Saturday, 5 February 2011

PRINCESA MARIA ADELAIDE DE BRAGANÇA


NO PASSADO DIA 31 DE JANEIRO COMPLETOU 99 ANOS UMA GRANDE DE PORTUGAL

As mais extraordinárias obras são por vezes desconhecidas da imensa maioria, para quem apenas é notícia aquilo que a imprensa entende divulgar. As obras de assistência social são hoje geralmente aceites como da atribuição desse ente que flutua acima das nossas mortais consciências e que se convenciona denominar como Estado. Esta mirífica entidade do éter, é afinal a soma de todos os portugueses e esta é uma clara verdade que não queremos reconhecer, devido ao muito luso e atávico costume do desinteresse pela coisa pública. Esquecemos facilmente associações beneméritas – algumas velhas de séculos – e que preencheram o imenso vazio que as mentalidades de outrora votavam a de dezenas de gerações que permaneceram na desafortunada base da pirâmide social.

Outra injustiça a apontar, consistirá sem dúvida, no progressivo e intencional desprestigiar de termos que encontram a sua razão mais profunda naquilo que de essencial deverá ter o cristianismo que conformou a Europa que conseguimos ser: a Caridade, hoje olhada como princípio anacrónico nos países do Sul, mas que noutras paragens onde o desenvolvimento humano é a essencial condição para a paz social, consiste num elo fundamental da educação geral, cobrindo intransponíveis lacunas e erguendo bem alto, a verdadeira solidariedade que se traduz num trabalho permanente e sempre no sentido da formação das gentes. Deverá ser essa então, a grande função de uma Igreja que se ainda impressiona pelo aparato de Te Deums e de cerimoniais herdados de milenares e já desaparecidas civilizações, encontra a sua quase exclusiva razão de ser na protecção, resgate e emancipação dos mais desprotegidos.

Ao longo da nossa História, muitas foram as personalidades que se interessaram verdadeiramente pelo outro, sem que isso obedecesse às normais e aceites regras impostas pelo preceituado social vigente. Quantas vezes anonimamente dedicaram as suas vidas a quem menos podia, enfrentando a mofa e o preconceito, removendo colossais escolhos para a prossecução de uma obra e crendo num futuro melhor e mais justo?

Dª Maria Adelaide de Bragança é um destes exemplos desconhecidos para a imensa maioria dos portugueses. Residente na Outra Banda, em Murfacém (Trafaria), tem um percurso de vida que no século XX português só pode encontrar paralelo na grandiosa obra benemérita – e também na maior parte das vezes no mais rigoroso anonimato – da rainha D. Amélia.

Nasceu a 31 de janeiro de 1912, em S. Jean de Luz (França), quando a Lei do Banimento impedia a presença de membros da Casa de Bragança em solo português. Viveu a juventude na Áustria, trabalhando como assistente social e enfermeira. Durante a II Guerra Mundial percorria a cidade durante os bombardeamentos nocturnos, prestando o auxílio às vítimas. Membro do subterrâneo movimento de resistência anti-nazi, foi detida e condenada à morte, pelo tribunal fortemente controlado pela Gestapo e apenas a intervenção de Salazar junto de Berlim, permitiu a sua libertação, sob a protecção do Estado português, alegando a sua condição de Património Nacional. Imediatamente deportada para Suíça, ali permaneceu junto do seu exilado irmão D. Duarte Nuno, Duque de Bragança.

Casada com o médico holandês Nicolaas van Uden, estabeleceu-se em Portugal em 1949 e iniciou a sua actividade de âmbito social na zona da Trafaria e Monte de Caparica. Dedicou-se à protecção às crianças das áreas degradas, recolhendo-as sob os auspícios da Fundação D. Nuno Álvares Pereira (em Porto Brandão), à qual presidia. Durante anos criticou desassombradamente a 2ª República pelo seu pendor repressivo e pelo caótico estado de pobreza a que votava uma grande parte da população portuguesa. Era uma visita bem conhecida dos mercados, onde sempre podia contar com o precioso auxílio das vendedoras de géneros que jamais regateavam aqueles bens essenciais à subsistência dos numerosos protegidos da Infanta.

Ainda vive e aos 99 anos permanece num rigoroso anonimato, mas sempre interessada no dever para com o próximo e no abnegado cumprimento da missão entre nós pioneiramente iniciada pela sua madrinha de baptismo, a Rainha Dª Amélia.

Nas memórias de Álvaro Lins, o embaixador do Brasil em Lisboa, para sempre ficou conhecida como a Infanta Vermelha. Dª Adelaide bem merece ser considerada como uma Grande de Portugal.

Nuno Castelo-Branco



Ontem, por ocasião duma pequena entrevista para o próximo número do Correio Real, desloquei-me com o nosso ilustre presidente João Mattos e Silva à outra banda onde tivemos o privilégio de privar por umas horas com uma verdadeira Princesa, tão ou mais encantada que as dos romances e do cinema: falo de D. Maria Adelaide de Bragança, infanta de Portugal, que por insólita conjugação de duas paternidades muito tardias e da sua provecta idade, é hoje uma neta viva do rei D. Miguel, esse mesmo do absolutismo e do tradicionalismo, da guerra civil de 1828 – 1834.

D. Maria Adelaide nasceu em 1912 no exílio, em St. Jean de Luz, cresceu e viveu na Áustria aventuras e desventuras de pasmar: habitando no olho do furacão, após a I Grande Guerra coabitou com os ocupantes comunistas da quinta em que vivia, dos quais recorda dos seus esbeltos cavalos e boinas vermelhas. Mais tarde, durante a ocupação nazi, foi presa pela Gestapo por várias semanas em Viena onde como enfermeira se juntara à resistência e acudia os feridos entre bombardeamentos. Foi nestas correrias e aflições que veio conhecer um estudante de medicina de seu nome Nicolaas van Uden com quem casou.

Regressada a Portugal em 1948 após a revogação da lei do banimento, a Infanta veio residir perto da Trafaria, onde criou a Fundação D. Nuno Álvares Pereira, instituição de apoio a mães pobres em fim de gravidez e crianças abandonadas, dedicando fervorosamente a sua vida aos mais desfavorecidos.

Longe das fugazes ribaltas e feiras de vaidades, a Senhora D. Maria Adelaide, afilhada de baptismo de D. Amélia e D. Manuel II, além de constituir um precioso testemunho vivo, directo e indirecto, da História dos últimos duzentos anos, é um verdadeiro exemplo de profunda Nobreza aliada a uma invulgar bravura e irreverência.

João Távora

(Fonte: Blogue da Real Associação de Lisboa)

Dona Maria Adelaide Manuela Amélia Micaela Rafaela de Bragança

(Leiam a mais recente entrevista a Dona Adelaide nas páginas 8 e 9 do Correio Real nº 2)

Publicada por Real Associação Beira Litoral em 00:10

Sábado, 5 de Fevereiro de 2011


Tuesday, 1 February 2011

DON DAVID PAGLIARIANI NO SA SE LE CAMERE A GAS SIANO EXISTITE

ALFRED DELP SJ RESISTENTE NAZI

Grandes heróis para todos os tempos: Alfred Delp, SJ (1907-1945)



Alfred Delp era um membro alemão da Companhia de Jesus, que foi executado por sua resistência ao regime nazista.

Alfred Delp nasceu em Mannheim, Alemanha, de uma mãe católica e pai protestante. Apesar de católico batizado, ele depois se tornou um luterano. Aos 14 anos ele deixou a igreja luterana e recebeu os sacramentos da Primeira Eucaristia e da Confirmação como católico. Em sua vida adulta Delp foi um fervoroso promotor de melhores relações entre as igrejas.

Delp juntou-se aos jesuítas em 1926. Nos próximos 10 anos, ele continuou seus estudos e trabalhou com os jovens alemães, apesar disto ter-se tornado difícil a partir de 1933 com a interferência do regime nazista. Delp foi ordenado sacerdote em 1937.

Impedido de continuar seus estudos por razões políticas Delp trabalhou na equipe editorial da publicação jesuíta Stimmen der Zeit (A Voz dos Tempos), até que foi suprimido em 1941. Ele então foi designado como pároco da Igreja de St. Georg, em Munique. Delp secretamente usou sua posição para ajudar os judeus a fugir para a Suíça.

Preocupados com o futuro da Alemanha, Delp se juntou ao círculo Kreisau, um grupo que trabalhou para criar uma nova ordem social. Ele foi preso com outros membros do círculo após a tentativa de assassinato de Hitler em 1944. Depois de sofrer tratamento e torturas brutais, Delp foi levado a julgamento. Apesar de não saber nada sobre a tentativa de assassinato, a Gestapo decidiu enforcá-lo por alta traição.

A Delp foi oferecida a liberdade se ele renunciasse os jesuítas. Ele se recusou e foi enforcado em 02 de fevereiro de 1945. Seu corpo foi cremado e suas cinzas, espalhadas em um campo desconhecido.
Alfred Delp deixou cartas enviadas da prisão. Elas revelam um homem de coragem que disse ao capelão da prisão que o acompanhou até sua morte: "Em meia hora, eu saberei mais do que você."



Câmara da prisão de Plötzensee, onde a sentença de morte a
Delp pelo Tribunal do Povo foi executada, em 1945

Monday, 31 January 2011

NOVOS CAMINHOS PARA FÁTIMA A PÉ ESTÃO SER ESTUDADOS


Novos caminhos para os peregrinos se deslocarem a pé a Fátima estão a ser estudados, com o objetivo de criar itinerários mais silenciosos e seguros, anunciou hoje o Movimento da Mensagem de Fátima (MMF).

O presidente do secretariado nacional do MMF, Fragoso do Mar, disse que há muitos percursos efectuados pelos peregrinos a pé que cruzam vias de comunicação movimentadas que não contemplam espaços para peões, além de que outros se deslocam a pé para o santuário durante a noite.

"O que se pretende é ajudar os peregrinos na sua caminhada de forma a terem menos riscos e que o façam em silêncio, no espírito da peregrinação", disse à Lusa o padre Manuel Antunes do MMF, no final do encontro de guias de peregrinos a pé, que decorreu em Fátima.

Explicando que o estudo, que inclui caminhos a partir do norte e do sul do país, ainda está numa fase embrionária, Fragoso do Mar afirmou que o projecto deverá contar com o "envolvimento e empenhamento" das autarquias.

por LusaOntem


Sunday, 30 January 2011

MORE GERMAN CLOISTERS CLOSING

 
The Fate of the Abbey Remains Uncertain: More German Cloisters Closing
 
The cloister was founded in order to inform the soul of the way to life. Will their walls receive the dark consecration to serve the cult of the body?

(kreuz.net) It is unclear if the Abbey Michealsberg can continue as the spiritual center of the city of Siegburg. The Bonn paper, the 'General-Anzeiger' said on January 26th.

Only one thing is sure: the monks must leave the cloister after 946years. The one or the other of them apparently had the interest to align themselves with the Steyler Missionaries.

According to the paper investors for hotels or wellness-spas have been contacted.

A speaker for the Archdiocese of Cologne explained, however, that an ecclesiastical use of the people "will have the highest priority".

An important date is 5. April.

Then a summit meeting will take place about the future of the Abbey.

The participants: members of the Archdiocese, the Abbey and of the Benedictine Order as well as the city Dean Peter Weiffen, the business office of the Abbey and the Siegburger Mayor.

Included, the Abbey swept the fate of the Redemptorist-Cloister in Hennef-Geistingen.

There the condominums are in place. The landmark cloister church will become a convocation hall for corporate events and similar affairs.

A similar fate awaits the once famous Dominican Friary of Walberg in Bornheim.

It was purchased two years ago by the company 'Summit Partners' from Cologne for five million Euros.

Now there is a restaurant, a Catholic kindergarten and homes for the employees of the amusement park.

The 'General-Anzeiger' cited the Cologne Realestate-Firm 'Pro Secur', that specializes in the purchasing of ecclesiastical properties.

The firm has been buying cloisters for about twenty years.

"Presently the company has had a series of closing cloisters in offer" -- says the 'General-Anzeiger'":

The friary of the Dominicans of Neusatzeck with 89 rooms in northern Black Forest was sold for 2,5 Million Euro.

Currently for sale is also the idyllic Cloister of Maria Engelportder Hünfelder Oblates nearby the associated municipalities of Treis-Karden-Rheinland-Pfalz for 2.25 Million Euros or the Cloister "St. Joseph House" in Sunder in Sauerland for 800.000 Euro.

These properties are highly prized by hotels and culinary establishments.

Sunday, January 30, 2011


Monday, 24 January 2011

SEM ABRIGO NO PAVILHÃO DA AJUDA


No primeiro dia passaram pelo pavilhão 26 pessoas. Algumas recorreram aos técnicos para encontrar um abrigo, mas a maioria queria apenas um aquecedor e uma sopa. Apenas quatro pessoas aceitaram ser reencaminhadas para abrigos (Foto: Rui Gaudêncio)

Carlos, de 61 anos, dorme na rua, em Santa Apolónia, e Albertina, de 68, vive numa casa, na Graça, com as limitações que a doença de que padece lhe impõe. Ontem cruzaram-se no Pavilhão Desportivo da Ajuda, em Lisboa, onde desfrutaram de uma refeição quente e pelo menos por umas horas deixaram para trás o frio que os tem perseguido nos últimos dias.

"Durmo em Santa Apolónia há um ano e tal mas estou a ver se mudo de situação", conta Carlos, de ombros encolhidos num impermeável azul escuro. "Estava na pesca e tudo falhou. É assim, é a lei da vida", acrescenta com alguma resignação, sempre de olhos postos na porta do pavilhão que a Câmara de Lisboa disponibilizou para receber a população de rua nesta vaga de frio.

E aquilo que Carlos procura é, tão simplesmente, uma oportunidade para sair da rua. Ontem, e daí a expectativa deste homem de 61 anos, essa oportunidade parecia ter chegado, com a promessa de que já nessa noite ia dormir numa cama, debaixo de um tecto, num abrigo do Exército de Salvação.

A solução foi proporcionada pelos técnicos da Câmara de Lisboa e da Santa Casa da Misericórdia, que desde anteontem estão no Pavilhão Desportivo da Ajuda para atender a população sem-abrigo e ajudar a encontrar respostas para os seus problemas. Neste espaço, como sublinha o vereador da Acção Social, Manuel Brito, foram criados pequenos gabinetes para atender com privacidade quem ali se dirige.

Roupas e um banho

No pavilhão, que o vereador explica que continuará de portas abertas 24 horas por dia enquanto se mantiverem as temperaturas baixas, servem-se refeições, distribuem-se roupas e agasalhos, e também se pode tomar banho. Mas o objectivo principal, sintetiza a directora do departamento de Acção Social da autarquia, Sónia Ramos, é mesmo disponibilizar um espaço quente a quem passa as noites na rua.

Anteontem passaram pela Ajuda, pelo seu pé ou trazidas por carrinhas de instituições que trabalham com a população sem-abrigo, 26 pessoas, mas só quatro foram reencaminhadas para abrigos. As restantes não quiseram usufruir dessa possibilidade, mas não dispensaram uma refeição cozinhada na tenda da Cruz Vermelha Portuguesa e algumas horas abrigadas do frio.

Sentada numa cadeira de plástico branco, com gorro, cachecol e casaco vestido, Albertina passou a tarde de ontem no pavilhão, encostada a um dos vários aquecedores espalhados pelo espaço. "Estava em casa e vim para aqui ver se comia uma sopinha porque sou epiléptica e não posso usar o fogão", conta, enquanto lê O Amigo dos Leprosos, uma revista que trouxe da igreja onde foi assistir à missa.

Ontem à tarde havia muitos técnicos mas apenas quatro utentes na Ajuda. Um lia, outro via televisão com uma manta nas pernas e dois estavam simplesmente ali, longe dos sete graus que se faziam sentir nas ruas de Lisboa.



Friday, 21 January 2011

EXTRADIÇÃO DE RENATO


                                     "Mãe, preciso muito de ti, preciso muito de ti".

                                               (Ver notícia completa no Jornal SOL)

                                                     PRECISA DE NÓS TAMBÉM!

                                                                   Petição Pública

Fez asneira. Acabou com a vida de uma pessoa. Ninguém tem o direito de matar. No entanto, quem o conhece sabe que, numa situação de estado mental normal, o Renato não faria o que fez. Sob extrema pressão, algo fez despoletar uma crise que o levou a cometer aquele acto horrível que todos conhecemos e que a comunicação social não se cansa de expor...

Se tomarmos atenção a certos pormenores, mesmo no terrível dia do crime, e todo este processo demorado, toda esta "guarda" médica que o mantém detido no Hospital são sinais claros de que o Renato precisa de ajuda. Por Justiça, deve ser-lhe dada uma pena pelo que fez. Por caridade para com uma pessoa jovem, sem quaisquer antecedentes de rebeldia e violência e, neste momento, altamente vulnerável, deve ser proporcionada ajuda adequada, nomeadamente no que respeita à sua saúde mental.

É evidente que o seu estado mental não é dos melhores. Não está são. Se estivesse, não estaria há tantos dias sem alta do corpo médico do Hospital onde se encontra.

Está doente. Doente mental. Não, a doença mental não é - já foi! - aquele bicho que faz as pessoas serem "malucas", que devem ser quase que enjauladas, que fazia as pessoas verem os doentes mentais como "possuídos por demónios", perigosas, que devem ser afastadas e isoladas da sociedade.

É certo que determinados doentes mentais são perigosos. Mas para isso são tratados. Em sítios onde possam estar controlados e viver com alguma "normalidade"...

Mas... qual é o dever DE QUALQUER PESSOA para com os doentes? Seja para com os doentes mentais, com doentes oncológicos, terminais, seja para com doentes cardíacos ou apenas para com partiu uma perna? Não precisam TODOS ELES da nossa ajuda?

Agora....será que um jovem consegue superar e até tratar esta perturbação numa prisão norte-americana, longe da sua terra, dos seus costumes, da sua família?

É assim que queremos ajudar uma pessoa doente? Que sofre neste momento, não só por ter percebido a monstruosidade que fez, num momento de insanidade, mas por se ver nas condições em que se encontra e pensando no futuro que vai ter (ou não...)?

É assim que tratamos um filho da nossa terra?

Mesmo que seja condenado a prisão perpétua pela morte do cronista Carlos Castro, o Renato poderá vir a cumprir pena em Portugal. O país já recebeu portugueses a quem os Estados Unidos ditaram tal sentença, reduzindo-a para 20 e poucos anos.

Seria também uma forma de atenuar o sofrimento da familia. Nenhuma mãe deve estar separada do seu filho. Um cidadão português não deve estar preso longe do seu país e dos seus costumes.

Esperamos que no próximo dia 1 de Fevereiro, pelo menos 12 elementos do júri decidam que não existem provas suficiente para julgamento. Caso não aconteça, solicitemos às autoridades competentes a extradição do Renato para o seu país de origem e aqui cumprir justa pena.

(Trecho final do post adaptado do texto que faz parte da Petição Pública)

Se concorda, por caridade, assine a petição, clique aqui.

E mais uma vez peço orações por ele.

Virgem Santíssima, Refúgio dos Pecadores, rogai por nós!



Wednesday, 19 January 2011

A MINHA MÃE NÃO!



http://combate.blogspot.com/2007/06/solidariedade-com-o-prof-antnio-balbino.html

Quarta-feira, Novembro 17, 2004  

A minha mãe, não!
Este post é escrito pela minha irmã. Deveria ser eu a falar sobre o assunto, mas não quero exceder o tom mantido neste blogue. Aguento esse tom sob os olhos e o coração dela - que é o de todas as mães.
 
Chama-se Maria Arsénio Balbino. Nasceu nos Capuchos, junto a Alcobaça. Filha de pais simples, mas com uma formação humana e moral ímpar. Aluna brilhante, por preconceito da família, não seguiu para a Universidade. Formou-se a contragosto professora do ensino primário.

Mas nunca trabalhou contravontade. Exerceu a sua profissão com zelo, afinco e entrega. Foi professora durante 42 anos, durante os quais deu um total de... 12 faltas. Era exigente e severa, mas nunca desistiu de nenhum aluno.
Recorda um que recebeu já com duas reprovações na 1ª classe; com ela, passou os quatro anos, seguiu em frente e acabou por se licenciar. Ao longo da sua vida profissional, trabalhou milhares de horas para além do seu horário: aulas extraordinárias na escola e, quando isso já não era possível, ensinava em casa os alunos mais fracos, com dificuldades, sempre gratuitamente.
Foi adjunta da delegação escolar, onde para além do seu horário normal, fazia uma infindável “escrita”, que eu não percebia o que era; foi directora por várias vezes, quando o cargo era pouco apetecido porque acrescentado ao trabalho normal do professor, sem ganhar nada mais por isso. Nunca fez disso caso, era coisa tida por ela como “natural”.

Foi catequista durante outros 40 anos. Serviu a sua comunidade exemplarmente.Dela sempre recebi as sentenças mais duras. E acertadas. “Foste seleccionada para a prova de natação; mas não podes ir, não podes faltar à catequese”; “Não queres ficar a manhã sozinha em casa, mas não podes ir para a minha sala. Não é permitido. Ficas no átrio até à hora das tuas aulas à tarde, és aluna desta escola; assim não há problema”.Ela é a pessoa mais bem formada e mais imparcial que conheço. Nunca perdeu tempo a ensinar-me, mas perdeu muito a educar-me: “Nunca se mente”; “A julgar qualquer situação, devemos ser rectos como o sol”; “Antes quero ficar prejudicada nas minhas contas, do que ficar com um tostão que não é meu”.
“Nunca nos pomos à frente dos outros, para ninguém nos dizer «chegue-se lá para trás»”. Ensinou-me a nunca deixar de falar a ninguém; a ser correcta mesmo quando não são correctos para nós; a perdoar. A minha mãe sempre se continuou a relacionar e até estimar pessoas que lhe causaram danos na sua vida. Dir-me-ão que me ensinou tudo ao contrário. Eu continuo a pensar que me ensinou tudo certo.

Ela nunca seguiu uma pessoa, uma ideologia, um partido. Foi antes sempre fiel à sua identidade primeira: ser cristã. Nunca a vi com um dilema moral; simplesmente actuava sem hesitações segundo os seus princípios da justiça e da honestidade, mesmo que se prejudicasse ou incomodasse alguém com a sua decisão.

Há poucos anos atrás, foi-lhe diagnosticado um cancro. Com a promessa de ser operada dali a mês, mês e meio. Passaram quatro meses. Pessoas conhecidas a quem foi diagnosticado depois, foram operadas antes dela. O irmão da sua afilhada era médico nesse hospital. Mas ela explicava: “Não vou pedir a ninguém para ser operada mais cedo. Não ficava bem com a minha consciência ao passar à frente de pessoas eventualmente com casos mais graves. Seja o que Deus quiser”.

É uma mulher sábia. Antes do 25 de Abril chamava “velho de má pêlo” a Salazar que “para poupar nem a auto-estrada de Lisboa-Porto acabou”. Mas depois, sentenciou que “não vai ser julgado nenhum PIDE, sabem demais”. Com efeito, só numa noite “fugiram” 89, como sabemos. Em casos recentes, desde o princípio, diz ela: “escusam de estar, não se iludam, só lá fica o Bibi... nunca vi nenhum grande ser apanhado neste País”.

Pela sua experiência e perspicácia, sabe tudo sobre este Estado, onde se libertam suspeitos dos piores crimes e, agora, se perseguem pessoas de bem.

Mas nem ela podia prever o que se viria a passar...
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada...”


Foi esta mulher, de 78 anos de que vos falo, que no dia 27 de Outubro último, às 7:00 horas, antes de clarear o dia, estremunhada, atende à porta. Em camisa de dormir. Devia ser um dos filhos, talvez algum dos netos se tivesse esquecido ali de um livro da escola. Era a Polícia Judiciária, com um mandado de busca a sua casa. Que não, esclarece ela, o filho António já não morava ali desde há 11 anos, quando se casou. Mas quem dirige a operação bem o sabe. À mesma hora, estavam em casa do filho, um procurador e outros dois inspectores; na casa dele o encontraram. Ainda assim, prosseguiram as buscas a casa da mãe, revistando-a. Era então por causa de um blog na Internet, em que o seu filho escreve, “às vezes, ferem-se certas susceptibilidades”, justificam. Era ali o quarto do filho? “Não é o quarto de hóspedes, onde os meus netos dormem quando cá ficam”. E o computador, que ela tinha comprado em 1993, para os filhos, que ali viviam quando solteiros, sem ligação à Internet? Foi-lhe apreendido (!!) embora ela não seja suspeita nem arguida de coisa nenhuma. E não sabe quando, e se, lho devolverão.

Recebeu muitos telefonemas e expressões de solidariedade. Dos verdadeiros amigos, boquiabertos, indignados. Ela pouco se queixou, lamenta mais o susto dos netos: “a busca à minha casa estava no mandado, mas o carro da minha nora... e com as crianças lá dentro?!!! Os miúdos ainda perguntam se aqueles homens vão voltar outra vez!”.

Há uns dias atrás, recebeu uma carta do Ministério Público. Foi lá hoje, candidamente, julgando que tinha que ver com uma tentativa de assalto, há uns meses, com uma faca apontada. Que nada! Esse caso não deve ter prioridade. Foi outra vez INTERROGADA sobre o gravíssimo crime de que é suspeito o filho, que tem 40 anos e reside em casa própria há onze. E de que crime é suspeito o seu filho? Abusou de alguma criança, foi corrupto, traficante de droga, responsável por falência fraudulenta? NÃO! Simplesmente, não se cala. É suspeito do “crime” de não actuar como animal amestrado, de rejeitar baixar a cerviz à corrupção do sistema, da sua natureza neutralizar as injecções de anestesia que vamos recebendo todos nós, povo anónimo.
A minha mãe foi toda a sua vida uma rocha de integridade, um modelo de honestidade e serviço. Seria bom que todos os agentes da justiça, incluindo aqueles que comandaram e autorizaram esta operação, tivessem pelo menos metade da sua honestidade, da sua rectidão, do seu zelo profissional. Não posso conformar-me com isto que se passou. Chateiem os filhos, intimidem-nos, procurando amestrá-los. Mas a minha mãe, não! Deixem-na fora disto.

A ela não lhe farão nenhuma estátua, não darão o seu nome a nenhuma rua. Mas nas estradas do meu coração, a avenida larga da dignidade, da rectidão e da inteireza moral tem o seu nome. Ao contrário de arguidos famosos, não se levantará a voz de nenhum líder partidário, de nenhum bispo, de nenhum “bastonário da ordem dos professores” ou “defensor” dos direitos humanos. Não é preciso. Ela não necessita de defesa.Quem a defende é a sua vida impoluta.
Talvez não da injustiça dos homens.

Mas inteiramente perante as instâncias que importam.

Perante os amigos. Perante a família. Perante si mesma. Perante Deus.

Repito. A minha mãe, não!


Ana Maria Caldeira

Alcobaça, 16 de Novembro de 2004
Publicado por Antonio Balbino Caldeira às 02:12




Sunday, 16 January 2011

FAMÍLIAS A VIVER NA RUA

Sociedade

Famílias a viver na rua: Amor sem uma cabana

A realidade dos sem-abrigo está a mudar e há cada vez mais famílias inteiras a viver na rua

Clara e Paulo vivem com os três filhos numa carrinha velha, Carla e Cândido num terreno baldio

           
 Paulo e Clara vivem há oito meses numa carrinha Fiat emprestada pelo compadre. O espaço é dividido com os três filhos

                                                             Foto José Pedro Tomaz

Paulo e Clara vivem há oito meses numa carrinha Fiat emprestada pelo compadre. O espaço é dividido com os três filhos.Uma escavadora da Câmara Municipal de Lisboa destrói um barracão e arrasta uma família para a rua. A Patrícia, de olhos doces e redondos, tão pequenina nos seus dois anos. O Zé, que, aos seis anos, precisa de um sítio onde possa desenhar as primeiras letras. E o Mário, de nove, que tem problemas mentais por causa da "porrada que a avó lhe deu" com uma vara e um chinelo quando era bebé. "Éramos felizes, uma família, já não somos", lamenta Clara Antunes, a quem falta o apelido Manteiga porque "não há dinheiro para o casamento com o Paulo". Não fosse o compadre que mora numa esquina do Campo Grande, há oito meses que dormiam na rua. Felizmente, estava ali parada a sua velhinha carrinha Fiat, à espera. Do espaço com três metros quadrados fez-se um lar para cinco.

"Continuamos a almoçar e a jantar sempre juntos", orgulha-se Paulo, apontando para a carrinha que, de porta aberta, oferece um retrato dos dias desta família: um fogão, fotografias antigas, um colchão velho, alguns cobertores, brinquedos e um papel com a declaração "Amo-te, pai". Mas não é a mesma coisa. "Os meus filhos não são os mesmos, estão revoltados." Viviam no barracão há três anos, quatro anos depois de o casal se ter cruzado num café do Campo Grande. Ela pediu um café, ele serviu - a cena repetiu-se durante meses. "Tens namorado?", perguntou Paulo, enfim, um dia. "Não, não tenho". "Então, queres namorar comigo?" E a bomba explodiu: "Quero, se aceitares o meu filho." Clara já era mãe e Paulo não sabia.

A revelação foi um gatilho. Clara nasceu numa família de oito irmãos, estudou até aos 16 anos, mas ainda estava na quarta classe. Desistiu quando "a professora saiu da sala para atender um telefone" e lhe fizeram "coisas feias só porque era rapariga e gostava de usar mini-saias". O percurso de Paulo era semelhante: estudou até aos 18 anos, mas quando o pai e o irmão mais velho morreram com cirrose foi trabalhar para ajudar os oito irmãos. As duas existências de fúrias e naufrágios cruzaram-se e, um ano depois, nasceu o Zé.

Nenhum trabalha - recolhem cobre, latão e alumínio para vender no ferro-velho - mas recebem, tudo somado, 921,50 euros mensais do Estado. Garantem que não é suficiente. Como não pode faltar comida e escola, a casa ficou esquecida. Cada um fuma um maço e meio de tabaco por dia e Paulo já bebeu em excesso. Quando regressava ao barracão, a mulher calava-se, ele lançava--lhe um olhar raivoso, começava a insultá-la, as crianças aos berros e ele aos pontapés. Depois arrependia-se, e as zangas terminavam com um artifício de reconciliação, a promessa de deixar de beber e ser um homem de horas certas. "Isso acabou, só bebo um copo de vinho às refeições", garante com os braços da Patrícia enrolados nas suas pernas. "Só consegue adormecer agarrada a mim." A família candidatou-se a uma casa em 2006, em Julho deste ano chegou a resposta. Positiva. Estão à espera.

Casal sem filhos A noite transforma os sem-abrigo de um terreno baldio dos Anjos, em Lisboa, em figuras absurdas. Um homem com corpo de plasticina ginga em cima de duas muletas e um pelotão de ratazanas esfomeadas, de longas caudas e olhos amarelos, devora o milho atirado ao ar por uma prostituta velha de gargalhada ácida. É lá que Cândido Vieira, 35 anos, vive com Carla Ferreira. Cândido tem no corpo e no discurso um jeito que mistura o rigor militar com a vida de mulheres e ócio que reivindica. Mas deixou-se disso pela Carla. Declara-se apaixonado pela açoriana de 31 anos que chegou ao continente há menos de dois.

"Conhecemo-nos há um ano. Ela começou a entrar comigo e eu disse 'não sou a pessoa indicada para brincares', fiz-lhe uma cara...", começa Vieira, para Carla terminar: "Foi numa sexta-feira. Ele pegou em mim, beijou-me e fomos viver juntos logo depois." O encontro foi no Centro de Acolhimento de Xabregas, viveram em Coimbra alguns meses e chegaram aqui. São uns "privilegiados": no extremo do terreno que ocuparam há os restos de um armazém que oferece tecto e um muro que protege das ratazanas. É aí que penduram um cobertor cor-de-rosa para fazer deste buraco uma casa, onde guardam o sofá que serve de cama, o caixote que guarda roupa dobrada e o armário onde repousa um fogão, tachos e alguns temperos. "Ele cozinha muito bem, eu não sei fazer nada. Hoje o jantar estava de chorar por mais", elogia Carla. Cândido sorri e sem pressa descreve a ementa: "Foi um arrozinho branco a acompanhar uma mistura de tomate, alho francês, pimento, chocos e salmão com caril."

Este casal é parte integrante da nova realidade dos sem-abrigo em Lisboa, que se está a alterar com o aumento do número de famílias inteiras na rua, explica Ana Corte do Grupo Técnico da Rede Distrital de Lisboa. "Há um novo sem-abrigo, uma realidade diversa, como famílias na rua, que tende a aumentar e a agravar-se." Para a responsável, "combater esta nova realidade é o principal objectivo deste plano [Plano da Cidade para a Pessoa Sem Abrigo]". Quando à noite se deitam, Paulo abraça a namorada e adormecem. Não se lembram do que queriam ser quando eram crianças, mas todas as noites Cândido sonha com um emprego. "Gostava de ser cozinheiro."

Imigrantes Todos os domingos chegam, discretas, ao Parque das Nações carrinhas de vidros fumados, sem qualquer inscrição. Vêm cheias de imigrantes de Leste que pagam 140 euros pela viagem. Muitos vêm ter a este descampado no Areeiro, atrás dos antigos Cinemas Alfa. São 55 pessoas, quatro da Bulgária, os restantes da Roménia. Várias famílias de pele morena e olhos claros e brilhantes, em que não há velhos nem crianças. Os primeiros ficam a tomar conta dos segundos no país de origem; os outros correm atrás da promessa de um trabalho na apanha da azeitona que se desfaz à chegada.

É Decir, 14 anos, que conta tudo isto. Um adolescente romeno de voz grossa e cabeça rapada que parece não reparar que o fato de porta-voz lhe fica demasiado largo. "Já vim quatro vezes, fico uns meses e depois volto. Lá é muito pior." Decir fala de fome e falam também a Mariscka, o Mariano e a Maria. Fome, com todas as letras, é das poucas palavras que pronunciam em português. "Estamos cá a pedir, todos, mas alguns homens arranjam trabalho no mercado." Um dia a carregar caixotes de fruta no mercado vale cinco euros.

Não fosse a roupa colorida que usam e a comunidade seria imperceptível nesta paisagem cinzenta de estaleiro, onde não existe um único abrigo. Um jovem de pés tortos deita-se no chão e encosta-se a uma parede, para demonstrar como se protegem em dias de tempestade. Todos se riem e isso é o mais espantoso: a passividade. Não fogem da chuva porque não têm para onde ir. Como se o fim do caminho fosse ali.

Publicado em 21 de Setembro de 2009


SEM ABRIGO MORRE À PORTA DE CENTRO

Protestos

Sem-abrigo morre à porta de centro

Utentes de Xabregas acusam a direcção de prepotência e denunciaram o caso ao PGR. Centro não o nega.

Uma mulher idosa "bastante debilitada" entrou no Centro de Acolhimento de Xabregas numa sexta-feira à tarde para lá ficar o fim-de-semana. Dormiu e, no dia se- guinte, não entregou a chave do cadeado do armário como obriga o regulamento. Nessa noite, não foi autorizada a entrar e "dormiu à porta". "Foi encontrada morta. O INEM já nada pôde fazer."

A morte da mulher é denunciada pelos sem-abrigo antigos do Centro de Acolhimento de Xabregas (CAX), que garantem que aconteceu em 2010 e foi a gota de água que fez transbordar as queixas em relação à gestão de João Barros, em funções desde 2007.

"Um auxílio não se nega a ninguém. O caso foi abafado e não foram apuradas as responsabilidades", protesta Osvaldo Moleirinho, 53 anos, que frequenta o CAX há 12. É quem dá a cara pelos utentes mais antigos e que escreveu cartas para várias instituições públicas, nomeadamente a Câmara Municipal de Lisboa, a Segurança Social e a Procuradoria-Geral da República (PGR). "Acabei de receber uma carta do PGR a dizer que o caso está a ser investigado", informa.

O Centro de Acolhimento de Xabregas é entendido como uma solução de emergência e não uma residência. Logo, os sem-abrigo deixam os objectos pessoais num cacifo durante a noite e são obrigados a retirá-los no dia seguinte.

"O dr. João Barros implementou uma nova regra: todos os utentes que à saída se esqueçam de entregar a chave do cadeado do armário passam essa noite na rua", conta Osvaldo Moleirinho.

por CÉU NEVES

Wednesday, 12 January 2011

A MESSAGE FROM MEDJUGORJE

MEDJUGORJE: MIRACLE OF THE SUN

TEN SECRETS OF MEDJUGORJE FROM MIRJANA SOLDO

MIRJANA'S APPARITION IN MEDJUGORJE

ENTREVISTA AL PADRE JOSE FORTEA

Entrevista a José Antonio Fortea, párroco de Villalbilla y exorcista

Tortuga de las Tinieblas -

Jueves.27 de octubre de 2005 - 38744 visitas - 142 comentario(s)

Tele 5

ESTO SÍ QUE ES MIEDO

RODRIGO BLÁZQUEZ

José Antonio Fortea, párroco de Villalbilla (Madrid) y teólogo especializado en ‘demonología’, es una autoridad en la Iglesia Católica española para asuntos de exorcismos. Fortea lleva siete de sus 38 años “liberando” posesos por toda España. En estos días en los que el Vaticano ofrece cursos de exorcismo para sacerdotes con ganas de aprender, INFORMATIVOSTELECINCO.COM ha hablado con él.

José Antonio cursó sus estudios de Teología para el sacerdocio en la Universidad de Navarra. Se licenció en la especialidad de Historia de la Iglesia en la Facultad de Teología de Comillas. Pertenece al presbiterio de la diócesis de Alcalá de Henares (Madrid). En 1998, defendió su tesis de licenciatura ’El exorcismo en la época actual’ dirigida por el entonces secretario de la Comisión para la Doctrina de la Fe y actual número 2 de la Conferencia Episcopla, Juan Antonio Martínez Camino.

¿Existe el demonio?

Para la Iglesia no hay duda, el demonio existe y no como un símbolo sino como una persona que se rebeló contra Dios y está condenado eternamente.

¿Está entre nosotros?

La Biblia es muy clara cuando afirma que no hay uno solo sino muchos demonios los que están en este mundo tentando a los seres humanos. San Pedro habla en el Nuevo Testamento del demonio como un león rugiente, rondando, buscando a quien devorar.

¿Hay personas que hayan sido poseídas por el demonio o por otros espíritus?

Por supuesto pero los ángeles no poseen, sólo posee el demonio.

¿Usted ha visto algún caso?

Sí, en estos siete años de trabajo, he encontrado entre 20 y 30 casos indudables de poseídos.

¿Puede contarnos lo que vio?

Los poseídos pueden hablar en lenguas que desconocen, pueden estar dotados de una fuerza descomunal, vomitar objetos como cristales o clavos e incluso, en unos pocos casos muy extraños, pueden llegar a levitar.

¿Ha visto levitar a alguien poseído?

Yo nunca lo he visto pero personas de mi confianza sí han sido testigos de ello.

¿Cómo le llegan a usted posibles casos de personas que pueden sufrir una posesión demoníaca?

Hay cuatro vías. Psiquiatras que llevan años trabajando con un paciente y observan que lo que les ocurre se aleja cada día más de los manuales de psiquiatría y me piden que les eche una ojeada, familias que recurren a mí del tipo, “a mi hijo le ocurren cosas muy raras desde que hizo espiritismo”, eclesiásticos e incluso personas que temen haber sido poseídas y me piden ayuda.

¿Y qué hace con ellos, cómo actúa?

Lo primero que hay que hacer es averiguar si el presunto poseso es real o tiene problemas psicológicos y sólo cree estar poseído. Trabajo con psiquiatras en el análisis psicológico de la persona. Escucho a las familias y, finalmente, hago una serie de pruebas para confirmar la presencia del diablo en su cuerpo.

¿Qué pruebas?

No quiero dar muchas pistas para que los que se creen poseídos no se sugestionen y modifiquen su comportamiento pero le puedo decir que si, como me ha ocurrido, un niño de once años contesta a preguntas muy concretas en latín preciso y fluido, es muy probable que esté poseído.

Y después, en los casos en los que confirma la posesión diabólica, ¿cómo actúa?

Hago lo que se llama el Ritual de exorcismo.

¿En qué consiste?

De forma muy resumida: se pide perdón por los pecados, se lee la Biblia, se reza la letanía de los santos y una larga oración a Dios y, al final, se hace una conjuración al Demonio ordenándole que salga del cuerpo.

¿Cuánto puede durar un exorcismo?

De 30 minutos a varios meses. Depende de muchos factores pero para liberarse del demonio hay que abandonar el pecado, aceptar a Cristo y perseverar.

¿Y qué le sucede al poseído cuando lo cura?

No es una cura, es como una liberación. Se pone peor y peor hasta que lanza un grito espantoso y cae sobre el suelo, en paz. Es como despertar de un sueño, no recuerdan nada del exorcismo.

¿Cómo elige el demonio a las personas que posee? Le pude ocurrir a cualquiera o depende de su comportamiento en la tierra?

No es que el Demonio elija a nadie pero lo que está claro es que si no se le abre la puerta, no puede poseernos.

¿Cómo se le abre esa puerta?

Europa se está olvidando del cristianismo y ahora se interesa mucho por la brujería, el espiritismo, la ouija, la New Age, la santería afrocubana... todas estas cosas que están llegando a Occidente están abriendo puertas al diablo. En el futuro se hablará mucho de esto, cada vez habrá más casos.

Explíquese.

Hay que advertir a la gente que estas cosas que a muchos los parecen inofensivas entrañan graves peligros porque abrimos la puerta a Diablo. Uno puede tentar a la suerte varias veces y no ocurrirle nada pero posteriormente sí puede quedar poseído.

¿Cómo entró usted en este mundo de las posesiones y los exorcismos?

Yo estaba haciendo la licenciatura en Teología en la especialidad de Historia de la Iglesia cuando recibí por parte de mis superiores el encargo de hacer la tesis sobre el exorcismo y entonces, al final, tuve que aceptar. El director de la tesis fue Juan Antonio Martínez Camino, secretario de la Congregación de la Doctrina de la Fe de la Conferencia Episcopal- y actual secretario de esta institución- y acabé la tesis. Los casos me empezaron a llegar porque era el único que había estudiado este campo en España.

¿Comparte la Iglesia Católica todo lo que nos acaba de contar?

La posición oficial de la Iglesia es muy clara y así aparece en los documentos oficiales. En resumen, esta postura es que existe el demonio, existe la posesión y el exorcismo tiene efecto.

¿Le preocupa que la gente piense que esto son tonterías propias del pasado?

El exorcismo está presente en los textos fundacionales de la Iglesia ya que Jesús, estando aún en la tierra, concedió un poder y una Autoridad a los Apóstoles sobre los demonios. El propio Papa Juan Pablo II hizo cuatro exorcismos durante su pontificado.

¿Qué piensa de las películas que se han rodado sobre los exorcismos?

La única que trató de reflejar la verdad ha sido ‘El exorcista’. Estuvieron bien asesorados y muestran algunas cosas que suceden realmente.