alcobaça. Filha de pais simples, mas com uma formação humana e moral ímpar. Aluna brilhante, por preconceito da família, não seguiu para a Universidade. Formou-se a contragosto professora do ensino primário.

Mas nunca trabalhou contravontade. Exerceu a sua profissão com zelo, afinco e entrega. Foi professora durante 42 anos, durante os quais deu um total de... 12 faltas. Era exigente e severa, mas nunca desistiu de nenhum aluno.
Recorda um que recebeu já com duas reprovações na 1ª classe; com ela, passou os quatro anos, seguiu em frente e acabou por se licenciar. Ao longo da sua vida profissional, trabalhou milhares de horas para além do seu horário: aulas extraordinárias na escola e, quando isso já não era possível, ensinava em casa os alunos mais fracos, com dificuldades, sempre gratuitamente.
Foi adjunta da delegação escolar, onde para além do seu horário normal, fazia uma infindável “escrita”, que eu não percebia o que era; foi directora por várias vezes, quando o cargo era pouco apetecido porque acrescentado ao trabalho normal do professor, sem ganhar nada mais por isso. Nunca fez disso caso, era coisa tida por ela como “natural”.

Foi catequista durante outros 40 anos. Serviu a sua comunidade exemplarmente.Dela sempre recebi as sentenças mais duras. E acertadas. “Foste seleccionada para a prova de natação; mas não podes ir, não podes faltar à catequese”; “Não queres ficar a manhã sozinha em casa, mas não podes ir para a minha sala. Não é permitido. Ficas no átrio até à hora das tuas aulas à tarde, és aluna desta escola; assim não há problema”.Ela é a pessoa mais bem formada e mais imparcial que conheço. Nunca perdeu tempo a ensinar-me, mas perdeu muito a educar-me: “Nunca se mente”; “A julgar qualquer situação, devemos ser rectos como o sol”; “Antes quero ficar prejudicada nas minhas contas, do que ficar com um tostão que não é meu”.
“Nunca nos pomos à frente dos outros, para ninguém nos dizer «chegue-se lá para trás»”. Ensinou-me a nunca deixar de falar a ninguém; a ser correcta mesmo quando não são correctos para nós; a perdoar. A minha mãe sempre se continuou a relacionar e até estimar pessoas que lhe causaram danos na sua vida. Dir-me-ão que me ensinou tudo ao contrário. Eu continuo a pensar que me ensinou tudo certo.

Ela nunca seguiu uma pessoa, uma ideologia, um partido. Foi antes sempre fiel à sua identidade primeira: ser cristã. Nunca a vi com um dilema moral; simplesmente actuava sem hesitações segundo os seus princípios da justiça e da honestidade, mesmo que se prejudicasse ou incomodasse alguém com a sua decisão.

Há poucos anos atrás, foi-lhe diagnosticado um cancro. Com a promessa de ser operada dali a mês, mês e meio. Passaram quatro meses. Pessoas conhecidas a quem foi diagnosticado depois, foram operadas antes dela. O irmão da sua afilhada era médico nesse hospital. Mas ela explicava: “Não vou pedir a ninguém para ser operada mais cedo. Não ficava bem com a minha consciência ao passar à frente de pessoas eventualmente com casos mais graves. Seja o que Deus quiser”.

É uma mulher sábia. Antes do 25 de Abril chamava “velho de má pêlo” a Salazar que “para poupar nem a auto-estrada de Lisboa-Porto acabou”. Mas depois, sentenciou que “não vai ser julgado nenhum PIDE, sabem demais”. Com efeito, só numa noite “fugiram” 89, como sabemos. Em casos recentes, desde o princípio, diz ela: “escusam de estar, não se iludam, só lá fica o Bibi... nunca vi nenhum grande ser apanhado neste País”.

Pela sua experiência e perspicácia, sabe tudo sobre este Estado, onde se libertam suspeitos dos piores crimes e, agora, se perseguem pessoas de bem.

Mas nem ela podia prever o que se viria a passar...
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada...”


Foi esta mulher, de 78 anos de que vos falo, que no dia 27 de Outubro último, às 7:00 horas, antes de clarear o dia, estremunhada, atende à porta. Em camisa de dormir. Devia ser um dos filhos, talvez algum dos netos se tivesse esquecido ali de um livro da escola. Era a Polícia Judiciária, com um mandado de busca a sua casa. Que não, esclarece ela, o filho António já não morava ali desde há 11 anos, quando se casou. Mas quem dirige a operação bem o sabe. À mesma hora, estavam em casa do filho, um procurador e outros dois inspectores; na casa dele o encontraram. Ainda assim, prosseguiram as buscas a casa da mãe, revistando-a. Era então por causa de um blog na Internet, em que o seu filho escreve, “às vezes, ferem-se certas susceptibilidades”, justificam. Era ali o quarto do filho? “Não é o quarto de hóspedes, onde os meus netos dormem quando cá ficam”. E o computador, que ela tinha comprado em 1993, para os filhos, que ali viviam quando solteiros, sem ligação à Internet? Foi-lhe apreendido (!!) embora ela não seja suspeita nem arguida de coisa nenhuma. E não sabe quando, e se, lho devolverão.

Recebeu muitos telefonemas e expressões de solidariedade. Dos verdadeiros amigos, boquiabertos, indignados. Ela pouco se queixou, lamenta mais o susto dos netos: “a busca à minha casa estava no mandado, mas o carro da minha nora... e com as crianças lá dentro?!!! Os miúdos ainda perguntam se aqueles homens vão voltar outra vez!”.

Há uns dias atrás, recebeu uma carta do Ministério Público. Foi lá hoje, candidamente, julgando que tinha que ver com uma tentativa de assalto, há uns meses, com uma faca apontada. Que nada! Esse caso não deve ter prioridade. Foi outra vez INTERROGADA sobre o gravíssimo crime de que é suspeito o filho, que tem 40 anos e reside em casa própria há onze. E de que crime é suspeito o seu filho? Abusou de alguma criança, foi corrupto, traficante de droga, responsável por falência fraudulenta? NÃO! Simplesmente, não se cala. É suspeito do “crime” de não actuar como animal amestrado, de rejeitar baixar a cerviz à corrupção do sistema, da sua natureza neutralizar as injecções de anestesia que vamos recebendo todos nós, povo anónimo.
A minha mãe foi toda a sua vida uma rocha de integridade, um modelo de honestidade e serviço. Seria bom que todos os agentes da justiça, incluindo aqueles que comandaram e autorizaram esta operação, tivessem pelo menos metade da sua honestidade, da sua rectidão, do seu zelo profissional. Não posso conformar-me com isto que se passou. Chateiem os filhos, intimidem-nos, procurando amestrá-los. Mas a minha mãe, não! Deixem-na fora disto.

A ela não lhe farão nenhuma estátua, não darão o seu nome a nenhuma rua. Mas nas estradas do meu coração, a avenida larga da dignidade, da rectidão e da inteireza moral tem o seu nome. Ao contrário de arguidos famosos, não se levantará a voz de nenhum líder partidário, de nenhum bispo, de nenhum “bastonário da ordem dos professores” ou “defensor” dos direitos humanos. Não é preciso. Ela não necessita de defesa.Quem a defende é a sua vida impoluta.
Talvez não da injustiça dos homens.

Mas inteiramente perante as instâncias que importam.

Perante os amigos. Perante a família. Perante si mesma. Perante Deus.

Repito. A minha mãe, não!


Ana Maria Caldeira

Alcobaça, 16 de Novembro de 2004
Publicado por Antonio Balbino Caldeira às 02:12