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Thursday, 17 April 2014

FUNDADOR DO RE-FOOD PREVÊ ABERTURA DE MAIS CENTROS


Fundador do"Re-food" prevê abertura de 15 a 20 centros no país até final do ano

O projeto que lançou é apenas um exemplo do que é possível fazer ao nível das comunidades, que considera terem imenso poder e precisam apenas de serem mobilizadas

O fundador do projeto "Re-food" estima que este ano abram entre 15 a 20 centros de redistribuição de comida em todo o país, entre eles os núcleos algarvios de Almancil e Algoz, cuja implementação é apoiada por Hunter Halder.

  Em declarações à agência Lusa, Hunter Halder disse esperar que aos quatro já em funcionamento em Lisboa possam somar-se, até ao final deste ano, entre 15 a 20 novos núcleos de "Re-food", que funcionam com voluntários que recolhem refeições que sobram dos restaurantes e as distribuem pelos carenciados.

No Algarve, estão agora a ser constituídos os núcleos de Algoz-Tunes, em Albufeira, e de Almancil, onde já existe um espaço cedido por uma associação para montar o centro de operações. Segundo Alexandra Brito, impulsionadora do projeto em Almancil, foi necessário um intenso trabalho de divulgação até ao momento de criação de uma equipa com os gestores que irão ajudar a abrir o centro de operações, trabalho feito em ligação com o núcleo de Algoz.

  Além da angariação de voluntários, que terão em média uma participação de duas horas semanais, os grupos de gestores terão de contactar restaurantes e cafés que poderão disponibilizar a comida que sobra diariamente ao "Re-food" e identificar os potenciais beneficiários.

O fundador Hunter Halder, americano residente em Lisboa, contou à agência Lusa que lançou o projeto sozinho quando pegou na sua bicicleta para recolher refeições que sobravam nos restaurantes e cafés do seu bairro para distribuir pelas pessoas carenciadas.

Aquele responsável observou que o projeto que lançou é apenas um exemplo do que é possível fazer ao nível das comunidades, que considera terem imenso poder e precisam apenas de serem mobilizadas.

“Acho importante que as pessoas tenham conhecimento de que têm poder para mudar o mundo na sua própria comunidade, que não têm de esperar pelo Governo, nem por uma empresa, nem por ninguém”, afirmou. Desde o início do projeto já foram entregues 300 mil refeições, estando os quatro núcleos de Lisboa a entregar uma média de 15 mil refeições por mês a cerca de 845 beneficiários, concluiu.

Friday, 7 February 2014

DESEMPREGADOS LUTAM CONTRA A SOLIDÃO E A DEPRESSÃO COM A AJUDA DA CARITAS


Desempregados lutam contra a solidão e a depressão nos Grupos de Interajuda Social (GIAS), promovidos pela Cáritas, onde partilham experiências de vida, medos e ideias para tentar superar as dificuldades causadas pelo desemprego, que atinge milhares de portugueses.
  
"Em Portugal, o desemprego é o maior flagelo, pela sua dimensão numérica mas também pelos novos contornos que apresenta e não pode ser combatido somente com os procedimentos de intervenção tradicionais", afirmou a psicóloga Isabel Cordovil, que está a dinamizar o projecto a nível nacional.
 
Isabel Cordovil adiantou à Lusa que, em Abril de 2011, a Cáritas Portuguesa entendeu que seria conveniente apoiar as pessoas que estão desempregadas, em risco de empobrecimento e de ficarem isoladas.
 
 Para isso, promoveu a criação dos GIAS, em que podem participar entre oito a 12 pessoas, que reúnem semanalmente ou quinzenalmente durante duas horas com o apoio de monitores.
"O GIAS não é um grupo orientado para a procura activa de emprego, nem orientado para a ajuda económica directa. É um grupo que apoia o encaminhamento para a resolução de problemas vividos", explicou.
 
 Nos encontros, as pessoas "partilham experiências de vida, perdas e medos, competências e boas ideias, com o objectivo de tentar superar as dificuldades associadas à situação de desemprego e de reencontrar um caminho de confiança e esperança".
 
 A experiência piloto decorreu entre Março de 2012 e Julho de 2013 na junta de freguesia de Santa Isabel, em Lisboa, onde decorreram 59 reuniões participadas por 33 desempregados de várias idades, qualificações e diversas experiências de desemprego.
 
 Quinze destes participantes encontraram novas situações de trabalho e "muitos tornaram-se cidadãos mais activos e empenhados em voluntariado de proximidade", disse Isabel Cordovil.
Actualmente há grupos a funcionar em Leira, promovido pela Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima, e em Setúbal, dinamizado pela Cáritas local. Na próxima semana, arrancará um novo grupo no Centro Social Paroquial da Quinta do Conde.
 
 Para Nelson Costa, técnico da Caritas Diocesana de Leiria e animador do grupo, estes encontros funcionam como "um antidepressivo para muitas pessoas que estão fechadas em casa".
  
No grupo de Leiria estão quatro homens e duas mulheres, com idades entre os 30 e os 54 anos, mas a próxima reunião contará com mais duas pessoas. "É o passa palavra", comentou Nelson Costa.
O animador contou que os participantes chegam à reunião um pouco desalentados, envergonhados e com algum receio, mas "com o passar dos minutos" começam a conversar, a trocar ideias e a encorajarem-se uns aos outros.
 
 "As pessoas não vêm com o sentido de que o grupo é um frete. Às vezes [devido ao tempo] até temos de cortar a palavra porque as pessoas se entusiasmam", comentou.
Apesar de ainda só terem decorrido duas sessões e ser "um grupo díspar a nível de experiência profissional e de vivências, é um grupo que se uniu e que sabe, acima de tudo, respeitar muito o espaço e a personalidade de cada um", frisou Nelson Costa.
 
 Ana Carvalho, do Centro Social Paroquial da Cova da Piedade, que está a lançar o primeiro GIAS no concelho, considerou "fundamental e crucial" este apoio aos desempregados para não caírem numa situação de isolamento.
 
 "É importante que se sintam integradas, porque as pessoas ficam fragilizadas numa situação de desemprego e pensam que estão à margem da sociedade", adiantou Ana Carvalho.
  
A Cáritas Portuguesa sublinhou que tem "colocado muito do seu empenho" nos GIAS devido ao "desemprego ser hoje o principal motivo de empobrecimento das famílias", e o isolamento uma das consequências desta situação.
 
 Em Dezembro de 2013, Portugal tinha 819 mil desempregados, situando-se a taxa desemprego nos 15,4%, segundo o Eurostat.
 
Lusa/SOL
 

Monday, 24 June 2013

AS HISTÓRIAS DOS SEM-ABRIGO EM PORTUGAL


                     Sem-abrigo. Ninguém conta as vidas que vão parar à rua como eles

Por Marta F. Reis
publicado em 15 Jun 2013 - 14:48
 
Na gare do Oriente dormem 40 pessoas. Só em Lisboa há três vezes mais sem-abrigo do que as estatísticas nacionais atribuem a todo o país.
 
Luís tem 43 anos e saiu de casa com 16. Eram 11 irmãos numa aldeia do concelho de Alcobaça. Em miúdo, o tempo era passado no campo, a trabalhar sem ganhar e a comer pouco. "Era uma escravidão. Para arejar, comprávamos um maço de tabaco e ficávamos fora até fumarmos os cigarros todos. Em casa levávamos." Chegou a Lisboa e começou a trabalhar nas obras. Um dia experimentou heroína com um colega e ficou 20 anos agarrado. O patrão metia-os na carrinha e a caminho do estaleiro parava para curarem a ressaca. "A minha vida é uma história de terror. Que quer que lhe conte?"

Aos 9 anos viu o melhor amigo morrer afogado, viu a mãe ser espancada e ficar em casa a aguentar - ainda lá está. Nunca mais falou com o pai, mas ela vai ligando. Deixou-se levar pela droga enquanto estava incluída no salário. Depois tornou--se difícil continuar a trabalhar daquela forma e quis parar de consumir. Começou uma desintoxicação numa comunidade terapêutica e parou antes do fim, a pensar que estava livre. Meses depois voltou ao mesmo. Há seis anos tentou uma segunda e ficou limpo. Acredita que é de vez, porque desce as ruas onde se injectam os velhos amigos e não se se sente tentado. Com mais baixos que altos, assume a depressão diagnosticada pelo médico. "Como é que podia ter acabado de outra forma?", remata. Instável, mas limpo, ainda arranjou trabalho. Pagava um quarto. Depois, outro depois, o serviço começou a falhar. Há cinco meses ficou na rua.

As histórias dos sem-abrigo que as aceitam contar são assim: cruas, rápidas, desarmantes. Perturbadoras por terem tantas vezes um rastilho antigo, casas onde faltaram os pais, onde faltou dinheiro. Onde sobejava álcool e violência. Ou simplesmente um azar. Há um antes e um depois que acaba na rua, seja a calçada, seja o caixote, a casa abandonada ou o albergue.

Luís conseguiu vaga no abrigo nocturno da AMI, na Graça, um dos seis espaços na cidade que faz que metade dos 2 mil sem-abrigo sinalizados, números revelados pela vereadora Helena Roseta, não durmam na rua. Só por estes números, divulgados há duas semanas, percebe-se que é normal não se saber ao certo quantos sem-abrigo existem em Portugal, porque as estatísticas estão longe de espelhar a realidade. No último censo, o Instituto Nacional de Estatística contou 696 pessoas sem tecto. Só em Lisboa, pelos dados da autarquia, há o triplo. O INE só contabiliza quem está na rua. Fica de fora quem dorme em albergues, como o abrigo da AMI, que abre ao fim do dia e fecha pelas 9h. Fica de fora quem não está à vista.

Eles contam Não gostam de falar, mas quando o fazem contam-se melhor que qualquer estatística. Vítor, 58 anos, casou-se com 22 anos. Jogador profissional de basquetebol, trabalhava na fábrica militar do Braço de Prata, a fazer munições. Perto dos 30, chegou ao fim a carreira no basquete e teve o seu depois. Apesar de ter casado jovem, e de ter um filho pequeno, o tempo livre e as amizades deram-lhe a conhecer a noite e o álcool. Um dia, nesse mundo de descobertas tardias, experimentou a droga. "Eu era tão certinho que só percebi que viciava à primeira ressacada."

Só pararia 15 anos depois. Quando a fábrica fechou, propuseram-lhe um esquema parecido com o da mobilidade. Nunca houve outra colocação e por fim deram--lhe a escolher entre uma indemnização e um subsídio de desemprego. "Tive o discernimento de não pedir o dinheiro todo, sabia para onde ele ia", lembra.

Separou-se e a mulher levou o filho. Começou a falhar a pensão de alimentos e o tribunal ordenou que fosse descontada do subsídio. Sem conseguir largar a droga e sem trabalho, começou a andar na rua. "Um dia quis parar, mas entendi que podia fazê-lo a frio. Fui a um centro de desabituação e disseram-me que tinha de fazer a metadona. Disse não: não ia sair de uma para outra."

Encontrou apoio na Cais e agora está no abrigo nocturno da AMI quase há um ano. Fez um curso de cerâmica que dava rendimento para pagar um quarto, mas depois do estágio no Museu do Azulejo não conseguiu emprego. Entrou então num projecto destinado a recuperar a profissão de engraxador e hoje tem o seu posto de trabalho num café no centro de Lisboa. Todos os dias sai com a esperança de descolar, de o rendimento ser o suficiente para deixar o abrigo e voltar a ter um quarto sem que tudo se desmorone de repente, um medo que fica. "Num momento a pessoa tem a família e depois aparece a droga. Percebi a rapidez com que caímos. Eu tinha 30 anos, já não era um miúdo. No dia do funeral da minha mãe estava a ser julgado por roubo. Estava a ressacar e não podia ir assim para o funeral. Lembrei-me de roubar uma mala para comprar droga. Nunca o tinha feito. Tinha tanto jeito que me caíram cinco polícias em cima. A família nunca me perdoou e não o peço. Estou a pagar pelos meus erros."

O depois de José Moura, natural de Cabo Verde, mas com nacionalidade portuguesa desde a juventude, foi o desemprego. Foi manobrador de gruas durante 20 anos. Depois as empreitadas começaram a ser cada vez menos. As últimas grandes obras foram as torres de Sete Rios e um prédio na Lapa. Há um ano o serviço começou a ser tão precário que deixou de pagar a prestação da casa. O banco ficou com ela. Sem família que o possa ajudar, ficou primeiro na rua, depois nos bancos do aeroporto e por fim encontrou vaga no abrigo da AMI.

"Há sempre um princípio que nos leva à rua", resume Pedro, 33 anos. É daqueles que já estiveram em associações, já esteve em albergues nocturnos, já esteve simplesmente na rua. Vende na Feira da Ladra. Quando tem dinheiro fica numa pensão. Quando não tem, fica no aeroporto, onde o encontramos a pedir uma ceia à carrinha da Comunidade Vida e Paz. Não entra em estatística nenhuma. "O meu princípio foi quando me separei. Mas antes comecei a ir para a rua procurar o que não tinha em casa." Depois apareceu o álcool e a droga. Os factores misturam-se, as histórias enrolam-se. "Isto é um mundo clandestino. Nas associações é-se muitas vezes escravo. Dão-nos cama e comida, mas fazem de nós motoristas o dia todo e os presidentes aparecem com carrões. Numa, no Norte, até me proibiam de procurar trabalho. Alguns ficam com os subsídios e as reformas, ninguém controla nada. Nalguns albergues somos tratados como animais."

No aeroporto, melhor que abrigos ou ficar na rua, diz Pedro, os seguranças têm dias. "Às vezes metem-nos na rua ou implicam. Estão fartos de me ver e outro dia perguntaram-me se ia viajar e o que é que tinha na mala. Eram livros para vender, disse-lhe que se quisesse fazíamos já ali negócio. E viajar, se calhar um dia vou. Posso ganhar a lotaria."

Milho aos pombos Dificuldades económicas, desamores, acidentes, droga, alcoolismo, doenças mentais. Nas conversas de rua há um fio condutor que torna as palavras de há umas semanas da vereadora Helena Roseta, na melhor das leituras utópicas e na pior redutoras. Helena Roseta descreveu as equipas de voluntários que distribuem refeições na rua como uma resposta a lembrar quem dá "comida aos pombos", defendendo a distribuição em locais onde quem precisa possa comer sentado e a criação de um hotel social, uma vez que a câmara não consegue responder a todos os pedidos de habitação.

Para quem conduz as carrinhas que distribuem refeições, as palavras de Roseta valem o que valem. Só a Comunidade Vida e Paz e o Centro de Apoio ao Sem-Abrigo (CASA) distribuem mil refeições todas as noites, 520 cada uma. "Não distribuir comida na rua é um bom princípio se houver condições para isso. Mas haverá sempre pessoas que não irão aos espaços da câmara. Se quisermos que comam temos de continuar a ir ter com eles", diz Jorge Correia, presidente da CASA, que acredita ainda assim que tem havido um esforço de articulação no terreno, liderado por Roseta, como nunca existiu nesta área. Pedro Sousa, director do abrigo nocturno da AMI, também acredita que será difícil resolver a realidade dos sem-abrigo com medidas como as propostas pela vereadora, mas vê lacunas. O abrigo da AMI, por exemplo, tem 26 vagas, o que contrasta com outros com mais de 100 onde os relatos que lhe chegam são de falta de condições. Ali há uma resposta personalizada, um encaminhamento com vista à reintegração e não apenas o tecto por uma noite, estruturas que entende que ainda fazem falta. Depois há o desafio das regras, que muitos não querem aceitar. "São pessoas livres, adultas, mas qualquer casa precisa de regras. É uma fronteira difícil."

A Igreja de Arroios é um ponto de distribuição de refeições onde se cruzam carrinhas de diferentes associações, outra realidade que Roseta contesta, defendendo que não faz sentido um sem-abrigo ser visitado por cinco equipas numa mesma noite. A partir das 20h há mais de uma centena de pessoas à espera junto às escadas da igreja. Algumas vão dormir ali, outras mais acima, na Travessa das Freiras. Mas a maioria dos que vêm buscar sacos de comida, roupa ou cobertores às carrinhas da CASA e Comunidade Vida e Paz, que vemos cruzarem-se como diz Roseta, não dorme na rua. Para quem está no terreno, esta procura por quem tem casa, mais ou menos precária, é uma das realidades em que se nota maior aumento de pedidos e justifica o trabalho intenso no terreno.

Vemos Marina duas noites seguidas. Com 27 anos, vive com o marido, a irmã, o cunhado e a mãe numa casa que diz estar a cair, com a casa de banho inoperacional. Conheceu o marido na rua, grávida de outro namorado. Chegaram a viver numa casa abandonada. A Segurança Social tirou-lhe a filha com poucos dias, faz três anos, e continua sem trabalho. Lá em casa só a irmã trabalha, faz limpezas numas escadas. Comem o que levam dali, conta. Levam mais de um saco, mas porque guardam para as refeições do dia seguinte. É jantar, pequeno-almoço e almoço. Tília, 57 anos, vive num quarto sem janela. Tosse muito enquanto a vemos ir às carrinhas também duas noites seguidas. "Tenho um quarto, mas fumam dentro de casa, fico atacada. Quase prefiro estar na rua." Quando recebe a pensão de invalidez paga a renda. Sobram 50 euros para remédios e comida. Não chega, por isso agarra o que consegue.

O que faz falta Para quem está no terreno, as lacunas são consensuais: falta alojamento, emprego e respostas nos cuidados de saúde, sobretudo para doentes mentais. Se há a sensação que a crise fez disparar o número de pessoas na rua, mais em 2012 do que este ano, parecem dominar as situações desencadeadas por desemprego de longa duração, de portugueses mas também de imigrantes sem apoio familiar. Isabel Oliveira, da Comunidade Vida e Paz, assinala também o aumento de perturbações psicológicas. "Encontramos pessoas jovens que estavam estruturadas mas perderam o emprego e deixaram de conseguir pagar a medicação." Na voltas de distribuição de comida isso é evidente. Numa paragem de autocarro, um homem recebe o saco sem reagir. Vêem-no ali há alguns meses. "Uma vez disse-me que tem 12 anos. Não temos para onde sinalizá-lo", conta Ana Bela, voluntária da volta.

Desde 2009 existe uma Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas Sem Abrigo, que levou à formalização de núcleos de resposta na maioria dos concelhos. Ainda assim, o reconhecimento desta área não tornou os balanços mais periódicos: o i pediu informação sobre casos sinalizados ao Instituto de Segurança Social, que diz que só tem dados sobre o ano de 2009, quando foram sinalizados 2133 sem-abrigo em Portugal. O Instituto sublinha ainda que tem estabelecido acordos de cooperação com instituições privadas de solidariedade social para centros de alojamento temporários e que em Maio havia 31 CAT com capacidade para cerca de 950 utentes.

Só Lisboa, pelos dados avançados pela câmara, esgota estas estatísticas. Mas há mais. Em Setúbal, revelou ao i a autarquia, foram sinalizados 91 sem-abrigo no levantamento de 2011 e em 2012 mais 71 casos. Em Faro, o primeiro levantamento sinalizou 68 processos e em 2012 somaram-se mais 38. No Seixal, indicou a associação local Criar-T, foram sinalizados 65 casos em 2011. Ainda não têm dados de 2012, mas sentem que há mais casos. Já a AMI sente que o aumento de sem-abrigo aconteceu sobretudo em 2010 e 2011 e nos últimos meses têm sinalizados menos casos. Em 2012 apoiaram 1683 pessoas, menos 132 que no ano anterior. No primeiro trimestre deste ano deram apoio a 825 sem-abrigo.

Para Fernando Marques, da Criar-T, o problema já não é de falta de plano, mas de compromisso. "Apesar de ser um documento bem elaborado, a estratégia nacional ainda não tem legislação aprovada. Até ao momento não recebeu um cêntimo. O que acontece no terreno tem a ver com mobilização das instituições, o que se tem mostrado insuficiente quando o objectivo do programa é que ninguém fique na rua mais de 24 horas."

Mas e se o objectivo for demasiado ambicioso? "Acho que devemos aspirar a isso. Há pessoas que dizem que estão na rua porque querem mas é uma atitude defensiva. Se calhar não encontrámos ainda a resposta certa para elas", diz Isabel Oliveira. Tem números que a fazem acreditar. Em 25 anos de história, a Comunidade Vida e Paz ajudou a reintegrar 1700 sem-abrigo.

Reacção defensiva ou não, parece impossível pensar no relento zero. Manuel, 61 anos, dorme no Rossio há duas semanas e, confessa, porque quer. Tem casa em Belas. A história começa lá atrás: o pai bebia, ele bebe, o filho mais velho também. Chateou-se com a mulher, porque toma o partido do filho, e saiu de casa para espairecer sem dinheiro ou comida. Acorda, vai lavar-se às casas de banho públicas e fica a pensar e a ler. Tira um livrinho do bolso. O título é "Perdoa-me". À noite espera a comida das carrinhas. Da outra vez que isto aconteceu o filho foi buscá-lo passado um mês.

Há quem esteja fugido da polícia, conta Pedro e quem queira apenas viver à margem. "Às vezes até dava para ir para a pensão, mas vou gastar dinheiro para quê? É como ter de pagar impostos, prefiro andar na feira." José, 68 anos, dorme há mais de um ano numa carrinha estacionada à porta do mercado de Arroios. Lá dentro, cobertores, sacos, lixo, um cheiro agoniante que se entranha na roupa. "Já vivi numa casa aqui na rua, mas prefiro estar aqui", diz. Tem uma reforma que dava para pagar alojamento. Tem uma filha, netos que vê de vez em quando. Diz que é uma escolha. O cheque da reforma é enviado para uma tasca ali perto. Gasta-o em comida e bebida.

O abrigo na estação Entre tudo o que há a fazer, e nunca se resolverá de um dia para o outro, há imagens que se estranham. No acesso ao estacionamento subterrâneo da Gare do Oriente, num dia da semana, contam-se 40 pessoas enroladas em mantas e sacos-camas. Enchiam dois abrigos como o da AMI.

Como no aeroporto, haver tanta gente a dormir ali não é segredo para ninguém. Há regras e seguranças para as impor. Quem lá dorme guarda as coisas em carrinhos de supermercado, que a partir das 21h pode trazer para baixo. Às 6h têm de sair. Há uma ala de indianos, outra de romenos. Quem chega fica ao fundo ou onde há lugar. Esperam os sacos de comida para os esconder, se não de manhã desapareceram.

Gil, 54 anos, é dos poucos acordados perto da meia-noite e dos mais antigos. Dorme ali há nove anos. Como todos, tinha a vida dele até àquele depois. Era encarregado de uma firma de limpezas e fazia uns biscates por fora. Um dia, a limpar os vidros de um prédio num desses biscates, o cabo partiu e caiu do terceiro andar. O colega morreu e ele ficou com a perna atravancada. Como era por fora, não teve indemnização. Depois não voltou a trabalhar e deixou de conseguir pagar a renda da casa. Acabou na rua. "Habituamo-nos. Já estive bem e agora não tenho nada. Nunca se pode confiar muito, mas acabamos por ser uma família. Se aparece algum artista juntamo-nos e pomo-lo fora."
A noite é calma. Gil conta que só há duas alturas em que o cenário é diferente: o dia em que alguns recebem o rendimento social de inserção e o dia em que caem as reformas. "Pagam-se dívidas e alguns gastam em bebida. Começa em festa e acaba em confusão." É assim, são as voltas que a vida dá, diz. "Espero que nunca aconteça. Para aquilo que já vivi, se fosse para me matar já o tinha feito." Com 38 anos de serviço, espera os 55 anos que fará a 12 de Novembro para meter os papéis da reforma e sair da rua.

Monday, 24 December 2012

COZINHA COM ALMA

Cozinha com Alma. Um negócio com os ingredientes certos

 Por Isabel Tavares, publicado em 24 Dez 2012 - 03:10 
 
A funcionar há menos de um ano, o projecto pretende atingir as 100 pessoas em Março de 2013 e iniciar uma rede de franchising
 
A Cozinha com Alma abriu a primeira loja, provisória, em Fevereiro deste ano e o dia treze não foi, definitivamente, número de azar. Nasceu para defender uma causa e, quase um ano depois, já pensa em franchisar o negócio. Mas, antes de mais, quer consolidar o que já existe.
 
O projecto é bem diferente da ideia inicial das suas mentoras, Cristina Botton e Joana Castella. As duas são unânimes: para serem bem sucedidas foi fundamental “escutar, escutar, escutar”. Há muitos anos Cristina desafiou Joana para desenvolverem em conjunto uma espécie de “sopa dos pobres”. Na altura, pouco se falava em organizações desta natureza e menos ainda em empreendedorismo social. Foi preciso um ano a ouvir falar em fome e probreza envergonhada para Joana Castella achar que era o momento certo para avançar.
 
Acertaram agulhas, definiram conceitos e foram apresentar a ideia à então vereadora com o pelouro social da Câmara Municipal de Cascais, Mariana Ribeiro Ferreira, actual presidente do Instituto da Segurança Social. O objectivo era perceber se o projecto fazia sentido, se valia a pena.
 
E fazia. Mas as recomendações foram mais que muitas, não estivesse Mariana Ribeiro Ferreira habituada a ouvir falarcom entusiamo de mil e uma ideias que raramente – e por motivos diversos –, nunca saem do papel. “Deu-nos imensas directrizes, como não prestar serviços grátis. Ouvimos muitas pessoas, especialistas em várias áreas, aconselhámo-nos. O projecto foi evoluindo e o resultado é muito diferente da ideia inicial”, conta Cristina Botton para explicar que este processo foi fundamental para concretizar tudo.
 
Esta IPSS – Instituição Particular de Solidariedade Social nasceu para defender uma causa e não tem fins lucrativos, mas é gerida como uma empresa que quer ganhar dinheiro para reinvestir no negócio e poder ir alargando a sua ajuda a mais famílias.
 
O estudo de viabilidade económica apontava para um investimento inicial de 80 mil euros. As duas sócias não conseguiram reunir essa verba logo no início e, por isso, “em vez de quatro frigoríficos, comprámos dois, em vez de dois abatedores de temperatura comprámos um, etc”, diz Cristina. Hoje, o negócio de refeições prontas gera uma receita mensal de cerca de 15 mil euros e a Cozinha com Alma é uma empresa auto-sustentável. Desse montante sai o dinheiro para pagar os quatro empregados – chef, ajudante, cozinheira e responsável de loja –, ingredientes, embalagens, água, luz, gás...
 
voluntariado. “A Cozinha com Alma faz hoje 300 refeições diárias até às 11 da manhã e ajuda 18 famílias, num total de 54 pessoas”, diz Joana Castella com orgulho. É que as refeições prontas tem de estar na loja para serem adquiridas a partir do meio-dia e além disso é ainda necessário confeccionar as refeições dos bebés e do pessoal da creche onde a cozinha funciona, a contrapartida pedida pela Junta de Freguesia de Pampilheira para ceder o espaço ao projecto. Em Janeiro deverão ser já 75 pessoas pessoas com bolsa alimentar e em Março a empresa espera atingir as 100.
 
Nada disto seria possível sem a equipa de 60 voluntários, entre os 18 e os 82 anos, que todos os dias se dispõe tirar umas horas do seu tempo, mesmo quando parece tão escasso, para ajudar. Como é muita gente, há uma voluntária que tem a seu cargo a gestão de toda a equipa e a organização dos dias, horários e tarefas atribuídos a cada um. Depois, Cristina coordena mais directamente os voluntários ocupados da loja e Joana os que estão adstritos à cozinha.
 
Além disso, existem ainda os parceiros da Cozinha com Alma, empresas e amigos que ajudam com o que podem na medida das suas possibilidades. “Chegámos a fazer uma lista de casamento – conta Joana, divertida –, em que vinha desde a colher de pau ao abatedor de temperatura”. Mas, afinal, quem são as pessoas que a Cozinha com Alma apoia? As famílias são escolhidas pela Comissão Social de Freguesia e trata-se de “pessoas em idade activa, sobretudo com filhos menores a cargo, que estão numa situação temporariamente difícil e precisam de um balão de oxigénio para ultrapassar este período”, explica Joana Castella. O apoio traduz-se no fornecimento de refeições caseiras a preços muito baixos, fixado de acordo com três escalões que nada têm a ver com os da Segurança Social. O objectivo é exactamente chegar à classe média, onde não chegam as ajudas do Estado.
 
O escalão 1 paga um preço médio de 50 cêntimos por refeição, sopa e prato principal, o escalão 2 paga uma média de um euro e o escalão 3 paga 1,5 euros. Esses valores são carregados num cartão que vai sendo utilizado ao longo do mês.
 
Por exemplo, um agregado familiar de quatro pessoas, com um plafond máximo mensal de 35 euros, pode carregar o cartão com todo o valor de uma vez e ir abatendo ao longo de trinta dias até atingir o limite ou, se preferir, ir carregando ao longo do mês de acordo com as suas possibilidades ou necessidades.
 
Quando inicia este processo, a família responde a um inquérito, que é repetido seis meses depois, quando termina o período de apoio. “Aí, a Cozinha com Alma quantifica o impacto na melhoria de vida dessas pessoas e na resolução dos seus problemas. Saber se estamos no caminho certo ou se está tudo na mesma é importante, não queremos que esteja tudo na mesma”, explica Joana Castella.
 
E se não estiver? “Então, não se trata de uma família Cozinha com Alma, ou seja, é uma família que precisa de um apoio mais continuado e, para isso, existem programas de assistência social definidos pelo Estado. Por exemplo, temos muitos idosos a pedir bolsas sociais e a nossa família tipo não são idosos”, remata Cristina Botton.
 
O mesmo cartão que é utilizado pelas famílias com bolsa social pode também ser utilizado por qualquer cliente que não esteja ao abrigo das bolsas mas queira ali comprar as suas refeições prontas. Os preços, claro, esses são diferentes, mas ainda assim em conta. E na loja vende-se de tudo, sopas, diversos pratos de peixe e carne e sobremesas, tudo confeccionado pelo chef Nuno Simões.
 
Quem opta por cartão tem direito a brinde: com 50 euros recebe uma garrafa de vinho, com 100 euros uma garrafa de vinho mais cara e com 150 uma garrafa de vinho ainda melhor. O objectivo é estimular a compra do cartão, que vai abatendo à medida que o cliente vai efectuando as suas compras.
 
“O mais engraçado é que não sabemos distinguir os clientes e para qualquer pessoa é impossível saber se se trata de um bolseiro ou de um cliente normal”, diz Cristina Botton.
Para a Cozinha com Alma é fundamental que as pessoas que recorrem a esta ajuda não se sintam apontadas.
 
Joana Castella diz que, “no início algumas famílias vêm muito envergonhadas, porque pedem ajuda pela primeira vez. Há famílias que nos contam como é difícil o processo, até porque antes eram elas que doavam. É um acto de coragem da família. Depois, quando percebem como funciona o cartão e que não são reconhecidas por ninguém, ficam aliviadas e muito mais à vontade”.
 
Cristina diz que há duas ou três famílias muito envergonhadas, que entram de cabeça baixa, mas há também aquelas que se sentem aliviadas com a ajuda e entram na pequena loja quase a gritar que são bolsa. “Não nos cabe julgar os outros e temos de respeitar cada um”, afirma Cristina.
A loja tem frescos e congelados, pelo que é possível levar para toda a semana ou ir buscar diariamente acabadinho de fazer. O sistema é self-service e cada cliente é livre de levar os artigos que prefere. E também aceita encomendas e faz serviço de catering para particulares ou empresas.
Nesta altura, a cozinha é o principal problema da empresa: “começa a ser apertada para tanta comida e tanta gente. Uma vez mais, em conjunto com diversas entidades, estamos à procura de uma solução”, avança Cristina Botton.
 
O lema das duas sócias é dar um passo de cada vez, mas as ideias não páram de surgir. “Muita gente pergunta-nos porque não fazemos um horta, ou isto e aquilo. Não queremos dispersar e queremos envolver a comunidade. Primeiro temos de fazer bem feito, temos de consolidar”.
 
Mas 2013 poderá trazer grandes novidades. O objectivo é alargar a ajuda a outras freguesias, com Alcabideche e Estoril. Depois, criar um franchinsing. Antes disso, e já em Janeiro, avançam uma série de workshops, o primeiro dos quais em “independência financeira”, com a colaboração da ASFAC – Associação de Instituições de Crédito Especializado, que se ofereceu para seguir individualmente algum caso mais difícil. No final de Março surgirão outras sessões de coaching. “As pessoas têm de aprender a reinventar-se e a viver com esta nova realidade que é ter menos”, remata Crisitna Botton.
 

Tuesday, 30 October 2012

FAMÍLIAS CARENCIADAS NO ALGARVE PEDEM AJUDA À IGREJA



                                                        Famílias carenciadas aumentam no Algarve


Casais desempregados pedem ajuda à Igreja


O número de famílias com casais desempregados a pedirem ajuda às instituições ligadas à Igreja Católica, sobretudo para comerem, está a aumentar, alertou esta terça-feira Luís Galante, responsável por dois centros paroquiais no Algarve.

Além de recorrerem às cantinas sociais em que são disponibilizadas refeições gratuitamente, estas famílias têm também dificuldade em pagar as mensalidades das creches e lares de idosos, valências dos centros paroquiais.

"Temos muitas solicitações para beneficiarem das valências destes centros, que estão lotados", disse o diácono Luís Galante, que dirige instituições nas freguesias de Santa Bárbara de Nexe e Estoi, no concelho de Faro. Aquele responsável falava aos jornalistas à margem do I Encontro dos Centros Sociais Paroquiais do Algarve, promovido pela Pastoral Social Diocesana, e no qual marcaram presença 11 instituições da região.

Segundo Luís Galante, há muitos pedidos de ajuda de famílias para internar idosos no lar, mas não há lugares, havendo apenas ainda alguma margem para distribuir mais refeições, já que num dos centros a capacidade não está lotada.

"São pessoas desempregadas, muitas vezes famílias inteiras, com filhos na escola e quase sempre os dois membros do casal estão desempregados", ilustrou aquele responsável. O diácono assumiu a existência de famílias com dificuldades em pagar as mensalidades em atraso dos utentes dos lares ou infantários, situação que tem aumentado, mas assegurou que nunca ninguém deixou de ser atendido por falta de pagamento.

"Quando os pais estão desempregados, não sei se bem, se mal, mas eu chego a sugerir às pessoas que fiquem com os filhos em casa, é uma forma de se ocuparem, mas as pessoas também precisam do tempo para ir à procura de trabalho e nós continuamos a receber os filhos", afirmou.

Antevendo um ano de 2013 difícil, Luís Galante sublinhou não saber em que mais podem estes centros ajudar as famílias carenciadas, a não ser no aumento do número de refeições nas cantinas sociais. "É preciso ter quem ofereça, às vezes são restaurantes, outras vezes são escolas", disse, acrescentando que este tem de ser um trabalho em rede. A próxima reunião de responsáveis de centros paroquiais no Algarve deverá acontecer em abril de 2013.

Thursday, 27 September 2012

COIMBRA UNIDA CONTRA A POBREZA



Pobreza. Coimbra quer angariar o máximo de verbas para fundo de apoio a doentes crónicos carenciados

Por Agência Lusa, publicado em 27 Set 2012 

A Plataforma ODM – Coimbra Unida contra a Pobreza vai realizar em Outubro um programa de atividades em que pretende recolher verbas para o seu fundo de apoio a doentes crónicos carenciados, foi hoje revelado.

Reunida hoje em assembleia geral, a plataforma, que congrega 37 organizações da cidade, decidiu realizar grande parte do seu plano de atividades entre 13 e 17 de outubro, e nelas "tentar angariar o máximo de dinheiro para apoiar os doentes crónicos carenciados”, no âmbito do fundo contra a pobreza que lhes é destinado, disse à agência Lusa Ana Rito Brito, do secretariado executivo.

O plano de atividades será divulgado apenas em sessão marcada para as 15:00 de segunda-feira na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, tendo Ana Rito Brito referido que já se encontram em curso duas iniciativas: o referido fundo e um concurso de fotografia e vídeo sobre a temática da pobreza, cujo prazo foi alargado para o início de Outubro.

No âmbito do fundo, que apoia doentes selecionados por um agrupamento de centros de saúde, foram já auxiliados, no ano passado, oito pacientes, nomeadamente através do pagamento de dívidas nas farmácias, adiantou.

Desde o início de setembro, 24 mealheiros colocados em farmácias de Coimbra recolhem, até ao final de outubro, donativos que se destinam igualmente ao fundo, adiantou a representante da Associação Saúde em Português no secretariado executivo da Plataforma ODM na Cidade.

Sensibilizar a comunidade para os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, nomeadamente para o primeiro, de redução da pobreza e da fome em 50% até 2015, são metas do projeto, agora a realizar a sua terceira edição em Coimbra.

Em Março passado, a plataforma anunciou a intenção de realizar este ano uma marcha contra a pobreza e uma feira solidária, entre outras ações.

Tuesday, 3 April 2012

CONTRA A FOME: RESTAURANTE SOCIAL




Refeições entre 0 cêntimos e 1 euro no 'restaurante social'

A paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Setúbal, inaugura hoje um 'restaurante social' que pretende «servir os pobres com dignidade», cobrando-lhes por cada refeição apenas o que possam pagar, até ao máximo de um euro por refeição.

O padre Constantino Alves disse acreditar que esta solução «permite libertar os pobres da pobreza»: «Dar refeições só contribui para alimentar o ciclo da pobreza. É preciso dignificar os pobres, afastá-los do estigma dos restaurantes para pobres e responsabilizar as pessoas pela sua própria sobrevivência», afirmou.

Este 'restaurante social' vem substituir o serviço de distribuição de excedentes dos restaurantes que funcionou durante dois anos e meio e entregou cerca de 60 mil refeições a famílias carenciadas do concelho.

A partir de hoje as famílias carenciadas têm ao seu dispor, entre as 19.30 horas e as 20.30, refeições completas – sopa, pão, prato principal e sobremesa – por um preço que varia de acordo com a situação económica de cada agregado: «A situação das famílias é avaliada e calcula-se o que podem pagar, que pode ir de zero cêntimos a um euro», explicou.

No espaço do restaurante há lugar para 60 pessoas mas os clientes podem também levar as refeições para casa.

O responsável acrescentou ainda que «outra mais-valia do projecto é o facto de todas as pessoas – e não apenas as pessoas pobres – poderem usufruir deste serviço. Todos podem comer, desde que paguem o que puderem pagar».

O custo real das refeições, que são asseguradas por uma empresa, é de dois euros. A paróquia conta, para já, com os donativos feitos à igreja e com a ajuda de 66 voluntários. Num futuro próximo conta com o estabelecimento de parcerias com outras instituições.

A inauguração do espaço acontece hoje às 18.30 horas na igreja de Nossa Senhora da Conceição, e conta, entre outras, com a presença do Bispo D. Gilberto Canavarro dos Reis e da presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira (CDU).

Depois haverá jantar e, claro, cada um – mesmo quem tenha sido convidado – paga o que puder pagar.

29 de Junho, 2011




Thursday, 8 March 2012

RE-FOOD: LUTANDO CONTRA OS DESPERDÍCIOS ALIMENTARES E MATANDO A FOME


O 'estrangeiro maluco' que de bicicleta ajuda famílias carenciadas em Lisboa

Montado numa bicicleta, Hunter Halder começou há um ano a distribuir por famílias carenciadas de uma freguesia lisboeta as sobras de alimentos que recolhia em restaurantes. Hoje, o projecto do «estrangeiro maluco» conta com mais de cem voluntários.

A viver há 20 anos em Portugal, o norte-americano Hunter Halder, de 60 anos, teve há dois anos que «lidar com uma nova realidade» e mudar de carreira. «Vítima da crise», quando se viu sem trabalho começou a pensar na realização de acções humanitárias.

«Foram sete acções. O Re-Food foi a última a ser concebida e a primeira a ser lançada», contou Hunter Halder à Lusa no centro operacional do projecto, situado num anexo da igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Mas recuemos a 9 de Março de 2011. «Naquela altura era só um estrangeiro maluco e as pessoas a olharem para mim e a pensarem: ‘o que é isto?’», lembrou.

Quem o via passar começou a abordá-lo e a perguntar o que fazia montado numa bicicleta munida de cestos à frente e atrás, carregados de embalagens. Ao fim de 30 dias, tinham aderido ao Re-Food 30 restaurantes e 30 voluntários, como atesta a fotografia pregada num placard do centro de operações.

Cerca de um mês foi também o tempo que o centro de operações esteve situado em casa do norte-americano. Nessa altura, o Re-Food passou para uma antiga loja de congelados, na Avenida Conde Valbom, que hoje serve de «estação de lavagem [das embalagens] e escritório». Há cerca de um mês, o centro passou para o anexo da igreja.

Um ano depois do arranque, os voluntários «são bem mais do que cem» e os restaurantes e pastelarias 54, número que Hunter Halder garante «vai aumentar».

As pessoas que recebem «reforço alimentar», de acordo com o último relatório do projecto, são mais de 160 - fora os sem-abrigo, a quem a paróquia de Nossa Senhora de Fátima já fornecia diariamente refeições.

Numa das paredes do centro de operações está um quadro em que estão registados os dados das famílias ajudadas, quantas pessoas constituem o agregado, se há crianças e quais as alergias alimentares ou gostos especiais. Noutra parede, outro quadro explica quem faz o quê e a que horas.

O dia começa pelas 13 horas, quando decorre a primeira acção, com distribuição de comida no local. As famílias «trazem um saco com 'tupperwares' lavados e levam um saco com outros cheios de comida», contou.

Pelas 15 horas, é servido um almoço quente aos sem-abrigo. Uma hora depois é altura da primeira ronda por pastelarias situadas numa área de 21 quarteirões das Avenidas Novas. As equipas de dois ou três voluntários dividem-se em duas rotas para recolherem pão, bolos e outros alimentos do dia.

Terminada a recolha, perto das 20h30, os voluntários regressam ao centro, onde está desde as 18 horas outra equipa a preparar os sacos que serão entregues às famílias carenciadas da freguesia de Nossa Senhora de Fátima.

Cada saco tem uma «combinação» de comida recolhida nos restaurantes na noite anterior e que ficou guardada num dos vários frigoríficos instalados no centro com a comida que chega das pastelarias.
Entre as 20h45 e as 21h45 entra em acção a equipa de transporte e distribuição. Esta semana, a frota do projecto foi reforçada com cinco bicicletas, oferecidas por uma empresa.

Os voluntários desta equipa encontram-se com as famílias num «ponto de distribuição» e é aí que sacos com ‘tupperwares’ vazios são trocados por outros cheios. Para quem não se pode deslocar há entregas ao domicílio.

O dia termina com as duas últimas rondas de recolha. Entre as 21h45 e as 23h30, os voluntários deslocam-se aos restaurantes aderentes para recolher a comida que sobrou.

A primeira meta de Hunter Halder é «implantar o projecto a 100%» na freguesia - um terço já está coberto e os outros dois serão «conquistados logo depois da Páscoa».

Apenas numa freguesia, em várias, numa cidade ou em todo o mundo, o objectivo é «parar o desperdício a 100%».

«Quem faz desperdício, que não é possível evitar, é confrontado com uma opção e vai ser levado a perceber que existe de facto uma alternativa», disse. E essa é a missão do Re-Food: «Criar uma alternativa».


Saturday, 22 October 2011

DE BICICLETA A DISTRIBUIR AS SOBRAS DOS RESTAURANTES


Re-food. De bicicleta a distribuir as sobras dos restaurantes

Por Clara Silva, publicado em 22 Out 2011 - 02:00 | Actualizado há 14 horas 21 minutos

A associação criada por um americano dá comida a 70 famílias das Avenidas Novas, em Lisboa

Hunter Halder, 60 anos, entra pela porta das traseiras do restaurante O Polícia como se estivesse numa operação clandestina. Nas mãos leva tupperwares vazios que deixa num armário de alumínio rente ao chão. Pouco tempo depois, Maria de Jesus, a cozinheira, aparece com outras caixas na mão, ainda a fumegar. “Olá mister. Ajude-me aqui que hoje há muita coisa.”

Arroz de pato, chouriço, bacon, feijão verde, batatas fritas e até uma manga arranjada empilham-se no balcão. “São coisas que sobraram do almoço. Dantes ia tudo para o lixo, era um exagero. Deitávamos coisas fora que ainda podíamos comer, mas temos de pensar no bem-estar dos outros”, diz a cozinheira. Pela porta das traseiras vão entrando outras empregadas para o turno da noite do restaurante e todas cumprimentam Hunter: “Então mister, está bom?” O americano responde num português cheio de sotaque – “Cheguei a Portugal em 1991, sem falar uma palavra. Agora sei 14”, dir-nos-ia mais tarde entre gargalhadas.

Desde 9 de Março que o consultor norte-americano recolhe as sobras de comida dos restaurantes da freguesia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, para entregar às famílias que precisam. “E são cada vez mais.”

A partir das 19h00 começa a recolha de bolos e salgados nas pastelarias da zona, uma delas a conhecida Versailles. Hunter pedala numa bicicleta com dois cestos, um à frente e outro atrás, tapados por um plástico amarelo. “Ele é maluco a pedalar, vai a toda a velocidade, às vezes nem olha para o sinal”, diz-nos um fotógrafo espanhol da Reuters que há duas semanas está a fazer um trabalho sobre a Re-food 4 Good. Foi esse o nome que Hunter decidiu dar à associação que “quer combater a fome urbana através das sobras de comida”.

Antes de se dedicar a 100% à Re-food, o seu “bebé de sete meses”, Hunter geria uma empresa de team building. “Inventava actividades que tinham efeitos no comportamento das pessoas. As empresas queriam sempre karts ou paintball, mas eu inventava outras coisas que as tirassem da sua zona de conforto.” Com a crise, “as empresas cortaram nessas actividades, e eu e a economia decidimos que não ia continuar neste negócio”.

Foi depois de conhecer a campanha do piloto da TAP António Costa Pereira que Hunter decidiu criar a Re-food, que esteve para se chamar Pão Nosso. “Ele chateou o governo acerca do desperdício de comida em restaurantes e conseguiu mudar o paradigma com a ASAE e com as associações de restauração.” Até 10 de Dezembro do ano passado, os restos dos restaurantes tinham, por lei, de ir para o lixo e não podiam ser aproveitados nem pelas instituições de caridade.

RECOLHER OS RESTOS “Esta sopa da pedra é para mim ou é para o projecto?”, pergunta Hunter à dona do pronto-a-comer Entre Pães. A sopa tem um aspecto delicioso e é despejada para um tupperware vazio. “Preciso de mais caixas, Hunter, quando puder traga-me.” Até às 21h30, vários restaurantes da Avenida Conde de Valbom vão entregando a comida que sobrou. No restaurante A Presidente, o dono limpa o chão com uma esfregona e não repara que Hunter está à espera no balcão, apesar do seu aspecto extravagante, com um chapéu branco e fato cinzento. “Olhe, hoje não tenho nada para si”, diz quando finalmente repara na sua presença. “Então é porque está tudo bem, bons negócios e até amanhã”, responde Hunter. Já na bicicleta, conta-nos que é cada vez mais difícil recolher comida: “Os restaurantes tentam preparar as refeições de modo a não terem sobras, mas é impossível prever isso.”

MÃOS À COMIDA Os tupperwares chegam, muitos deles já frios, a uma antiga loja de congelados, como se lê no toldo. Lá dentro, três voluntárias preparam os sacos de comida para as famílias. “Temos aqui na parede uma lista com o nome das famílias [são 20], o número de pessoas do agregado familiar [ao todo são 76 pessoas] e o número de crianças [30]”, explica Joana Pizarro Miranda, uma das voluntárias. “À frente temos algumas condicionantes, por exemplo filhos que só comem carne, diabéticos que não podem comer fritos ou pessoas que só querem comida às terças e quintas.” Joana tem 48 anos e está desempregada. Dois dias por semana, ajuda na Re-food e traz os três filhos, o mais novo o Lourenço, de 9 anos. Numa bicicleta para miúdos, Lourenço não se importa de estar a perder o jogo do Benfica. “Quer dizer, de vez em quando vou ao café espreitar o resultado. Mas ajudar as pessoas que precisam é mais importante. Vou recolher comida com o Hunter e de vez em quando ajudo aqui a pôr as sopas nos sacos.”

Francisca Oliveira, uma publicitária de 25 anos, também é voluntária duas vezes por semana, depois do trabalho. “A lista das pessoas que precisam de comida é-nos dada pela igreja, pelas farmácias ou por vizinhos do bairro que dizem, por exemplo, que se calhar aquela senhora do 5.o andar precisa. Há cada vez mais gente a pedir comida, pessoas normais, muitas delas que têm vergonha de que os vizinhos saibam e temos de deixar o saco de comida à porta de casa.”

MARIAS CLANDESTINAS São as “Marias Clandestinas”, como lhes chama Hunter. “Sim, havia uma senhora assim, tínhamos de deixar num alguidar no quintal e era lá que ela também deixava os tupperwares vazios”, diz Maria do Rosário, de 54 anos. A economista ajuda na entrega dos sacos da comida, que é feita nas traseiras da estação de Entrecampos. “Se tenho um carro grande onde cabe a comida, não me custa nada fazer algo em prol dos outros, se não for assim não vamos lá.”

FRIGORÍFICOS NA RUA Apesar de a Re--food ter cada vez mais voluntários (agora são perto de 80), tem um grande problema para resolver. “Só estamos nesta loja de congelados até ao fim do mês”, conta Joana. “Quem alugava o espaço emprestou-nos temporariamente, mas há duas semanas tivemos uma ordem de despejo e passámos uma noite com os frigoríficos na rua. Precisamos de um espaço.”
Para os voluntários, o ideal seria um espaço maior onde pudessem cozinhar. “Os últimos sacos, muitas vezes, só vão com pão e salgados e era bom que tivéssemos um sítio onde pudéssemos cozinhar uma panela de sopa ou uma massa para acompanhar os salgados.” Hunter diz que o projecto é ambicioso e que, para isso, vai precisar de centenas de voluntários. “A ideia é expandirmo-nos para outras zonas, como um franchising, e tornar Lisboa a primeira cidade do mundo com zero desperdício e zero fome urbana.”

Tuesday, 6 September 2011

CRISE FAZ DISPARAR REFEIÇÕES SOCIAIS



Refeitório social de Viana do Castelo servia 10 refeições por dia, agora serve 72

5 de Setembro, 2011

A crise fez disparar a procura do refeitório social da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Viana do Castelo, um boom que obrigou à ampliação das instalações e ao reajustamento do protocolo com a Segurança Social.

«A procura tem aumento muito, mesmo muito. Há gente que até há bem pouco tempo estava bem na vida e que agora nos vem bater à porta. Alguns até preferem trazer a marmita e levar a refeição para casa, por vergonha de serem vistos», disse um dos responsáveis pelo refeitório.

Segundo Gílio Vazenga, o aumento de utentes obrigou à adequação do protocolo com a Segurança Social à nova realidade.

«Tínhamos um protocolo para servir 10 almoços por dia, agora temos para 36 almoços e 36 jantares. Ou seja, para 72 refeições diárias», referiu, sublinhando que o serviço é inteiramente gratuito.

O responsável ressalvou, no entanto, que um «ponto de honra» daquele refeitório é «não dizer que não» a quem bate à porta.

«Estamos constantemente a servir refeições extra-protocolo. Quem nos bate à porta não sai daqui sem levar o estômago confortado», referiu.

O funcionamento do refeitório, assegurou Gílio Vazenga, obriga a «uma grande ginástica financeira», mas o Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora de Fátima «lá tem conseguido levar a água ao seu moinho, muito graças aos contributos da população».

Além do refeitório social, a instituição também leva diariamente a refeição ao domicílio de cerca de 30 idosos que vivem sozinhos.

Lusa/SOL

Wednesday, 29 June 2011

CONTRA A FOME: RESTAURANTE SOCIAL




Refeições entre 0 cêntimos e 1 euro no 'restaurante social'

A paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Setúbal, inaugura hoje um 'restaurante social' que pretende «servir os pobres com dignidade», cobrando-lhes por cada refeição apenas o que possam pagar, até ao máximo de um euro por refeição.

O padre Constantino Alves disse acreditar que esta solução «permite libertar os pobres da pobreza»: «Dar refeições só contribui para alimentar o ciclo da pobreza. É preciso dignificar os pobres, afastá-los do estigma dos restaurantes para pobres e responsabilizar as pessoas pela sua própria sobrevivência», afirmou.

Este 'restaurante social' vem substituir o serviço de distribuição de excedentes dos restaurantes que funcionou durante dois anos e meio e entregou cerca de 60 mil refeições a famílias carenciadas do concelho.

A partir de hoje as famílias carenciadas têm ao seu dispor, entre as 19.30 horas e as 20.30, refeições completas – sopa, pão, prato principal e sobremesa – por um preço que varia de acordo com a situação económica de cada agregado: «A situação das famílias é avaliada e calcula-se o que podem pagar, que pode ir de zero cêntimos a um euro», explicou.

No espaço do restaurante há lugar para 60 pessoas mas os clientes podem também levar as refeições para casa.

O responsável acrescentou ainda que «outra mais-valia do projecto é o facto de todas as pessoas – e não apenas as pessoas pobres – poderem usufruir deste serviço. Todos podem comer, desde que paguem o que puderem pagar».

O custo real das refeições, que são asseguradas por uma empresa, é de dois euros. A paróquia conta, para já, com os donativos feitos à igreja e com a ajuda de 66 voluntários. Num futuro próximo conta com o estabelecimento de parcerias com outras instituições.

A inauguração do espaço acontece hoje às 18.30 horas na igreja de Nossa Senhora da Conceição, e conta, entre outras, com a presença do Bispo D. Gilberto Canavarro dos Reis e da presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira (CDU).

Depois haverá jantar e, claro, cada um – mesmo quem tenha sido convidado – paga o que puder pagar.

29 de Junho, 2011


Friday, 24 June 2011

MISERICÓRDIAS USAM CANTINAS DE CRECHES COMO CANTINAS


SOLIDARIEDADE

Misericórdias usam cozinhas de creches como cantinas

Aumento dos que procuram refeições ronda os 400%. Cozinhas de lares e creches usadas para responder à procura.

As Misericórdias portuguesas estão a ser obrigadas a improvisar cantinas em cozinhas de creches e lares para que "nenhum português passe fome". Segundo o que Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), explicou ao DN, em muitas cantinas sociais há aumentos da ordem dos "200%, 300% ou 400%", variando de região para região.

Wednesday, 18 May 2011

FOME EM PORTUGAL


Campanha Direito à Alimentação

Mais de 2500 refeições dadas a famílias carenciadas

Num mês e meio, a campanha Direito à Alimentação já distribuiu mais de 2500 refeições. A maioria dos beneficiários são desempregados que não têm rendimentos para pagar a alimentação ou pessoas que não conseguem preparar as suas refeições por motivos de saúde.

Há até restaurantes que já deram emprego a beneficiários que precisavam das refeições por não terem trabalho.

A campanha lançada pela Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) no início de Abril tem por objectivo doar uma refeição completa - pão, sopa, prato principal e fruta - às famílias carenciadas que são indicadas pelas câmaras municipais e pelas associações de apoio social locais.


Sunday, 3 April 2011

RESTAURANTES PORTUGUESES OFERECEM REFEIÇÕES A CARENCIADOS



Santa Zita


"Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo,
em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa."


Mc 9,38-43.45-47-48

Restaurantes oferecem 60 refeições por dia a famílias

Doze restaurantes de Santa Maria da Feira decidiram fornecer, diariamente, 60 refeições gratuitas a famílias que precisem de ajuda.

Nesta acção de solidariedade calcula-se que mais de 1800 as refeições serão, ao longo de um ano, distribuídas gratuitamente pelos restaurantes do concelho a famílias que se encontrem em situação de comprovada necessidade. A Câmara Municipal, entidade promotora do projecto, enaltece a disponibilidade dos estabelecimentos de restauração, lembrando que foram os próprios a mostrarem disponibilidade para ajudarem os mais desfavorecidos.

Num dos estabelecimentos aderentes, frequentado por clientela da classe média e média-alta, "as pessoas que vieram fazer a sua refeição serão tratadas como qualquer outro cliente, podendo escolher da carta o que quiserem comer", garante o proprietário.

Esta atitude dos empresários da restauração é elogiada pela responsável da acção social da Autarquia. "Foram todos excepcionais e mostraram-se desde logo solidários com os mais necessitados", afirma Manuela Coelho, da autarquia, acrescentando que não há contrapartida para este gesto, mas ressalva que poderão ser os feirenses a compensarem os restaurantes solidários se os colocarem entre as suas preferências nas refeições.

Sobre a possibilidade de algumas famílias carenciadas virem a mostrar algum receio na exposição pública, Manuela Coelho reafirma que os abrangidos por este apoio serão tratados "como qualquer cliente". E, sossegando quem receia estigmas, diz: "Se não quiserem usufruir da refeição no restaurante, podem levá-la para casa". A identificação das famílias a quem serão oferecidas refeições diárias será feita com base no trabalho integrado das várias instituições e grupos informais concelhios, que poderão accionar o apoio em parceria com a Autarquia. Estima-se que o desemprego atinja os 10% da população que se aproxima dos 150 cidadãos.

Grande parte dos proprietários dos estabelecimentos aderentes rejeita a divulgação pública no nome do seu restaurante. Uma das justificações, segundo fonte da Autarquia, prende-se com a protecção das famílias que ali se possam deslocar, garantindo-lhes o anonimato.

Fonte: JN




Restaurantes oferecem refeições a famílias carenciadas


Campanha Direito à Alimentação arranca em Lisboa, Entroncamento e Santa Maria da Feira

Vários restaurantes de Lisboa, Entroncamento e Santa Maria da Feira vão oferecer refeições diárias a quem mais necessita a partir de segunda-feira. A iniciativa insere-se na campanha Direito à Alimentação, lançada pela Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP).

Alguns restaurantes daqueles três concelhos vão oferecer um número fixo de refeições semanais completas a famílias carenciadas, identificadas pelos serviços de acção social das autarquias.

«Os restaurantes não vão dar sobras, mas vão oferecer um número fixo de pratos solidários por dia, dentro das suas possibilidades», explicou à agência Lusa a porta-voz da campanha Direito à Alimentação, Fernanda Freitas.

«O pão custa zero, o prato custa zero, a sopa custa zero e a fruta custa zero. Ou seja, um prato do dia, não é uma sobra, em vez de ser vendido, é oferecido», explicou.

A campanha Direito à Alimentação, lançada pela AHRESP, inicia a sua fase piloto em Lisboa, Entroncamento e Santa Maria da Feira.

No Entroncamento, oito restaurantes vão disponibilizar cinco refeições por dia, todos os dias da semana, a dez famílias carenciadas. Em Santa Maria da Feira, 30 restaurantes vão disponibilizar cinco refeições diárias. A agência Lusa tentou obter o número de restaurantes que aderiram ao projecto e de famílias que seriam beneficiadas em Lisboa mas não obteve resposta.

«Nova pobreza é muito envergonhada»

Os departamentos de acção social das autarquias, em conjunto com Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e de voluntariado, «fizeram um levantamento das pessoas mais necessitadas, dando prioridade às famílias com crianças, a idosos isolados e pessoas portadoras de alguma deficiência», afirmou Fernanda Freitas.

A porta-voz da campanha salientou que essa «lista» é fornecida aos restaurantes para não causar «constrangimento às famílias».

«Não há nada que identifique as pessoas como carenciadas. Apenas os restaurantes e as famílias sabem que aquele é um serviço solidário. As famílias chegam lá, identificam-se e recebem o apoio em take-away. Não queremos causar nenhum constrangimento às famílias. Esta nova pobreza é muito envergonhada e não queremos que se inibam de ir ao restaurante, nem que tenham um rótulo», explicou.

A ideia da campanha é, depois de algumas semanas desta fase piloto, fazer uma avaliação dos procedimentos de forma a melhorá-los e avançar para outros concelhos.

«O que queremos é criar uma plataforma de solidariedade a nível nacional», afirma Fernanda Freitas.

Por: Redacção / PB | 3- 4- 2011 10: 59


Sunday, 16 January 2011

SEM ABRIGO MORRE À PORTA DE CENTRO

Protestos

Sem-abrigo morre à porta de centro

Utentes de Xabregas acusam a direcção de prepotência e denunciaram o caso ao PGR. Centro não o nega.

Uma mulher idosa "bastante debilitada" entrou no Centro de Acolhimento de Xabregas numa sexta-feira à tarde para lá ficar o fim-de-semana. Dormiu e, no dia se- guinte, não entregou a chave do cadeado do armário como obriga o regulamento. Nessa noite, não foi autorizada a entrar e "dormiu à porta". "Foi encontrada morta. O INEM já nada pôde fazer."

A morte da mulher é denunciada pelos sem-abrigo antigos do Centro de Acolhimento de Xabregas (CAX), que garantem que aconteceu em 2010 e foi a gota de água que fez transbordar as queixas em relação à gestão de João Barros, em funções desde 2007.

"Um auxílio não se nega a ninguém. O caso foi abafado e não foram apuradas as responsabilidades", protesta Osvaldo Moleirinho, 53 anos, que frequenta o CAX há 12. É quem dá a cara pelos utentes mais antigos e que escreveu cartas para várias instituições públicas, nomeadamente a Câmara Municipal de Lisboa, a Segurança Social e a Procuradoria-Geral da República (PGR). "Acabei de receber uma carta do PGR a dizer que o caso está a ser investigado", informa.

O Centro de Acolhimento de Xabregas é entendido como uma solução de emergência e não uma residência. Logo, os sem-abrigo deixam os objectos pessoais num cacifo durante a noite e são obrigados a retirá-los no dia seguinte.

"O dr. João Barros implementou uma nova regra: todos os utentes que à saída se esqueçam de entregar a chave do cadeado do armário passam essa noite na rua", conta Osvaldo Moleirinho.

por CÉU NEVES