Tuesday, 21 December 2010

PAULO VI E A MAÇONARIA - UMA OPINIÃO

O que dizer do Papa Paulo VI ?

Paulo VI (1963-1978) João Batista Montini

Nasceu no dia 26 de Setembro de 1897 em Concesio (BS), de Giuditta Alghisi e Giorgio Montini. O pai tomou-se um expoente do novo Partido Popular Italiano (em odor de modernismo), fundado pelo sacerdote Luigi Sturzo; a mãe, pertencia à uma família que notoriamente se inspirava aos princípios maçônicos, tanto que sobre a tumba da família Alghisi, no cemitério de Verolavecchia, na Província de Brescia, podem ser notados vistosos símbolos maçônicos.


Família Alghisi cemitério de Verolavecchia, na Província de Brescia


 Foto da base do Túmulo

O jovem Montini não freqüentou escolas de nenhum grau, ao que parece por motivo de saúde, e foi instruído privadamente por preceptores que se alternaram continuamente. Montini «forjará ele- mesmo sua disciplina de vida. Intelectualmente, será sempre um autodidata, mesmo quando se preparou para o sacerdócio, continuando a alternar leituras pessoais, profanas, com leituras propriamente religiosas: muito variadas, heterogêneas, vastas e desordenadas. Foi ordenado sacerdote sem ter frequentado o seminário, assistido só saltuariamente por diversos religiosos; nomeado arcebispo sem antes ter sido pároco, tomou-se "papabile" antes mesmo de ser nomeado cardeal»(3).

Eleito formalmente Papa no dia 21 de Junho de 1963, Montini convocou a Segunda Sessão do Vaticano II de 19.9.63 ao 4.12.63, a Terceira de 14.9.64 ao 21.11.64 e a Quarta Sessão de 14.9.65 ao 8.12.65; guiando sempre seus trabalhos com medidas discretas, na base das sugestões de teólogos escolhidos entre aqueles que os Papas precedentes até 1958, ano da morte de Pio XII, haviam prudentemente afastado.


Solene cerimônia oficial no dia 13 de Novembro de 1964

São inumeráveis os atos que caracterizaram o pontificado de Paulo VI, endereçados à abertura ao Mundo, ao Modernismo, à Maçonaria, à Democracia Universal e ao Comunismo. Entre estes, merece especial menção, pela particular gravidade, a deposição - ocorrida no curso de uma solene cerimônia oficial no dia 13 de Novembro de 1964 - do «Triregno», a tiara, símbolo do Primado do Pontífice Romano - que representa o poder de Nosso Senhor dado a Pedro e aos seus sucessores no Céu, na Terra e nos Infernos. Além disso, é deveras emblemática a substituição, em diversas ocasiões, da Cruz Peitoral com o Ephod, ou seja, o peitoral que o grande sacerdote Caifas usava quando condenou à morte Nosso Senhor Jesus Cristo(4).

  Um adorno usado por maçons e pelos Sumo Sacerdotes Judeus.

A pior ação cometida por Montini foi, porém, a abolição da Santa Missa, que seria substituída pelo assim chamado Novus Ordo Missae, apresentado ao Mundo católico durante a audiência pública do dia 29 de Novembro de 1969 com a afirmação: «... é preciso fazer da Missa um tranqüilo mas empenhado discurso de sociologia cristã! » (5)



 O “santo padre” com alguns observadores não –católicos, que tomaram parte no encontro final do “Consilium para a Implementação da Constituição da Sagrada Liturgia”



Os seis “observadores” protestantes: Rev. Ronald C. D. Jasper, (anglicano), Rev. Dr. Massey H. Shepherd Jr. (metodista), A. Raymond George, (metodista), Pastor Friedrick-Wilhelm Künneth, (calvinista), Rev. Eugene L. Brand, (metodista), Pastor Max Thurian, (Comunidade Thaizé).


Juntamente com a destruição da prática da verdadeira Comunhão, Paulo VI ajuda a introduzir a prática de dar a comunhão aos fiéis de pé antes mesmo do término do Concílio... (extraído de:http://imagensdaapostasia.blogspot.com/2010/02/comunhao-em-pe-bem-antes-do-termino-do.html )

Tratava-se, portanto, de um rito que se afasta sensivelmente daquele que o Catecismo da Doutrina Católica define: «Sacrifício do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo que, sob as espécies do pão e do vinho, o Sacerdote oferece a Deus sobre o altar, em memória e RENOVAÇÃO do Sacrifício da Cruz». Ato, este, de substituição, com o qual se faz surgir uma nova religião, porque a Santa Missa, assim como foi codificada pelo Santo Papa Pio V, com a Bula Quo Primum, constitui a essência da Igreja Católica, instituída por Jesus Cristo para, através dos Apóstolos, renovar perpetuamente em toda terra, o Sacrifício de Si mesmo oferecido a Deus Pai sobre a Cruz para a remissão dos pecados do mundo.Para atestar um reconhecimento póstumo a Paulo VI pelo seu brilhante pontificado, foi erigido um monumento maçônico na praça do Santuário da Virgem Coroada no Sagrado Monte de Varese(6).




Fotos do monumento



Correspondência das figuras que há no monumento com emblemas dos graus 16,17 e 18 da Maçonaria.

Excerto:

Tradução de artigo publicado em http://www.traditioninaction.org/index.htm:

De acordo com o Jornalista Giulio Ferrari da revista L’Italia, duas coisas pararam o processo de beatificação de Paulo VI; sua alegada homosexualidade e sua simpatia pró comunista.Foi expulso de Roma durante o pontificado de Pio XII por suas relações com o comunismo.


Último trecho com Tradução Nossa: “Expluso de Roma, durante o último ano do pontificado de Pio XII, após a Morte do Papa Pacelli e sob a proteção de João XXIII, o futuro Paulo VI restabeleceu as relações das quais fora proibido. O cordial acordo com o comunismo é para Montine uma verdadeira opção que o levará, como “pontífice”, a depor o heróico Cardeal Mindszenty que se opunha ao governo comunista Hungaro”.


Homenagem comunista a Montini



Em janeiro de 1967, o “Papa” recebeu Podgorny, o presidente do Soviete Supremo da URSS. (extraído de: http://imagensdaapostasia.blogspot.com/2010/01/enquanto-o-comunismo-continuou.html)

Notas:

(1) Decreto Conciliar Sacrosanctum Concilium Publicado em 4 de Dezembro de 1963, contem os seguintes cânones: 4. «Guarda fiel da Tradição, o Santo Concílio declara que a Santa Mãe Igreja considera iguais, em direito e honra, todos os ritos legitimamente reconhecidos e quer que no futuro se mantenham e sejam por todos os meios promovidos...» 36. «Deve conservar-se o uso da língua latina, salvo o direito particular, nos ritos latinos.» 116. «A Igreja reconhece no canto gregoriano o canto próprio da liturgia romana.» Estas decisões foram adotadas com absoluta unanimidade pelos Padres conciliares. Sobre mais de 2.000 votantes, foram expressos 4 «non placet»; o que não significa que estes Padres não estivessem de acordo com o texto, mas que eles desejavam alguma modificação sobre este ou aquele ponto do mesmo texto. Tais disposições foram, além disso, sancionadas pelo mesmo Paulo VI: «Em virtude do poder apostólico conferido por Cristo, nós as aprovamos, confirmamos e decretamos...» Deste modo, os dois mil Padres do Vaticano II, decidiram não só conservar o rito latino como era celebrado nos dias do Concílio, isto é na forma recebida no momento em que o Papa São Pio V o havia tornado obrigatório em todas as dioceses em que vigia este rito, mas ainda «de favorecê-lo com todos os meios». Como se vê, Paulo VI operou no sentido oposto ao que ele mesmo fez crer que havia aprovado! Certo, o concílio desejou (optat) um exame integral desse rito; mas se trata só de um desejo, visto que declara querer conservar o rito assim como é. Além disso, para que não surgissem mal-entendidos sobre tais intenções e para que não se vissem contradições nessa mesma frase, declarou que este exame («recognitio» não significa «transformação») devia ser feito com prudência e no espírito da sã tradição (sã, quer dizer intacta, preservada, nunca alterada). Esse exame foi, porém, confiado a uma Comissão dirigida por Mons. Aníbal Bugnini, membro de uma poderosa loja maçônica, o que o tornava um excomungado. Já em função no tempo de João XXIII, Bugnini e suas reformas encontraram a oposição do presidente da Comissão para a Liturgia, cardeal Gaetano Cicognani. Reclamou disso a João XXIII que, chamando seu secretário de estado, cardeal Amleto Cicognani, irmão de Gaetano, ordenou-lhe que não voltasse à sua presença sem o documento de aprovação das mudanças assinado. Este impôs ao irmão mais velho a "vontade do papa" e obteve a assinatura contra consciência do velho Cardeal, que angustiado morreu 4 dias depois. Foi assim que o exame se concluiu com a completa devastação da Santa Missa. E este resultado é a prova irrefutável do que na verdade mirava o decreto conciliar "Sacrosanctum Conciliam", hipocritamente oculto no verbo "optat" com o qual esse impõe, não a revisão, que era sem motivo, desnecessária e absurda, do Rito Romano que depois de 399 anos de plena e legítima eficácia demonstrara seu poder espiritual, mas a sua pura e simples destruição através do outro "rito" chamado também "romano".

(2) João Batista Montini - O «Juramento» prestado no dia de sua Coroação Também Paulo VI no dia de sua coroação (30 de Junho de 1963) pronunciou o seguinte juramento diante de Nosso Senhor Jesus Cristo: «Eu prometo: não diminuir ou mudar nada do que encontrei conservado pelos meus muito probos predecessores e de não admitir qualquer novidade, mas conservar e venerar com fervor, como verdadeiro discípulo e sucessor deles, com todas as minhas forças e com todo meu empenho, o que foi transmitido; de emendar tudo o que surja em contradição com a disciplina canônica e de guardar os sagrados Cânones e Constituições Apostólicas dos nossos Pontífices como sendo mandamentos divinos e celestes (sendo eu) consciente que deverei prestar contas rigorosas diante do (Teu) juízo divino de tudo o que professo; Eu que ocupo o Teu lugar por desígnio divino e exerço essa função como Teu Vigário, assistido pela Tua intercessão... Se pretendesse agir diversamente, ou permitir que outros o façam, não me serás propício no dia tremendo do Juízo divino... (pp.43 ou 31). Portanto, nos submetemos à rigorosa interdição de anátema, se jamais alguém, ou nós mesmos, ou um outro, tenha a presunção de introduzir qualquer novidade oposta à Tradição evangélica, ou à integridade da Fé e da Religião, tentando mudar qualquer coisa da integridade de nossa Fé, ou permitindo isso a quem pretendesse fazê-lo com sacrílega ousadia.» «Ego promitto: Nihil de traditione quod a probatissimis praedecessoribus meis servatum reperi, diminuere vel mutare, aut aliquam novitatem admittere; sed ferventer; ut vere eorum discipulus sequipeda, totis viribus meis conatibusque tradita conservare ac venerari. Si qua vero emerserint contra disciplinam canonicam, emendare; sacrosque Canones et Constituta Pontificum nostrorum ut divina et coelestia mandata, custodire, utpote tibi redditurum me sciens de omnibus, quae profiteor, districtam in divino judicio rationem, cuius locum divina dignatione perago, et vicem intercessionibus tuis adjutus impleo. Si praeter haec aliquid a gere praesumsero, vel ut praesumatur; permisero, eris mihi, in illa terribili die divini judiai, depropitius ... (p. 43, vel 31). Unde et districti anathematis interdictioni subjicimus, si quis unquam, seu nos, sive est alius, qui novum aliquid praesumat contra huiusmodi evangelicam traditionem, et orthodoxae fidei christianaeque religionis integritatem, vel quidquam contrarium annitendo immutare, sive subtrahere de integritate fidei nostrae tentaverit, vel auso sacrilego hoc praesumentibus consentire.» (Liber Diurnus Romanorum Pontificum, pp. 44 o 54, P.L. 1 o 5).

(3) Yves Chiron, Paul VI. Le pape écartelé, Perrin, Paris 1993.

(4) Franco Adessa, Un monumento massonico, ed. Civiltà, Brescia, 2000.

(5) Cf. L’Osservatore Romano, 29.11.1969

(6) Franco Adessa, op. cit.

Fonte: Coetus Fidelium


Monday, 20 December 2010

LISBOA: UM SEM-ABRIGO SAI DA RUA

Do 'buraco' para a vida (VÍDEO)

A história de um sem-abrigo que saiu da rua

Foi sem-abrigo durante 27 anos. Fez-se homem na rua e vai, agora, casar-se. Paulo Fernandes saiu do inferno - por fim. Conheça-o, através do VÍDEO

O vício do álcool tolheu-lhe a memória. Faz um enorme esforço para se situar no tempo. Não se lembra de datas. Também não se recorda de nomes. Dos nomes dos que, como ele, vivem cada dia no limite da sobrevivência. Na rua. Esta é a história de um menino que se fez homem nas ruas e vielas de Lisboa. Vinte e sete anos vividos - repete-se - na rua. Em sítios por onde todos passam e desviam o olhar, talvez protegendo-se de uma dor que, afinal, também é deles.

Façamos um forward na narrativa. Paulo Fernandes, 39 anos, é um ex-sem-abrigo que conseguiu desatar o nó com que o destino o quis asfixiar. Agora, a três dias do seu casamento, olha para o futuro. Só para o futuro. Tem casa, trabalho e encontrou a felicidade ao lado de Filipa Cunha, 37 anos, empregada doméstica. De bigode aparado e fato completo vestido, orgulha-se do que conquistou. Mas não esquece os que ainda não saíram dos cartões feitos cama, nas frias pedras da calçada. Por isso, os votos matrimoniais vão ser concretizados perante os seus ex-companheiros e quem o ajudou, durante a festa de Natal da Comunidade Vida e Paz, na capital.

MÃE DE RUA

Paulo Fernandes caiu no abismo demasiado cedo. "Aos 7 ou 8 anos fugi de casa." As palavras são duras. "Fartei-me de ser um estorvo para os meus pais que, depois de se separarem, me empurravam para a casa ora de um ora do outro." Nenhum deles alertou a polícia quando o filho desapareceu. Paulo, que se escondia das autoridades, ficou entregue a si próprio. O fantasma do filho-empecilho haveria de o perseguir durante muitos anos. De o formatar para uma realidade com que aprendeu a viver. A rua.

A primeira noite, de 27 longos anos sem teto, foi passada junto do lisboeta Palácio da Independência. Não se lembra de como lá foi parar. "Andei, andei e fiquei ali." Aí conheceu Ana - "acho que era esse o nome dela" -, uma sem-abrigo cega que fez as vezes da mãe. "Aconchegou-me." Durante algum tempo, o Paulo menino comeu os bolos e as sandes que os donos dos cafés das redondezas lhe davam. Dividia com Ana essas migalhas. Ainda não sabia que havia balneários públicos para tomar banho e trocar de roupa. "Passado um tempo, a Ana morreu." Ao seu lado. Na rua. A voz embarga-se-lhe e os olhos ficam húmidos. "Fiquei sozinho." Não consegue precisar quanto tempo foi aconchegado por Ana. Na rua, os dias são sempre iguais. Apenas passam.

A mãe procurou-o. Encontrou-o. "Ela apoiou-me, mas não me podia levar para casa porque o meu padrasto não deixava." Disse-lhe: "Não te preocupes, mãe, eu hei de lutar." Deambulou pela zona dos Restauradores e acabou por se juntar a um grupo de homens que pernoitava às portas do Coliseu dos Recreios. Tinha "uns 14 anos" e imergiu ainda mais fundo na escuridão, empurrado pelo vício do álcool - que se prolongaria por 13 anos. "Fui influenciado pelos outros. Diziam-me que se bebesse esquecia tudo." E ele queria esquecer. As idas à taberna começavam logo pela manhã. Vinho ou bagaço serviam para estorvar a memória. À noite, o Paulo adolescente e os companheiros juntavam o dinheiro que tinham arranjado a pedir durante o dia - "nunca roubei" - e compravam garrafas de vinho. Decorreram mais alguns anos. A rotina foi sempre a mesma. Amarga. Descobriu, entretanto, os balneários públicos. Passou a tomar banho. A roupa ficava a cargo das carrinhas de associações de solidariedade. "Deitava fora a que tinha e vestia a que me davam." Mas os companheiros viram, na sua juventude, um alvo fácil. "Queriam que eu arranjasse dinheiro para todos beberem." Fugiu. E viu-se sozinho - outra vez.

RESISTENTE 'ENCARTADO'

Vagueou, novamente, pelas ruas. Um pedaço de cartão era suficiente para se aninhar debaixo de uma arcada. "Dormia onde calhava." Até que, por acaso, acercou-se da estação de Santa Apolónia. "Foi onde estive mais tempo, talvez uns dez anos." A rotina, essa, era a mesma. Pedir. Beber. Paulo, já homem, ganhou a simpatia do dono de um restaurante da zona, que lhe dava as sobras de comida. A mãe voltou. Outra vez. "Mas eu estava tão bêbado, quando falei com ela, que não liguei nada ao que disse." Talvez para fantasiar uma ilusão, passou a andar, sempre, de fato e gravata - que pedia nas tais carrinhas. À ajuda das instituições, que por ali passavam para distribuir alimentos e queriam tirá-lo daquela situação, disse sempre "não". A rua entranhara-se-lhe.

Até ao dia em que, há cinco anos e num estado febril grave, foi levado pela Comunidade Vida e Paz (CVP). Esteve internado dois meses, num hospital. "Os médicos diziam que não me safava." Safou-se e iniciou um logo processo de recuperação. Foi para a Quinta da Tomada, da CVP, fez a desintoxicação do álcool e, pela primeira vez em 27 anos, teve um teto para dormir. Aos 34 anos, Paulo Fernandes começou a viver.

Teve a ajuda da Santa Casa da Misericórdia, que lhe alugou um quarto e providenciou alimentação, e foi, aos poucos, adquirindo outros hábitos. Estreou-se a trabalhar na Câmara Municipal de Lisboa - "Queriam que eu fosse um exemplo para outros sem-abrigo. Para os tirar da rua." Mas sofreu uma recaída e voltou à rua e ao álcool. Os amigos da autarquia lisboeta resgataram-no. Recomeçou, outra vez.

Uma pneumonia haveria, então, de lhe dar uma má notícia. Diagnosticaram-lhe o vírus da sida. "Na rua, também havia mulheres e eu estive com elas." Não se deu por vencido. Entretanto, conheceu Filipa Cunha e o romance nasceu. "Só queremos ser felizes", resume ela.

Hoje, Paulo e Filipa vivem numa casa camarária. Ele já não se esconde da polícia, muito pelo contrário. É, como orgulhosamente diz, "diretor adjunto do Boletim Informativo do Sindicato dos Profissionais de Polícia". Melhor era impossível.

Casamento único

O enlace de Paulo e Filipa dava um filme A lua-de-mel já está assegurada. Paulo Fernandes e Filipa Cunha foram presenteados com idas ao Porto, Faro e Madeira. O fato do noivo e o vestido da noiva foram oferecidos pela madrinha de casamento, a fundadora da Comunidade Vida e Paz, irmã Maria Gonçalves. O padrinho é João Taveira, um dos amigos do tempo em que Paulo trabalhou na Câmara de Lisboa e atual presidente da Junta de Freguesia de S. Jorge de Arroios. À festa, que se realiza na cantina da Universidade de Lisboa, no domingo, 19, com ex-companheiros sem-abrigo como convidados, não faltará um enorme bolo oferecido por uma pastelaria. Paulo foi salvo, primeiro, pela determinação de quem o quis ajudar. Mas, sem a sua vontade de sair das trevas, não teria conseguido. "Há salvação!", diz. Encontra-se, agora, numa espécie de antecâmara. Está a começar e a aprender. A viver. Com todos os ses e mas da partilha em sociedade. Sobrecarregado de porquês e incertezas. Porém, já pode dizer "amanhã".


Sunday, 19 December 2010

O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA

COMO FAZER UMA CONFISSÃO BEM FEITA

1. Exame de consciência

(Proposta de Exame de Consciência aqui)

Trata-se de uma diligente investigação dos pecados que se cometeram, desde a última confissão bem feita. É feito trazendo à memória, na presença de Deus, todos os pecados ainda não confessados, cometidos por pensamentos, palavras, obras e omissões contra os Mandamentos de Deus e da Igreja, e contra as obrigações do próprio estado. Devemos examinar-nos também sobre os maus hábitos, sobre as ocasiões de pecado e sobre o número dos pecados mortais.

Para que um pecado seja mortal são necessárias três coisas:

- matéria grave: quando se trata de uma coisa notavelmente contrária à Lei de Deus e da Igreja;

- plena advertência: quando se conhece perfeitamente que se faz um mal grave;

- consentimento perfeito da vontade: quando se quer fazer deliberadamente uma coisa, embora se reconheça que é culpável;

Deve-se empregar no exame de consciência mais ou menos tempo de acordo com a necessidade, isto é, conforme o número e a qualidade dos pecados que sobrecarregam a consciência e conforme o tempo decorrido desde a última confissão bem feita. Facilita-se o exame para a confissão fazendo-se todas as noites o exame de consciência sobre as acções do dia.

2. Acusação dos pecados ao confessor

“Quando alguém confessa, sinceramente, seus pecados ao sacerdote, estando arrependido de os haver cometido, tendo ao mesmo tempo o propósito de não tornar a cometê-los, todos os seus pecados lhe são plenamente perdoados, em virtude do poder das chaves, ainda que a dor de sua contrição, de per si, não seja suficiente para impetrar a remissão dos pecados” (Catecismo Romano).

Depois de feito o exame de consciência, com a dor e o propósito, devemos ir ao confessor para acusar os pecados e receber a absolvição.

Somos obrigados a confessar-nos de todos os pecados mortais. É bom, porém, confessar também os veniais. As qualidades principais que deve ter a acusação dos pecados são cinco:

- humilde:

devemos acusar diante do confessor sem altivez de ânimo ou de palavras, mas com sentimentos de um réu que reconhece a sua culpa e comparece diante do juiz.

- íntegra:

devemos confessar, com as suas circunstâncias e seu número, todos os pecados mortais cometidos desde a última confissão bem feita, e dos quais se tem consciência;

- sincera:

devemos declarar os pecados como eles são, sem os desculpar, sem os diminuir e sem os aumentar;
- prudente:

devemos servir-nos dos termos mais modestos e devemos guardar-nos de descobrir os pecados alheios;

- breve:

não devemos falar de coisas inúteis ao confessor;

Para que a acusação seja íntegra devemos acusar as circunstâncias que mudam a espécie do pecado. As circunstâncias que mudam a espécie de pecado são:

aquelas pelas quais uma acção pecaminosa de venial se torna mortal;

aquelas pelas quais uma acção pecaminosa contém a malícia de dois ou mais pecados mortais;

Quem, para se desculpar, dissesse uma mentira do qual resultasse dano grave para o próximo, deveria manifestar esta circunstância, que muda a mentira, de oficiosa em gravemente nociva.

Quem tivesse roubado uma coisa sagrada, deveria acusar esta circunstância, que acrescenta ao furto a malícia do sacrilégio.

Quem não tiver a certeza de ter cometido um pecado, não é obrigado a confessá-lo. Se, porém o quiser acusar, deverá acrescentar que não tem a certeza de o ter cometido.

Quem não se lembra exactamente do número dos seus pecados, deve acusar o número aproximado.

Quem deixou de confessar por esquecimento um pecado mortal ou uma circunstância necessária, fez uma boa confissão, contanto que tenha empregado a devida diligência no exame de consciência. Se um pecado mortal esquecido na confissão volta depois à lembrança somos obrigados a acusá-lo na primeira vez que de novo nos confessarmos.

Quem, por vergonha ou por qualquer outro motivo culpável, cala voluntariamente algum pecado mortal na confissão, profana o Sacramento e por isso torna-se réu de gravíssimo sacrilégio.

Quem ocultou culpavelmente algum pecado mortal na confissão, deve expor ao confessor o pecado ocultado, dizer em quantas confissões o ocultou e repetir todas as confissões desde a última bem feita.

Quem se vir tentado a calar um pecado grave na confissão deve considerar:
que não teve vergonha de pecar na presença de Deus, que vê tudo;

que é melhor manifestar os próprios pecados ao confessor em segredo do que viver inquieto no pecado, ter uma morte infeliz e ser por isso envergonhado no dia do Juízo universal, em face do mundo inteiro;

que o confessor é obrigado ao sigilo sacramental, sob pecado gravíssimo, e com a ameaça de severíssimas penas temporais e eternas;

A Igreja manda que os fiéis devem confessar seus pecados ao menos uma vez cada ano.

3. Dor ou arrependimento

Trata-se de um desgosto e de uma detestação sincera da ofensa feita a Deus. Pode ser de duas espécies: perfeita ou de contrição; imperfeita ou de atrição.

- contrição:

é o desgosto de ter ofendido a Deus porque Deus é infinitamente bom e digno, por Si mesmo, de ser amado sobre todas as coisas; é chamada perfeita porque se refere exclusivamente à bondade de Deus, e não ao nosso proveito ou prejuízo, e porque nos faz alcançar imediatamente o perdão dos pecados, ficando-nos porém a obrigação de nos confessarmos;

A dor perfeita não nos alcança o perdão dos pecados independentemente da confissão porque sempre inclui a vontade de se confessar. Ela produz o estado de graça porque procede da caridade, a qual não pode encontrar-se na alma juntamente com o pecado mortal.

- atrição:

é o desgosto de ter ofendido a Deus como nosso supremo Juiz, isto é, por temor dos castigos que merecemos e nos esperam nesta ou na outra vida, ou pela própria fealdade do pecado;

Trata-se de uma vontade determinada de nunca mais cometer o pecado, e de empregar todos os meios necessários para o evitar. Esta resolução deve ter três condições: deve ser absoluta, universal e eficaz.

4. Firme propósito de emenda

- absoluto:

deve ser sem condição alguma de tempo, de lugar ou de pessoa;

- universal:

devemos ter a vontade de evitar todos os pecados mortais, tanto os que já tenhamos cometido no passado como os que poderíamos cometer ainda;

- eficaz:

devemos ter uma vontade decidida de perder todas as coisas antes que cometer um novo pecado, de fugir das ocasiões perigosas de pecar, de destruir os maus hábitos, e de satisfazer a todas as obrigações lícitas contraídas em consequências dos nossos pecados;

Por mau hábito se entende a disposição adquirida para cair com facilidade naqueles pecados aos quais nos acostumamos. Para corrigi-los devemos vigiar sobre nós mesmos, rezar muito, confessar-nos com freqüência, ter um bom diretor espiritual e seguir suas orientações.

Por ocasiões perigosas de pecar se entendem todas aquelas circunstâncias de tempo, de lugar, de pessoas ou de coisas, que, pela sua própria natureza ou pela nossa fragilidade, nos induzem a cometer o pecado. Somos gravemente obrigados a evitar as ocasiões perigosas que de ordinário nos levam a cometer o pecado mortal, e que se chamam ocasiões próximas de pecado.

Para se fazer o propósito nos ajudam as mesmas considerações que servem para excitar a dor (consideração dos motivos que temos para temer a justiça de Deus e para amar a sua infinita bondade).

"Vai em paz e não voltes a pecar.", diz-nos Jesus.

5. Cumprir a Penitência imposta pelo confessor.

Pode traduzir-se em orações, prática de boas obras, jejuns... Cumprir esta penitência imposta pelo confessor é importante para que o Sacramento seja recebido com todas as graças sobrenaturais que ele encerra.


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VILA REAL (PORTUGAL): "CÂMARA AMIGA" APOIA FAMÍLIAS CARENCIADAS


Pobreza: Câmara distribuiu durante o ano cabazes alimentares por mais de 770 famílias carenciadas

“Não tinha leite para a bebé”

O desespero tomou conta de Sandra Infante, de 22 anos, quando numa sexta-feira à noite se viu sem dinheiro para comprar leite para a filha bebé, de apenas dois meses.

Angustiada, ligou para a Câmara Amiga, associação criada pela autarquia de Vila Real, e em poucas horas conseguiu alimentar a pequena Ana Isabel. Sandra é apenas uma das mais de 770 famílias que durante todo o ano, e em especial no Natal, a Câmara apoia. A pobreza tem aumentado, principalmente no centro da cidade.

"Esperava que o meu companheiro recebesse naquele dia, mas o patrão não pagou. Fiquei desesperada, mas em poucas horas recebi o leite em casa", conta a jovem, emocionada.

O Natal de Sandra e da sua família será este ano muito mais triste. A viver em Vila Real há mais de dois anos, a família está sem rendimentos. O companheiro de Sandra ainda não conseguiu arranjar um emprego estável e a jovem aguarda por uma vaga para colocar a filha na creche, de forma a poder também procurar trabalho. "O Natal vai ser muito triste. Vamos passar com a ajuda da Câmara e dos meus pais. O que vale é que ela ainda é bebé e não entende", explica Sandra.

Desde Janeiro, a Câmara de Vila Real já recebeu 129 novos pedidos de ajuda. Há também cada vez mais pessoas a pedir habitação social, devido aos despejos. "O casal perde o emprego e depois é uma bola de neve. Ficam sem dinheiro para a alimentação, para pagar a roupa, as contas, e deixam de pagar os empréstimos", conta Maria Dolores Monteiro, vereadora da Educação da Câmara de Vila Real.

Este é o caso de Paula Sá. A cargo com três filhos, de 18 meses e 8 e 9 anos, viu a sua empresa falir e o marido, que também perdeu o trabalho, não ter direito ao subsídio de desemprego. Sentia vergonha de pedir ajuda, mas o desespero falou mais alto. "Tinha vergonha, pois nunca tivemos dificuldades financeiras. Mas tínhamos de ir buscar ajuda a algum lado, não tínhamos como sobreviver. Com a altura do Natal sentimo-nos ainda pior. Não temos dinheiro para pagar a prestação da casa, quanto mais para prendas."

UNIDADE MÓVEL DE SAÚDE CHEGA ÀS ALDEIAS

A Câmara de Vila Real dispõe também de uma unidade móvel de saúde, que várias vezes por mês se desloca às aldeias mais isoladas para prestar todos os cuidados de saúde à população. Exames à diabetes e à tensão arterial são algumas das valências. Em breve, a unidade vai também dispor de um serviço de ginecologia e começar a realizar electrocardiogramas. "Tentamos dar melhores cuidados de saúde à população", refere a vereadora da educação.

ASSOCIAÇÃO RECEBE TONELADAS DE COMIDA

Na última recolha, realizada há algumas semanas, a Câmara Amiga angariou 16,5 toneladas de alimentos. A associação ficou muito satisfeita com os resultados e com o facto de poder ajudar muitas famílias neste Natal.

"Foi um sucesso, os armazéns estavam a ficar vazios, mas conseguimos muita comida. É muito bom, porque em especial nesta altura do Natal as pessoas pedem muita ajuda", conta Ana Vilaverde, chefe da divisão de Acção Social e Saúde da Câmara Municipal de Vila Real.

No início do mês, a associação iniciou uma nova iniciativa, "o apadrinhamento". Uma família decidiu ajudar um casal mais carenciado, doando todos os meses carne e peixe, produtos que por se estragarem facilmente não estão incluídos nos cabazes. "Os padrinhos doam esses alimentos uma vez por mês, quando as famílias precisam", rematou Ana Vilaverde.

MAIORIA DOS PEDIDOS CHEGA DO CENTRO DA CIDADE

A maioria dos pedidos à Câmara Amiga chega do centro da cidade. Só na maior freguesia de Vila Real, Nossa Senhora da Conceição, 195 famílias estão a cargo das técnicas da instituição. "Nas aldeias, as casas são mais baratas, e as pessoas têm sempre uma pequena horta onde arranjam alguns alimentos. Já na cidade, as pessoas não têm como subsistir sem o dinheiro", explicou Ana Vilaverde. Nas aldeias, os casos sinalizados pela Câmara estão mais relacionados com idosos que vivem sozinhos. Para combater estes casos, a autarquia dispõe de um cartão de idoso que proporciona aos mais carenciados descontos na água, nos transportes e na compra de medicamentos. Para além disso, os idosos recebem ainda assistência em casa.

DISCURSO DIRECTO

"PROCURAM ALIMENTOS": M.ª Dolores Monteiro, Vereadora Educação Vila Real

Correio da Manhã – Quando e porquê foi inaugurada a Câmara Amiga?

M.ª Dolores Monteiro – A associação surgiu em 2006, mas só em 2007 tivemos todas as valências activas. Surgiu para apoiar mais rapidamente as famílias carenciadas.

– O que é que as famílias têm de fazer para receber apoio?

–Têm de se sujeitar a um relatório social para perceber quais as suas verdadeiras necessidades. Os mais carenciados procuram roupa, alimentos e mobiliário.

– Há vergonha em pedir ajuda?

– Há muitas pessoas que não querem que se leve os cabazes a casa pois temem que os vizinhos vejam.

 Por:Ana Isabel Fonseca

CORREIO DA MANHÃ 19-12-2010

Saturday, 18 December 2010

ELP, MDLP E MARIA DA FONTE

A 'cruzada branca' contra 'comunistas e seus lacaios'

por



Fernando madaíl 17 Agosto 2005

Na noite de 4 de Outubro de 1975 Alpoim Calvão aproveitou as 11 horas que passou escondido no telhado do Seminário de São Tiago, em Braga, para... dormir. Pelo menos é o que conta o principal comandante operacional do movimento inspirado por Spínola no livro De Conakry ao MDLP (Ed. Intervenção), ao descrever o cerco feito por forças do Regimento d e Infantaria de Braga, que conseguiram capturar o major Mira Godinho e o major-tenente Benjamim de Abreu, mas não descobriram o vulto mais procurado das redes bombistas de direita.

Nos barrotes do sótão, o militar medalhado cujo nome terá sido apontado para chefiar a PIDE/DGS antes do 25 de Abril haveria de se voltar a encontrar com outro dos convivas no denunciado almoço em que o anfitrião era o cónego Melo - Paradela de Abreu, o fundador do movimento Maria da Fonte (espécie de compagnon de route do MDLP), anotou este outro conspirador em Do 25 de Abril ao 25 de Novembro (Ed. Intervenção).

ELP. Mas tanto o MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal), liderado do exílio brasileiro por Spínola, como o Maria da Fonte são posteriores à organização pioneira na oposição de direita ao processo revolucionário em curso. O ELP (Exército de Libertação Português), comandado pelo subdirector da PIDE/DGS Barbieri Cardoso, treinava-se em quintas espanholas com a cumplicidade do regime de Franco e "situava-se na direita salazarista", segundo Robert Moss, citado por Kenneth Maxwell (A Construção da Democracia em Portugal, Ed. Presença).

Em Dezembro de 1975, em artigo na Harper's Magazine ("A Ticket to Lisbon The Civil War"), Moss "relatava 'muitas horas' passadas em Espanha e no Norte de Portugal, com os dirigentes de um exército secreto que se preparava para uma eventual guerra civil em Portugal" (ob. cit.). Os panfletos do ELP exortavam "cada português" a ser um "combatente" contra os "assassinos comunistas", ensinando até a fazer cocktails Molotov.

A organização foi denunciada por Eurico Corvacho, comandante da Região Militar Norte, a 23 de Março de 1975, numa conferência de Imprensa difundida em directo pela RTP. "Graças à vigilância popular, foi possível detectar a existência e os propósitos de tão nefasta organização e prender já alguns dos seus agentes", declarou Corvacho, conforme registou Diniz de Almeida em Ascensão, Apogeu e Queda do MFA (Ed. Sociais), acrescentando que o fio da meada foi apanhado por acaso a 31 de Janeiro.

"O Exército de Libertação português (ELP) agradece a todos aqueles que, no CDS, PPD, PDC, igrejas, paróquias, bancos, etc., ou em iniciativas de carácter privado, têm apoiado a nossa justa luta, criando um clima propício para a nossa entrada em acção com o fim de limpar o País de todos os cães comunistas e traidores, que nos tentam impedir de sermos o que sempre fomos e de dispormos de nós como muito bem entendemos."

O panfleto, de Agosto de 1975 - "por motivos de segurança foi tirado um número muito reduzido deste comunicado" -, tinha ainda um "obrigado" a Soares, "por nos teres facilitado as coisas desta maneira". E acrescentava "És um tipo porreiro! Fica prometido que terás bandeira a meia-haste quando morreres... com um tiro na nuca!"

MDLP. O movimento que Spínola não quis que se chamasse Frente de Salvação Nacional, formado a 5 de Maio e oficialmente dissolvido a 31 de Março do ano seguinte, além da cumplicidade além-fronteiras e células nas comunidades emigrantes nos Estados Unidos e na Venezuela, relacionou-se com a FNLA, participando na guerra da independência de Angola e recebendo armas de Holden Roberto. Kenneth Maxwell escreve que "o MDLP afirmava ter uma força de combate de 1000 homens a postos, em Espanha, cuja presença era consentida pelas autoridades" franquistas. "Moss lamentava que isto parecesse 'ser quase completamente ignorado pela agência [CIA] e pelos serviços congéneres da Europa Ocidental'."

Difundiram folhetos a pugnar pela "organização das freguesias em autodefesa", coordenadas pelas Brigadas Anti-Totalitárias (BAT) "Quando ouvires os sinos da tua freguesia tocar a rebate, vem para a rua com as armas que tiveres: caçadeiras, pistolas, picaretas, enxadas ou gadanhas". Noutro papel, explicavam que "é urgente prepararmo-nos para desencadearmos por todo o Portugal uma cruzada branca contra a opressão vermelha, contra o comunismo estrangeiro, usurpador, opressor e ateu".

Alpoim Calvão assume as bombas do MDLP até ao 25 de Novembro. "Antes disso, podem dizer que fui eu que as mandou pôr, a todas, que eu não desminto. Depois disso, nem uma", garantia, a 13 de Fevereiro de 1994, numa entrevista ao Público, que integra o arquivo do Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra.

Maria da Fonte. A maior curiosidade do movimento criado por Paradela de Abreu (o editor de Portugal e o Futuro, de Spínola) foi o facto de o seu mentor rapidamente ter descoberto, conforme explica no seu livro, que só havia uma estrutura capaz de fazer frente à implantação dos comunistas a Igreja Católica. E terá sido ele a contactar o arcebispo de Braga, que indicou o cónego Melo como mediador.

"Cada diocese tem muitas paróquias, logo muitas igrejas, logo muitos sinos. Milhares de sinos ao norte do rio Douro. Centenas de milhares de católicos. Ao pensar nesta 'estrutura' em termos de eventual guerra interna, constatei que o País já estava 'quadriculado' militarmente. Cada paróquia seria uma 'base'. Cada igreja de granito ancestral, um 'reduto'. Cada sino um 'rádio transmissor'. Cada quinta perdida nas serras, um 'apoio logístico'" (ob. cit.).

Desencontros. Durante algum tempo, todas os atentados e sabotagens foram atribuídos a uma única rede. E, no entanto, havia divergências profundas. Alpoim Calvão escreveu no seu livro que "o ELP propunha-se finalidades e formas de actuação com que não concordávamos. Só nos unia o anticomunismo, factor importante, mas não suficiente". Na entrevista ao Público desabafava que "havia um pirata chamado Paradela de Abreu, mas que era um pirata útil. E a ligação do seu movimento - Maria da Fonte - connosco era feita pelo Eng. Jorge Jardim, por quem eu tinha consideração e admiração".

Paradela também não poupa os outros nas memórias sobre esses anos. "Fomos ao bar do Hotel Melià [em Madrid], onde cabiam à volta de uma mesa todos os activistas do ELP"; "Spínola preferia conspirar em Copacabana, Espanha e Suíça"; Alpoim "esteve em Portugal três ou quatro vezes durante a luta popular no Norte", pois "muito mais tranquilo era o escritório na Calle Lagasca, em Madrid, ou a bonita casa de Segóvia".

João Paulo Guerra (Polícias & Ladrões, Ed. Caminho) enumerava "uma estranha amálgama de discursos em defesa da 'ordem', da propriedade privada, da pátria e da família, com o submundo da droga, do contrabando e do crime, com o bas-fond das cidades e das pequenas vilas, com mercenários desempregados de guerra, com revanchistas colonialistas, com ex-pides, com filhos-família e com chulos".

E Eduardo Dâmaso, em A Invasão Spinolista (Ed. Fenda), ironizaria que "a preparação da 'subversão interna' e a forma como arranjaram armas para a 'guerra' são ingredientes do mais puro romance de John le Carré, ainda que 'à portuguesa'". Mas só deu para umas sequências do filme de Fonseca e Costa Kilas, o Mau da Fita.


LONDON LATIN MASS SOCIETY

sábado, 18 de dezembro de 2010

Since I was in Westminster Cathedral on Saturday afternoon (venerating the Relic Image of Our Lady of Guadaloupe) I was able to see the beginning of the regular Low Mass organised by the Latin Mass Society in a side chapel. This takes place on the 2nd Saturday of each month.

LMS Saturday Mass in Westminster Cathedral

Not being a Londoner I've not seen this before. It is good to see the side chapels being used for Mass, although the faithful were spilling out into the nave.

Something else I've not seen before was the Tabernacle in the Blessed Sacrament Chapel dressed in Rose (for Gaudete Sunday).

There are photos here

The Latin Mass Society organises a monthly Low Mass in Westminster Cathedral, at 4.30pm on the 2nd Saturday of the month. This one was the day before Gaudete Sunday (hence the Cathedral's Tabernacle has a Rose veil) and coincidentally the weekend of the visit of the Relic Image of Our Lady of Guadaloupe to the Cathedral.

DE:


Tuesday, 14 December 2010

PREC: ELP, PARADELA DE ABREU, JORGE JARDIM E D. FRANCISCO MARIA DA SILVA

 


30 anos do PREC: O Norte a ferro e fogo

Manuel Catarino

Correio da Manhã

O povo do Norte do País foi surpreendido, a partir do início de Junho de 1975, por vários panfletos do ELP (Exército de Libertação Português) – um grupo de extrema-direita disposto a travar a tiro, à bomba e pelo fogo os que chamava de «assassinos comunistas». A propaganda distribuída clandestinamente pelo ELP era um claro apelo ao terrorismo: «Cada Português deve ser um Combatente».

Sedes do PCP, do MDP/CDE e da UDP foram atacadas à bomba, assaltadas ou reduzidas a cinzas por fogo posto. Ao longo do “Verão Quente” de 1975, registou-se pelo menos uma centena de atentados, sobretudo no Norte do País. Os primeiros tiveram como alvo a sede do MDP/CDE, em Bragança, no dia 26 de Maio, e o Centro de Trabalho do PCP, de Fafe, em 12 de Junho. Ao lado do ELP nestas acções directas o Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP) – dois movimentos ligados à extrema-direita civil e militar que actuavam clandestinamente a partir de Espanha.

Entre esses “exilados” no outro lado da fronteira, estavam Paradela de Abreu – o homem que em Fevereiro de 1974, no estertor do Regime, editou o livro de António de Spínola, Portugal e o Futuro, que defendia uma solução política para as colónias e abriu caminho ao golpe de 25 de Abril – e o engenheiro Jorge Jardim, antigo secretário de Estado de Oliveira Salazar, que ganhou fama e glória em Moçambique, como empresário, político, agente secreto, amigo pessoal de Ian Smith, líder da Rodésia, e do presidente Banda, do Malawi.

Paradela de Abreu tinha um plano – um plano aparentemente impossível de pôr em prática: pretendia colocar a Igreja no combate de acção directa contra o avanço da revolução. Sonhava fazer de cada padre um chefe político, servir-se dos púlpitos como tribunas de esclarecimento, transformar cada paróquia num reduto anticomunista. Este sonho de Paradela era o embrião do movimento “Maria da Fonte” – uma tendência que acabou por aglutinar o ELP e o MDLP.

O Norte do País, região tradicionalmente mais conservadora, seria terreno fértil para lançar as sementes do movimento “Maria da Fonte”. Era preciso, no entanto, colocar a Igreja do mesmo lado. Aqui entra o engenheiro Jorge Jardim, personagem talhado para as artes das operações especiais. Jardim põe então em prática um temerário plano, digno de um enredo de espionagem, para envolver a hierarquia da Igreja do Norte na luta da contra­‑revolução. Primeiro passo: obter o apoio do arcebispo de Braga, D. Francisco Maria da Silva.

Nem Jorge Jardim, nem Paradela de Abreu falaram com o prelado. Se ele afastasse qualquer hipótese de colaboração o plano iria por água abaixo – risco que eles não quiseram correr. Escolheram caminhos ínvios. Empurraram o arcebispo para a luta sem ele suspeitar, por um segundo, que estava a ser manobrado.

Em meados de Junho de 1975, faz agora 30 anos, D. Francisco Maria da Silva estava de partida para uma viagem pastoral ao Brasil. O avisado Jorge Jardim viu aí uma oportunidade de ouro.

Fez chegar uma carta anónima ao COPCON – uma espécie de “guarda pretoriana” da revolução comandada por Otelo Saraiva de Carvalho – com uma mentira calculada: D. Francisco Maria da Silva preparava­‑se para abandonar o País, com destino ao Brasil, na posse de muito dinheiro que não lhe pertencia. No dia da viagem, 13 de Junho, quando chegou ao Aeroporto das Pedras Rubras, o arcebispo foi imediatamente cercado por um pelotão de espingardas G-3 aperreadas. D. Francisco Maria da Silva sofreu a maior humilhação da sua vida. Os militares levaram-no à força para uma sala e despiram-no dos pés à cabeça. A bagagem foi revistada. Mas do dinheiro nem o mais leve sinal. O arcebispo sentiu na pele as agruras da revolução. Era isso que Jorge Jardim e Paradela de Abreu pretendiam – que ele se sentisse ofendido com os desmandos da tropa.

Quando regressou do Brasil, em finais de Junho, o arcebispo vinha disposto a travar um combate contra o Partido Comunista. A estratégia engendrada pelos líderes do movimento “Maria da Fonte” resultara em cheio. Paradela de Abreu entra clandestinamente em Portugal para um encontro com D. Francisco Maria da Silva. O arcebispo aceita colocar a “sua” Igreja ao serviço do grande desígnio da luta anticomunista e destaca um eclesiástico do cabido da Sé de Braga para apoiar a revolta – o então cónego Eduardo Melo.

Nas semanas que se seguiram, o Norte de Portugal ficou a ferro e fogo: registaram-se durante o Verão, pelo menos, uma centena de atentados contra sedes do PCP, MDP/CDE e UDP. Enquanto as sedes comunistas eram atacadas, a Igreja organizava manifestações nas principais cidades do Norte – foi assim em Aveiro, Bragança, Coimbra, Lamego, Braga, Vila Real, Viana do Castelo.

REVOLUÇÃO DIA A DIA

12 de Junho – Todas as empresas de transportes públicos nacionalizadas dão origem a uma só – nasce a Rodoviária Nacional; Militares do MFA passam a dirigir a Emissora Nacional.

13 de Junho – O Presidente da República, general Costa Gomes, parte em visita à Roménia.

16 de Junho – Assalto à sede da UDP em A-Ver-o-Mar, distrito do Porto.

18 de Junho – Manifestação promovida pela UDP à porta do Patriarcado, em Lisboa, em defesa da ocupação da Rádio Renascença pelos trabalhadores. Contra-manifestação a favor do patriarcado acaba em pancadaria.

MONSENHOR EDUARDO MELO

Uma estátua está guardada num armazém desde 2003 à espera de ocasião para ser colocada no centro de uma rotunda de Braga – a de monsenhor Eduardo de Melo Peixoto, ainda vivo. A obra está à altura da personalidade: oito metros de altura e três toneladas de peso. O episódio da estátua é revelador da fama do clérigo pelo Minho. Os amigos que encomendaram a estátua amam-no. Mas os que não esquecem o papel de Eduardo Melo no terrorismo de extrema-direita que incendiou o Norte movimentaram-se para impedir que a estátua visse a luz do dia. Monsenhor Melo resignou, há dois anos, ao cargo de vigário-geral da diocese.

LIÇÕES DO ELP SOBRE TERRORISMO

Panfletos distribuídos pelo Exército de Libertação Português ensinavam detalhadamente como fabricar os cocktail Molotov – mistura incendiária numa garrafa, como eles diziam, a «arma por excelência da guerrilha urbana».

A mistura era composta por gasolina (50 por cento), óleo utilizado nos motores de automóvel (25 por cento) e ácido sulfúrico (25 por cento). No exterior da garrafa, deveria ser fixada com fita adesiva uma compressa de gase em forma de saco – que levaria lá dentro uma porção de clorato de potássio equivalente a duas colheres de sopa e a mesma quantidade de açúcar branco, refinado. «Ao ser lançada contra o objectivo, a garrafa parte­‑se. A mistura de gasolina, óleo e ácido sulfúrico incendeia-se e explode em contacto com o clorato de potássio misturado com o açúcar».

O ELP identificava os alvos dos cocktails Molotov: «as forças repressivas do PC-MFA»; «manifestantes»; «sedes de partidos e residências».





O CÓNEGO MELO


Sexta-feira, Maio 02, 2008

Sobre a morte do Cónego Melo

O pesar

O CDS apresentou hoje no Parlamento um voto de pesar pela morte do Cónego. Votos favoráveis do CDS e PSD, votos contra do PCP, BE e PEV, sendo que o PS - o outro partido da direita portuguesa - se absteve hipocritamente e grande parte dos seus deputados saiu da sala antes da votação.

Seguiu-se um minuto de silêncio, onde sairam mais alguns do PS e todos os deputados do Bloco. Sendo lastimável a votação no orgão soberano da República um pesar por esse senhor, a questão que se coloca é o porquê do minuto de silêncio.. ele até era adepto das explosões...

Sócio fundador dos vários Clubes dos Amigos da Bomba: o País a ferro e fogo

Foi activista e próximo de movimentos tão respeitáveis como o ELP, o MDLP e o Maria da Fonte. Foi a par com os seus amigos fascistas Alpoim Calvão ("o vulto mais procurado das redes bombistas de direita" que esteve escondido no Seminário de Braga), Paradela de Abreu (fundador do Maria da Fonte), Spínola (líder do MDLP), Barbieri Cardoso (subdirector da PIDE/DGS e comandante do ELP), e os industriais manos Ferreira Torres entre outros, responsável pelo Verão Quente de 75 em que as sedes dos partidos de esquerda (PCP, MDP/CDE e UDP) foram selvaticamente vandalizadas, incendiadas e atacadas à bomba. Além das sedes dos Partidos ainda o foram as sedes de sindicatos e de associações populares. Mais grave ainda foram as bárbaras agressões a militantes e simpatizentes do PCP e o assassinato do Padre Max (Maximino Barbosa de Sousa, 32 anos, candidato da UDP) e da estudante Maria de Lurdes Pereira, 19 anos, vítimas de um ataque bombista. Estes assassinatos ocorreram já em 1976, muito depois do 25 de Novembro - data histórica para a reacção em Portugal. Ainda, as bombas na Embaixada de Cuba - que mataram 2 diplomatas - e o carro armadilhado junto à sede do PCP na Avenida da Liberdade - que matou uma mulher no dia 1 de Maio - foram outras das muitas actividades destas organizações.

Sé em Julho de 1975 ocorreram 86 acções de violência contra centros de trabalho e dirigentes do PCP e em Agosto, foram contabilizados 153 assaltos, dos quais 55 com destruição dos centros de trabalho do PCP, 25 do MDP/CDE, 39 fogos-postos, 15 bombas e dezenas de agressões. De relevo que, segundo a Polícia Judiciária Militar, só em 1976 e depois da suspensão do Movimento por Spínola no exílio (!), antigos militantes do MDLP ainda fizeram 453 acções terroristas.

Estas organizações eram financiadas por "figuras ligadas à banca e à indústria no antigo regime, como António Champalimaud, Manuel Bullosa, Queirós Pereira e Miguel Quina" e ainda a um nível de estruturas operacionais pelos Manos Ferreira Torres (o irmão mais velho de Avelino, Joaquim, foi assassinado antes do seu julgamento e curiosamente os agentes da PJ que investigavam o crime também sofreram um acidente de viação entre Viseu e Mangualde) ou Valentim Loureiro. Em termos de actividade ofensiva, para além dos referidos em cima, "Ramiro Moreira, chefe de segurança do então PPD, (...) e Manuel Macedo, industrial nortenho agora alvo de uma investigação da Polícia Judiciária por suspeitas de espionagem a favor da Indonésia". Apesar da variedade de organizações no terreno tudo se misturava e o objectivo era sempre o fim dos comunistas. Destas organizações faziam parte a maior parte ex-agentes e oficiais da PIDE e da Legião Portuguesa.

Não tendo estado directamente envolvido em todas as actividades terroristas, o Cónego Melo foi sem dúvida, e aproveitando-se da profunda religiosidade das gentes do Norte, um activista e militante do MDLP que despoletou, patrocinou, defendeu e incentivou o ódio aos comunistas e outros progressistas através de discursos inflamados muito apropriados para quem desejava uma guerra civil para limpar os comunistas de vez e recuperar o regime que a Igreja, durante 48 anos, apoiou. Alcançou muitos dos seus propósitos, mas morreu primeiro que os comunistas!

Documentos históricos

Excerto da propaganda do ELP:

O Exército de Libertação português (ELP) agradece a todos aqueles que, no CDS, PPD, PDC, igrejas, paróquias, bancos, etc., ou em iniciativas de carácter privado, têm apoiado a nossa justa luta, criando um clima propício para a nossa entrada em acção com o fim de limpar o País de todos os cães comunistas e traidores, que nos tentam impedir de sermos o que sempre fomos e de dispormos de nós como muito bem entendemos.

Curioso que o ELP agradeça em 1975 aqueles que votaram hoje o pesar pelo Cónego Melo, às igrejas e aos bancos. Deveras curioso.

Excertos da propaganda do MDLP:

Quando ouvires os sinos da tua freguesia tocar a rebate, vem para a rua com as armas que tiveres: caçadeiras, pistolas, picaretas, enxadas ou gadanhas.

é urgente prepararmo-nos para desencadearmos por todo o Portugal uma cruzada branca contra a opressão vermelha, contra o comunismo estrangeiro, usurpador, opressor e ateu

Mais uma vez é curiosa a referência às igrejas e à cruzada branca.

Não é por acaso que quando Paradela de Abreu cria o grupo Maria da Fonte sabia que "só havia uma estrutura capaz de fazer frente à implantação dos comunistas, a Igreja Católica":

"Cada diocese tem muitas paróquias, logo muitas igrejas, logo muitos sinos. Milhares de sinos ao norte do rio Douro. Centenas de milhares de católicos. Ao pensar nesta 'estrutura' em termos de eventual guerra interna, constatei que o País já estava 'quadriculado' militarmente. Cada paróquia seria uma 'base'. Cada igreja de granito ancestral, um 'reduto'. Cada sino um 'rádio transmissor'. Cada quinta perdida nas serras, um 'apoio logístico'"E terá sido ele a contactar o arcebispo de Braga, que lhe indicou o cónego Melo como mediador."

Moral da História

A morte não lava mais branco. Como diriam algumas pessoas, que a terra lhe pese como chumbo!

Mais informação e referências em:


ou


As outras citações referem-se ao dossier do Público sobre o 25 de Novembro, que curiosamente já não se encontra disponível mas podem-se ler excertos aqui.


Sunday, 12 December 2010

CEIA DE SANTA ISABEL EM LISBOA


Ceia de Santa Isabel

"Não é só um sítio onde se dá de comer"



No centro de Lisboa, um grupo de católicos "preocupados com a crise" organiza, há um ano, jantares "de porta aberta". "Comida muito boa" e um acolhimento caloroso atraem cada vez mais gente às ceias com nome de rainha milagreira

"Comer quentinho"

Sopa de ervilhas, carne de porco com castanhas, baba de camelo e doce do céu. A ementa está escrita num quadro à porta do salão paroquial da igreja de Santa Isabel, em Campo de Ourique, cuja porta abriu às 19.30. Qualquer pessoa - muito, pouco ou nada necessitada - pode aparecer. A acolhê-la, está um "dono da casa", espécie de chefe de sala deste restaurante sui generis onde todo o serviço (confecção, compra e recolha de alimentos) é feito por voluntários e financiado por dádivas diversas. Tão diversificadas como se desejam os clientes - de idosos da zona a gente que "vem de autocarro de Benfica e de Belém"; de reformados e desempregados a crianças de um colégio privado que esta noite vêm, no âmbito da disciplina de "Solidariedade", passar uma noite com "pessoas que não têm a possibilidade de ter uma refeição destas todos os dias" (Joaquim, 10 anos); de sem abrigo a paroquianos entre rezas e reflexões comunais que vêem nisto uma parte da sua prática religiosa; ou, simplesmente, quem goste do ambiente e da comida e do preço e faça disto um hábito.

Hoje a dona da casa é Mafalda Folque. 45 anos, funcionária do Ministério da Cultura, católica mas da "equipa" da capela do Rato ("O meu marido é que costuma vir a Santa Isabel"), dirige a sala esta noite. É dela que Maria de São José Tavares, 54 anos, médica, em estreia nestas lides, recebe instruções de como orientar o serviço de café e chá. "Venho porque acho que devemos ter um papel de solidariedade e de partilha. E que é preciso multiplicar as iniciativas, em vez de ficarmos à espera que alguém faça", diz a novata. "Isto em vez de ser a excepção devia ser uma rotina."

Está tudo no lugar - os pratos e as velas acesas nas mesas, a sopa em caldeirões ao fundo do lado direito mais os jarros de água, os tabuleiros com a carne e o arroz do lado esquerdo - quando chega o primeiro conviva, Agostinho Machado, 83, ex-pintor da construção civil. Um homem pequenino, com uma reforma de 240 euros, que vive com o filho, "empregado numa casa qualquer". "Ele ganha pouco, se eu não precisasse não vinha cá. E aqui como o comer quentinho, é bom. Ao menos enche a barriga." Soube da ceia na igreja ("Moro aqui ao pé, sou católico. Casei aqui. Há muitos anos") e sobre a clientela é reservado. "Há de tudo. Conheço pessoas, mas há pessoas com quem não se pode ter muita conversa. A gente nunca deve dar confiança."

"Fazer comunidade"

Confiança, dir-se-ia, é exactamente o que se oferece aqui, nesta ideia de mistura, de sentar toda a gente na mesma mesa. Isso que exalta a voz de Maria Cortez de Lobão, 49 anos, auto classificada "mãe de família" (sete filhos entre os 20 e os 4): "Não é só um sítio onde se dá de comer. É dar o que somos, fazer comunidade". Maria é a pessoa que na Igreja de Santa Isabel referem como a certa para explicar o que é isto, esta ceia de que se ouviu falar e onde qualquer pessoa pode ir, lançada em Janeiro deste ano às quintas e, desde Outubro, também aos domingos. "A ideia disto era prover a outro grupo de pessoas que não aquelas para as quais já há respostas organizadas. Não sabemos quando as pessoas precisam... Vem aqui gente que à partida não pareceria precisar e só ao fim de muitos dias se abre - se se abrir - e ficamos a saber que tem necessidades. É isso que queremos: que ninguém fique sozinho com as suas aflições." A construção da ideia levou mais ou menos seis meses. Foi preciso fazer obras e equipar uma pequena cozinha (frigorífico, máquina de lavar loiça industrial, fogão) e organizar equipas de voluntários que, entre os que recolhem os géneros, os que cozinham e os que ajudam na sala e arrumam no fim, somam cerca de 130 pessoas. E foi preciso, claro, arranjar dinheiro para pagar o que tem de ser pago. "Nunca se gasta menos de 400 euros por jantar, mesmo com tudo o que é oferecido." A sopa das quintas-feiras (hoje de ervilha, 20 litros), por exemplo, vem do restaurante Avis, recolhida por um administrador de uma empresa da área da comunicação que se apresenta como "sopeiro" (noutros dias é "dono da casa") e prefere ser identificado só como "António". O pão, 50 "bolinhas de mistura" com o valor de venda de 8,50 euros, é oferta da Panificação Mecânica, da Rua Silva Carvalho, cujo proprietário, António Martins Gaspar, 64 anos, se preocupa "com as pessoas que têm necessidade de ir à ceia e não vão por vergonha, enquanto outras com dinheiro no banco vão lá", e "levantado" pela voluntária Rosália Tatone, 69 anos, que, reformada com 360 euros e a pagar 200 de renda, acumula com a frequência das ceias. O minimercado Aba, onde se compram "os frescos", ofereceu um saco de alfaces e cheiros no valor de 20 euros, correspondente a mais de um terço da conta, que inclui de legumes e fruta a ovos e leite condensado e é recolhida por Pedro Andrade e Sousa, 57 anos, empresário da construção. "Temos um apoio do Recheio Cash & Carry que vamos buscar uma vez por mês, mas quisemos fazer as compras no bairro não só para ajudar o comércio local e insistir nesta ideia de comunidade, como porque é mais fácil assim; para ir buscar coisas a um hipermercado ou ao Banco Alimentar era preciso outra logística, mais complicada", explica ainda Maria.

E o dinheiro vem de onde? "Dádivas diversas", que incluem um escritório de advogados, uma fundação e variados anónimos. E o produto das contribuições que nas noites da ceia são depositadas numa caixa colocada na sala para o efeito, e que pode ficar vazia ("Só aconteceu uma vez") ou meio cheia mas que raramente ultrapassa os 40 euros - um décimo do custo estimado para os 80 jantares (uns 700 por mês) que têm sido a regra.

"Uns dos outros"

Podia sair muito mais barato, mas a resolução de partida era "dar uma boa refeição", com sopa, carne ou peixe e sobremesa. Comida de que todos gostassem, receitas escolhidas pelos voluntários entre aquilo para que "tivessem jeito". Comida que todos comem, incluindo, no fim da noite (que acaba às 9 e tal), quem cozinha - hoje Amélia Nogueira Pinto, 46 anos, neurologista, Cristina Melo Vieira, 49, fisioterapeuta, Maria João Robalo, 47, educadora de infância e Mafalda Folque (filha da dona da casa de serviço), 15 anos, estudante. Desde as cinco da tarde que se afadigam à volta do tacho onde 13 quilos de carne, quatro de castanhas e outros tantos litros de vinho borbulham.

Um espaço interdito a quem não esteja fardado de toca e bata, como Duarte, Miguel e Tomás, 15/16 anos, que ajudam a pôr as mesas, dispõem a fruta em taças e depois andam de mesa em mesa, a distribuir piropos e beijos às senhoras. Como a artista gráfica Maria Adelaide Nobre, 79 anos joviais malgrado de uma trombose há 10, que conta histórias dos jornais e "daquele do laço" (Baptista Bastos) e vive desde que nasceu na mesma casa de Campo de Ourique. Ou Maria Cândida de Marques Antunes, 78 anos, reformada da casa de tintas Varela, que só recebe 200 euros de reforma porque nunca descontou para a Segurança Social: "Antes do 25 e Abril não descontávamos. Nem eu nem ninguém."

Noutra mesa, Hélder Lopes, 42 anos, e Elsa Teixeira, de 46 são, descontando as crianças que hoje vieram, dos clientes mais novos. Já se conheciam antes e vêm, dizem, "para conviver, passar o tempo" - ele identifica-se como funcionário público, ela como trabalhando nas Amoreiras. Não frequentadores das igrejas da zona, souberam disto pela mãe dele. E acham bem: "Toda a gente precisa uns dos outros."

"O amor de Deus"

Há quem apareça só para falar, garante António, o "sopeiro". Mesmo se "no princípio as pessoas, nem imagina, iam a correr para a comida. Levavam aos seis bocados de pão, com medo que acabasse. E enchiam os pratos de tal modo que depois não comiam tudo, era um desperdício. Tivemos que explicar que podiam voltar a servir-se e que tinha de haver regras. Agora já sabem: levanta-se uma mesa de cada vez."

A ordem está bem interiorizada. Mal a dona da casa toca um sino, toda a gente se levanta, em silêncio. Já sabem o que se segue: uma oração, um ritual breve antes que seja dado o sinal de partida para os tabuleiros onde fumegam as cheirosas vitualhas. "Nada lhes é pedido, nem sequer imposto", responde Maria Cortez de Lobão à pergunta sobre este momento de proselitismo. "Não obrigamos nin- guém a rezar, mas nunca pusemos sequer a hipótese de isto não acontecer. É o que somos, a nossa identidade. O que nos move é o amor de Deus e Deus ama todos, não só aos seus. Não fazer isto era como chegar aqui e falar outra língua. E nunca ninguém protestou."

Há às vezes, claro, uma outra arruaça. Uma porta escancarada tem desses riscos. Hoje é um homem que entra, muito zangado. Quando lhe oferecem comida, recusa: "Eu não como, fico o dia sem comer!" Interpela António Serrano, 62 anos, um dos voluntários, que está sentado a jantar: "Ó senhor padre, desculpe lá, onde é que está a D. Teresa, que me prometeu dar dinheiro?" Serrano nega ser padre e diz que a D. Teresa não está. O homem berra: "Prometem mundos e fundos e não ajudam as pessoas." No meio da sala cheia, saciada, agora nas sobremesas (e nada para prender a atenção como os doces) a irrupção desenha sorrisos complacentes, perplexos.

"Tão difícil imaginar"

Junto aos tabuleiros agora quase vazios, José Pinto, 51 anos, desempregado desde 1987, tira de um saco de plástico um recipiente. São nove e pouco, as portas estão quase a fechar e o costume é dar o que resta a quem quiser levar para casa. Ex-secretário de advogado, licenciado em Filosofia, mestre em Direito, 3º ano de económicas, José vive "das reservas". Vem às ceias sempre. "E tento levar alguma coisa. Como vê."

Há quem deixe qualquer coisa. Maria da Glória, 52 anos, e Jorge Neves, 72, ele "desenhador", ela "que toma conta de idosos" (e, explica ele num sorriso maroto, "Por isso está a tomar conta de mim, vamos casar"), não saem sem visitar o mealheiro. Já na rua, de braço dado e o passo ligeiro de quem passou um bom bocado, acedem às perguntas. "Moramos aqui mesmo ao pé, viemos pela primeira vez há três meses e sentimo-nos bem. Mais pelo convívio mas também pela comida, que é espectacular. Isto é para pessoas mais carenciadas, mas deixamos qualquer coisa. O que podemos." Hoje deixaram quatro euros, às vezes, garantem, deixam cinco.

No dia seguinte, as contas revelam uma noite em cheio: 93.10 euros. Ao telefone, a sempre enérgica Maria festeja: "Foi das melhores. Devem ter sido os miúdos, havia muitas notas de cinco. Tinham-lhes dito na escola que só davam se quisessem e, pelos vistos, deram." O preço de um bilhete de cinema. Talvez, como diz o louríssimo Faustino, de 12 anos, aluno do liceu Rainha D. Amélia que veio com o irmão Luís, de 10, do colégio de Santa Maria, "porque é tão difícil imaginar o que será não ter sempre uma refeição a horas." E os milagres, de pães, rosas ou euros, não são assim tão frequentes.

por FERNANDA CÂNCIO



DIÁRIO DE NOTÍCIAS 12-12-2010




Thursday, 9 December 2010

JOÃO PAULO II FLAGELAVA-SE EM SEGREDO

Slawomir Oder

João Paulo II. O Papa que se flagelava em segredo

O sacerdote polaco tornou-se advogado de defesa: passou cinco anos a investigar a vida de Karol Wojtyla para apresentar provas da sua santidade

João Paulo II flagelava-se em segredo com um cinto das calças que guardava no roupeiro, dormia despido no chão do quarto mas desarrumava a cama para que no dia seguinte ninguém desse por isso e, em 1989, escreveu uma carta a pedir a demissão das funções caso a doença o incapacitasse.

Estes detalhes da vida de Karol Wojtyla eram até agora desconhecidos. Mas foram descobertos, e revelados, por Slawomir Oder, o sacerdote escolhido para postular a causa da beatificação de João Paulo II. O padre polaco passou cinco anos a recolher provas e testemunhas: ouviu 114 pessoas - entre as quais se incluem três não católicos e um judeu -, e através desses testemunhos e de alguns documentos secretos conseguiu reconstruir uma imagem inédita do Papa.

Slawomir Oder acredita que beneficiou do "factor pós-morte". "Se tivesse investigado enquanto João Paulo II estava vivo não teria descoberto tanto. Algumas testemunhas preferem manter silêncio enquanto a pessoa em causa está viva. Só depois se sentem livres para contar", argumenta.

A carta de renúncia tinha sido mantida em segredo pelo Vaticano. O hábito de usar o cinto como chibata, no Vaticano como na Polónia, era segredo só para alguns: chegou aos ouvidos de membros da comitiva mais próximos. O hábito de dormir nu no chão do quarto ou os jejuns rigorosos não escaparam aos olhares da governanta de Cracóvia, nos tempos em que ainda era arcebispo. Para o sacerdote que se transformou numa espécie de advogado de defesa de João Paulo II, falar de práticas masoquistas é despropositado. "Não o fazia para infligir castigos ao seu corpo. É simplesmente uma prática cristã, da tradição dos carmelitas a que ele permaneceu fiel toda a vida."

Oder conta outros pormenores da vida do Papa que vão além das práticas religiosas. João Paulo II era obcecado com os discursos - antes de ir ao Japão transcreveu as palavras com a fonética japonesa, antes de ir ao Guam escutou durante horas gravações de saudações em chamarro e antes de ir à Papua-Nova Guiné fez questão de aprender pidgin para saudar o povo indígena. Ficava envergonhado por usar bengala (defendia-se dizendo que era instrumento de pastor e não de velho). E tinha uma enorme lucidez sobre o seu estado de saúde: "Julga que não vejo na televisão como estou?", reagiu um dia perante um colaborador.

Encontros imediatos No dia do funeral, milhares de fiéis ergueram cartazes a pedir "Santo, já". Mas para a Igreja Católica a fama de santidade não é suficiente para a beatificação. "Não basta que ninguém duvide que aquele homem é santo. É preciso cruzar fontes e detalhar o que fez na vida antes e depois de ser Papa", explica Slawomir Oder. É ainda necessária a confirmação de um milagre, considerado pela Igreja Católica "o selo de Deus". Oder descobriu mais: 1500 milagres, contados em 1500 cartas. Um deles - a cura inexplicável, em 2005, de uma madre francesa que sofria de Parkinson - está a ser analisado e é a peça-chave que falta para a beatificação de João Paulo II.

por Sílvia Caneco, Publicado em 09 de Dezembro de 2010

I ONLINE 9-12-2010